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O novo tribunal de Valongo vai nascer de mais uma parceria
público/privada. O edifício será construído por uma empresa, que
passará a receber uma renda do Estado pela ocupação do imóvel. O
processo está no Ministério das Finanças e deverá receber luz verde em
breve, revelou Afonso Lobão, porta-voz da concelhia de Valongo do PS,
que ontem esteve reunida com o secretário de Estado da Justiça, José
Conde Rodrigues, e com deputados socialistas eleitos pelo círculo do
Porto.
Segundo Afonso Lobão, o concurso público para escolher a empresa
privada que participará na operação deverá ser lançado em finais deste
mês ou princípios de Junho. As obras devem avançar no terreno no
próximo ano.
A solução encontrada para Valongo é idêntica à que será concretizada
para a construção do campus da Justiça do Porto. Os privados constroem
e ficam como proprietários dos imóveis, pelos quais receberão uma renda
do Estado. Sem esta solução, não seria possível fazer qualquer novo
tribunal de raiz, referiu Afonso Lobão, citando os esclarecimentos
prestados por José Conde Rodrigues.
“As verbas do orçamento geral do Estado, 13 ou 14 milhões de euros, só
dão para obras de manutenção e de reparação em tribunais que carecem de
intervenções pequenas. A construção de novos tribunais não seria
possível sem a colaboração de privados”, observou Afonso Lobão. “Ao
contrário de outros ministérios, o da Justiça nunca recorreu a fundos
comunitários”, acrescentou, em declarações ao JN.
Câmara deve empenhar-se
Admitindo que as actuais condições do Tribunal de Valongo “não são
admissíveis”, Afonso Lobão congratulou-se com o facto de um problema
com mais de uma década estar em vias de resolução, embora não soubesse
precisar onde será construído o novo equipamento. O socialista alertou
que a Câmara (liderada pelo PSD) também tem que se “empenhar” no
processo.
Afonso Lobão explicou que a reunião de ontem teve como objectivos
sensibilizar o secretário de Estado da Justiça para a necessidade de
uma “solução urgente” e para demonstrar-lhe a “importância” de um novo
tribunal em Valongo.
Uma solução provisória que se mantém desde 1975
O Tribunal de Valongo funciona num edifício
destinado a habitação e comércio. Os problemas arrastam-se há anos. As
escadarias interiores e a rua são as salas de espera. Não há casa de
banho pública. Não há sistema de emergência em condições. Nos pisos
superiores, o amontoado de processos faz temer uma derrocada. Por esta
solução alegadamente provisória, mas que se mantém há mais de 30 anos,
o Estado paga 10 mil euros mensais de renda. Uma vistoria realizada
pela Câmara e pelos bombeiros de Valongo, em 2006, reiteraram as várias
deficiências do prédio. Recentemente, na sequência dos problemas
detectados no Tribunal da Feira, a delegada de Valongo da Ordem dos
Advogados fez novo alerta para as condições do imóvel, onde os ratos
terão uma presença incomodamente assídua.
JORNAL DE NOTÍCIAS | 08.05.2008
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