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Um Relatório de Associação Sindical dos juízes denuncia falta de
condições. Um deficiente que entre no tribunal de trabalho do Porto, Gondomar, Abrantes,
Aveiro ou Braga vai confrontar-se com sérias dificuldades de deslocação para um
andar superior do edifício. Isto porque estes tribunais não têm elevador e não
têm as condições necessárias para a entrada e saída de cadeiras de rodas. E quanto chove, há Tribunais onde não podem ser feitos julgamentos por infiltração de águas: Vila Franca de Xira, Ovar, Santo Tirso e Marinha Grande são alguns exemplos.
denúncia é feita pela Associação Sindical dos Juízes Portugueses (ASJP), que
prepara agora as conclusões do estudo "Organização, Funcionalidade e Segurança
nos Tribunais Portugueses de Primeira Instância". Exemplo concreto deste facto
são os tribunais de trabalho de Gondomar e Abrantes, em que as pessoas com
deficiência ou mobilidade limitada são transportadas, na maior parte das vezes,
ao colo pelas escadas. No caso de Gondomar chega a ser necessário algumas vezes
chamar os bombeiros devido à escada de caracol que existe no edifício.
"Os
tribunais de trabalho apresentam condições totalmente hostis e humilhantes para
os utentes que, na sua maioria, são sinistrados de acidentes de trabalho, com
mobilidade limitada", pode ler-se no documento a que o DN teve acesso. "Este
caso é preocupante porque estamos a falar de julgamentos cujos queixosos são
sinistrados de acidentes de trabalho", explica António Martins, presidente da
ASJP, ao DN. No caso do Porto, os problemas são ainda mais flagrantes porque o
tribunal está dividido em cinco edifícios diferentes, situados na mesma Avenida
da Boavista, mas em prédios alternados, o que obriga a que o transporte dos
processos seja feito à mão e pela rua, dado que os juízes não trabalham todos no
mesmo edifício dos funcionários.
A análise feita pela ASJP é o resultado de
um inquérito feito a 676 juízes em todo o País, num universo de 142 tribunais e
2481 funcionários judiciais.
Julgamentos com chuva
Vila Franca de Xira, Ovar, Santo Tirso e Marinha Grande são
alguns exemplos
Esta semana, várias dezenas de processos pendentes na
comarca de Vila Franca de Xira ficaram deteriorados pela chuva que trespassou o
telhado do Palácio da Justiça, no centro da cidade. Este tribunal está situado
num edifício construído em 1964, sem condições de trabalho para magistrados e
funcionários. Um caso que não é único, revela o mesmo relatório elaborado pela
Associação Sindical de Juízes. Os tribunais judiciais de Vila Nova de Cerveira,
Ovar, São Vicente e o Tribunal do Trabalho de Santo Tirso são apontados, nas
respostas dos magistrados no relatório, como casos concretos onde chove, quer
nas secções de processos quer nas salas de audiência. No caso específico do
Tribunal de Ovar, o edifício está situado numa zona de cheias e que já registou
inclusive uma inundação, danificando alguns processos. No caso do Tribunal de
Trabalho da Marinha Grande, a sala de audiências, situada na cave, inunda quando
chove.
DIÁRIO DE NOTICIAS | 15.10.2007
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