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Um indivíduo entrou hoje de arma em punho no Tribunal de Família de Vila Nova
de Gaia. De acordo com a TSF, o indivíduo entrou no Tribunal pouco depois das
16h, alegando que ia entregar um requerimento.
O indivíduo dirigiu-se ao gabinete de duas magistradas, que conseguiram
fugir. Terá ainda ameaçado de morte uma das juízas.
A PSP evacuou o tribunal e criou um perímetro de segurança, que impede
mesmo o acesso a um centro comercial contíguo. Segundo a PSP, está a
desenvolver-se um processo de negociação com o homem, envolvendo três
especialistas daquela corporação.
O indivíduo, que tem entre 25 a 30 anos, "supostamente" tem uma arma de fogo na algibeira e está barricado no edifício (Tribunal de Família e Menores), onde
entraram há pouco três negociadores. No local está também uma equipa do
INEM.
A fonte disse que o homem "não acatou bem as indicações do tribunal" a propósito de um processo em que terá interesse directo.
O Presidente da Associação Sindical dos Juízes, António Martins, disse
entretanto à TSF que este tipo de situações estão a tornar-se recorrentes devido
à falta de controlo à entrada dos tribunais, nomeadamente pela falta de
detectores de metais.
Actualização (19:30) - O homem armado que se barricou hoje no tribunal de Gaia entregou-se à
PSP "sem oferecer resistência", após duas horas de negociações, disse à
Lusa fonte policial.
Actualização (10.05.2008) - Prisão preventiva para homem que se barricou no Tribunal
Aditamento (09.05.2008)
APONTOU ARMA À CABEÇA DA JUÍZA E FECHOU-SE NO TRIBUNAL
Terá sido o desespero por não ver o filho
há oito meses que levou um homem a entrar, ontem à tarde, no Tribunal
de Gaia armado, apontar a pistola à cabeça de uma juíza e barricar-se,
sozinho, durante mais de duas horas. Acabou por ser detido pela PSP. A
arma usada era, afinal, uma pistola de alarme. Ainda assim, viveram-se momentos de pânico. Mais um episódio que expõe
as fragilidades na segurança dos tribunais, denunciou a Associação
Sindical de Juízes Portugueses.
Em Gaia não há detectores de metais e, segundo informou oficialmente a
PSP, há dois agentes colocados para garantir a segurança. Só em dias
com processos mais complicados há o reforço daquele contingente. Não
seria o caso de ontem. Embora devido ao sucedido, o tribunal acabasse
tomado por dezenas de polícias. Até o comandante da PSP/Porto, Gomes
Pereira, e o director da PJ/Porto, Batista Romão, estiveram no local.
A confusão começou pelas 16 horas. Um homem, aparentando entre 25/30
anos (segundo a PSP), entrou no edifício armado e dirigiu-se ao
Tribunal de Família e Menores. Ali, terá entrado no gabinete de uma das
duas juízas, ameaçando-a. A magistrada fugiu para a secção onde estão
os funcionários judiciais, onde se instalou o pânico. De acordo com
testemunhos recolhidos no local, o homem deixou quase todos os
funcionários saírem. Ficou apenas uma funcionária e a juíza - a quem o
homem terá apontado a arma. "Ele saiu por instantes e nós fugimos",
relatou Judite Guimarães, funcionária, lembrando que pediram ajuda a um
polícia. A funcionária recordou, ainda, que a juíza - casada com um juiz também
do Tribunal de Gaia, mas das Varas Mistas - disse ao suspeito que o
processo em causa não era da sua alçada.
Marco Teixeira, sub-comissário da PSP, confirmou que, na origem do
sucedido, estiveram problemas relacionados com um processo de regulação
parental. O tribunal foi evacuado e criado um perímetro de segurança.
Três negociadores da PSP encetaram conversações com o suspeito.
Entretanto, um irmão do homem chegou ao local. Mais tarde viria outra
irmã. Inspectores da PJ e psicólogos do INEM também foram chamados.
O homem estava trancado na secretaria do Tribunal de Família e Menores.
Porém, no momento da intercepção policial, não ofereceu resistência.
Foi levado para as instalações da Divisão de Investigação Criminal do
Porto, à Rua dos Bragas, onde pernoitou, devendo ser levado hoje ao
juiz de instrução criminal. Em causa estará um crime de coacção contra
órgãos de soberania, cuja moldura penal vai de um a oito anos de cadeia.
Segurança é medíocre
"Os tribunais são tratados há vários anos
como parentes pobres do Estado. Espero e desejo que não tenhamos de
chegar a uma desgraça para, no dia seguinte, os políticos anunciarem
milhões de euros para a segurança dos tribunais". O desabafo é de
António Martins, presidente da Associação Sindical dos Juízes
Portugueses, perante mais uma demonstração da pouca segurança nos
tribunais nacionais. Uma situação, aliás, denunciada num estudo
promovido pela própria associação, há cerca de um ano, que dava conta
das "medíocres" condições dos tribunais contra a intrusão e contra a
violência. O estudo foi enviado para o Governo, para os grupos
parlamentares e para o Conselho Superior de Magistratura, mas nada foi
feito, denunciou António Martins. Paradigmático 89,1% dos tribunais não
têm policiamento público e 59% não tem alarme. Há cerca de dois meses,
contou António Martins, um casal foi a uma conferência para divórcio no
Tribunal de Família de Ponta Delgada, e o homem acabou por agredir
violentamente a mulher. Com a segurança nos tribunais descurada,
António Martins alerta: "Há negligência do Estado. Quando acontecer uma
desgraça, não retratará apenas um caso e responsabilidade política, mas
também de responsabilidade criminal e civil dos governantes.
JORNAL DE NOTÍCIAS | 09.05.2008
EM PRISÃO PREVENTIVA
O homem que
quinta-feira se barricou no Tribunal de Família e Menores de Vila Nova
de Gaia, após ter ameaçado com uma arma uma juíza, vai aguardar julgamento
em prisão preventiva. Carlos Marinho, 36 anos, está indiciado de cinco
crimes de sequestro, um de ameaças e um de introdução em local vedado
ao público, o que aliado aos antecedentes criminais que possui, levou
o Tribunal de Instrução Criminal do Porto a determinar a medida de
coacção mais grave. Após três horas a ser ouvido, o homem saiu acompanhado
por agentes da PJ que o transportaram para a cadeia de Custóias.
Na quarta-feira
à tarde, Carlos Marinho entrou no tribunal, armado com uma pistola
de alarme, e invadiu o gabinete de uma juíza, a quem sequestrou momentaneamente
juntamente com funcionárias judiciais. Horas depois entregou-se e disse
à PJ que apenas queria que lhe fosse permitido ver o filho de 12 anos,
a quem está proibido contactar desde há oito meses.
A proibição
resulta de um processo de sequestro da mulher e do filho e o electricista
de Valadares, Gaia, tem, além disso, vários antecedentes criminais.
Já foi condenado por posse de arma e foi detido várias vezes, nos
últimos anos, por crimes de violência doméstica e roubo. Em 2000,
terá mesmo invadido uma esquadra da PSP numa situação idêntica à
vivida quarta-feira no tribunal de Gaia.
Ontem, o ambiente
no tribunal de Gaia estava calmo. "Havia alguma excitação pelo
que aconteceu no dia anterior mas o tudo estava a funcionar dentro da
normalidade", afirmou ao DN Fernando Jorge, do Sindicato dos Funcionários
Judiciais. Este responsável volta a considerar de "muito grave"
o que se passou e critica o facto da situação ter sido considerada
um caso isolado. "Se hoje houvesse uma pessoa com o mesmo estado
psicológico e armada voltaria a acontecer o mesmo", diz Fernando
Jorge, relembrando que não foi feito qualquer reforço policial.
DIÁRIO DE NOTÍCIAS | 10.05.2008
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