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Tribunais estão na lama criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
14-Mai-2008
O homem que entrou armado no Tribunal de Gaia, há uma semana, foi apenas o último caso a espelhar a situação de insegurança que se vive nos nossos tribunais. A Associação Sindical dos Juízes Portugueses (ASJP) irá apresentar, no final deste mês, um relatório final sobre a (in) segurança nos tribunais e o estado das instalações, baseado em inquéritos aos juízes. Será explosivo…

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Uma das situações apontada no relatório aconteceu há dois meses, no Tribunal de Família e Menores de Ponta Delgada (Açores). “Um casal foi a esse tribunal para uma tentativa de conciliação num divórcio. Não houve acordo e, à saída do tribunal, o marido esfaqueou a mulher, deixando-a cega do olho esquerdo”, contou, ao 24horas, o presidente da ASJP, António Martins. No caso concreto, não havia um único segurança ou polícia à porta do Tribunal de Ponta Delgada. “A mulher só não morreu porque dois funcionários judiciais a puxaram para dentro do tribunal”.

À mercê dos criminosos
Em Março de 2007, a ASJP divulgou o relatório preliminar de um inquérito aos juízes sobre as instalações dos tribunais de primeira instância. A falta de segurança foi o aspecto mais negativo. Já nessa altura, constatava-se que a maioria (89,1%) dos tribunais não tinha policiamento público nem segurança privada (87,8%).
Os nobres espaços da justiça estão à mercê dos criminosos. Os exemplos sucedem-se e são trágicos. No Tribunal Judicial de Alijó, referia o relatório, um arguido assaltou o tribunal para recuperar droga que lhe tinha sido apreendida. No Tribunal de Tavira, um arguido evadiu-se enquanto aguardava interrogatório judicial. Nos Juízos de Execução de Lisboa, registou-se um assalto por arrombamento de janela. No Tribunal de Oliveira do Bairro, os gabinetes dos juízes não têm chaves. No Tribunal de Santo Tirso, os carros apreendidos estão, a ser vandalizados por falta, de parque. No Tribunal de Viseu, foi furtado um aparelho de videoconferência durante o horário de funcionamento. No Tribunal de Évora, as celas de segurança estão ocupadas pelos serviços de informática. Mais exemplos haveria…

Transportados ao colo
Nos tribunais do Trabalho de Abrantes e Gondomar, os deficientes ou sinistrados nos acidentes de trabalho são transportados ao colo pelas escadas. Mais: em Abrantes, os exames médicos aos sinistrados fazem-se na sala de advogados, em Gondomar as perícias realizam-se no átrio ao fundo da escada.
Ainda segundo o relatório preliminar da ASJP, os tribunais de Alfândega da Fé, Oliveira do Bairro, Penacova e Velas não têm instalações sanitárias para os utentes.
No Tribunal da Marinha Grande, a sala de audiências funciona numa arrumação da cave sem luz natural e ventilação, com entrada do público por uma arrecadação e dos juízes por uma cortina de pano, ao lado das celas dos presos. No Tribunal de São Vicente, chove na secção de processos. Julgamentos molhados também em Mação e Santo Tirso. Um verdadeiro horror!

Quadro eléctrico
Os serviços do Ministério Público das Caldas da Rainha, que mudaram para instalações provisórias devido às obras no edifício principal do tribunal, estão parados desde sexta-feira por falta de potência do quadro eléctrico, contou ontem à agência Lusa Augusto Neves, do Sindicato dos Funcionários Judiciais das Caldas da Rainha. “Os serviços estão na prática sem funcionar convenientemente há uma semana, se contarmos com os dias da mudança”, adiantou ainda o dirigente sindical. Uma situação que traz “atrasos nos processos”. Só pode…

Gravações
No Tribunal de Cabeceiras de Basto, o equipamento de gravação de prova capta e grava comunicações rádio e obriga a parar julgamentos. Em Vinhais, o equipamento de prova grava por cima dos depoimentos as comunicações rádio da GNR.

À espera
No Tribunal de Olhão, o sistema de gravação tem avarias e foi pedida substituição há três anos, aponta o relatório de 2007.

Números...
77,9% dos tribunais não têm cofre para guarda de armas; 59% não têm sistema de alarme contra intrusão; dos alarmes existentes, 37,3% não estão ligados à polícia, 82,7% não têm sistema de videovigilância;

... Da insegurança
97,2% dos tribunais são livremente acessíveis a magistrados e funcionários fora do horário; 76,6% não têm funcionários em funções de porteiro ou segurança.

Silêncio
No último dia 9, um dia depois do episódio do barricado no Tribunal de Gaia, a ASJP exigiu ao Governo medidas concretas para resolver a falta de segurança nos tribunais. Segundo António Martins, “até agora, não houve resposta”.

Sem efeito
Há um ano, a ASJP recomendou uma avaliação do risco em tribunais e policiamento público em permanência. As sugestões caíram em saco-roto... 

24 HORAS | 14.05.2008 

Comentarios (18)add
... : Tony
Esse relatório peca por tardio. Mas que venha. Se necessário escarrapachado nas páginas dos jornais ! Comprem-se as folhas necessárias, pois os cidadãos precisam de saber em que paupérrimas condições o Estado atira com os titulares de um dos órgãos de soberania, enquanto outros têm todo o conforto e benefício passando sempre incólumes a críticas enquanto que aqueles outros são sempre as bestas do sistema, os autocráticos, os magestáticos, os autoritários, os bodes expiatórios.
14.Maio.2008
... : gh
A ASJP tem de ter mais visibilidade, sempre com credibilidade.
Estudos para especialistas; sínteses para os media, com conf. de imprensa.

Enquanto o Presidente do STJ não faar mais em nome do PODER JUDICIAL, a ASJP que dê dados e FACTOS aos media!
14.Maio.2008
... : Mendes de Bragança
A ASJP tem muito pouca visibilidade. Bebem demasiado chá na Praça do Comércio, mais concretamente nas reuniões no MJ.
Em vez de chá se bebessem umas imperiais, talvez falassem mais grosso.
Eles não têm jeito nenhum para mostrar a nossa indignação.
Rua com este e que venham os outros.
14.Maio.2008
... : Vila Verde
Uma grande quota-parte de responsabilidade por este estado de coisas é atribuida aos magistrados e aos oficiais de justiça. Pois, se reclamam e nada é feito, solicitem às suas organizações associativas e sindicais e paralisem os tribunais. Terão concerteza o total apoio dos advogados.

14.Maio.2008
... : Sempre na mesma
Conclusão: qualquer demente pode entrar por um tribunal dentro, a qualquer hora do dia e fazer justiça pelas próprias mãos...
14.Maio.2008
... : Juiz Atento
Eu também acho que o relatório peca por tardio. Na verdade, os nossos representantes associativos parece que não querem melindar e afrontar o poder político, fazendo publicar estes e outros assuntos de interesse na comunicação social (note-se que parece que pagam milhares de euros a uma empresa de comunicação social ou de imagem...). E se, como diz "Mendes de Bragança", bebem demasiado chá na Praça do Comércio, mais concretamente nas reuniões no MJ, então isso é muito mau. Para mim não deviam beber nenhum...!
14.Maio.2008
... : Horacio
O que é esquisito é que a ASJP só se tenha lembrado deste problema agora; só faltou dizer que foi desde que o PS foi para o Governo que os tribunais ficaram assim como está na fotografia. Eu já os conheço assim há mais de 30 anos! Mas como não era o Sócrates que estava no Governo...
15.Maio.2008
... : Tony
Horácio, não sou advogado da ASJP, mas queria dizer-lhe que as anteriores direcções da ASJP têm ao longo dos tempos alertado o poder político (de várias cores,desde rosa ao laranja, passando pelo azul) para a falta de condições de muitos tribunais. A única novidade desta ASJP é que produziu um relatório depois de ter feito um inquérito que enviou para todos os tribunais. Eu já fui contactado pela então juiz presidente aqui do tribunal para contribuir para esse inquérito há mais de um ano. Por isso é que escrevi que esse relatório peca por tardio, pois depois do referido inquérito, já deveria estar feito há meses.
15.Maio.2008
... : Há coisas fantásticas, não há?
Uns andam a beber chá e outros, pelos vistos, andam a dormir ou então a caçar ratos....é que o relatório preliminar da ASJP sobre, entre outros, a segurança nos Tribunais não é de agora...é de Março de 2007...
Podem confirmar aqui

http://www.asjp.eu/images/stories/
caracerizao_dos_tribunais_-_relatrio_preliminar.doc

ou então fazer pesquisa na imprensa da data ( Março de 2007 ).
Há coisas fantásticas, não há???
15.Maio.2008
... : Tony
Mea culpa, "Há coisas fantásticas, não há?". Peço desculpa mas não sou visitante habitual do site da ASJP. De qualquer modo eu escrevi sobre o relatório final, que me parece tardio, e não sobre o relatório preliminar.
15.Maio.2008
... : Zé
Vergonhoso. O O relatório pode ser de 2007 ou de 2003. De lá para cá pouco ou nada mudou... Aliás, mudou, mas para pior. Fantástico é mesmo não se fazer mais nada senão propaganda...
15.Maio.2008
... : para brincar
Foste apanhado, Tony.
15.Maio.2008
... : Manuel Soares
Só para que conste, procurando ser objectivo (para ver se não levo muitas), o dito "Relatório Preliminar - Organização, Funcionalidade e Segurança nos Tribunais Portugueses de Primeira Instância", divulgado em Março de 2007, é um documento com 80 páginas, até hoje o único onde estas questões foram tratadas de forma sistematizada e com dados objectivos recolhidos no terreno. O definitivo só não foi ainda concluído porque muitos juízes presidentes não enviaram atempadamente as informações que lhes foram pedidas. Mas vai ser.
A divulgação que teve foi apenas esta:
1) cobertura na tsf, desde as 7 da manhã, com reportagens em directo em 4 tribunais, com um forum sobre o assunto e com notícias de meia em meia hora todo o dia (tudo preparado previamente com a asjp) e entrevistas com questões embaraçosas ao Secretário de Estado;
2) reportagens várias nos serviços noticiosos dos três canais televisivos (em dois foi notícia de abertura), com entrevistas a juízes dos tribunais mais citados e membros da direcção nacional da ASJP,
3) dezenas de notícias na imprensa escrita durante vários dias (jornais que esporadicamente ainda recuperam o dito relatório para fazer notícia).
A importância que teve foi esta:
1) O Ministério da Justiça teve de fazer um comunicado nesse dia a anunciar que gastaria milhões em obras e de antecipar a divulgação do estudo sobre o mapa judiciário para "abafar" a notícia.
2) O estudo foi utilizado como fonte de consulta pelo grupo de trabalho do Ministério da Justiça para elaborar o tal outro estudo sobre a segurança, de que só se falou a seguir ao incidente do tribunal de Gaia (este ainda desconhecido)
3) Deu legitimidade aos juízes para se queixarem do que está mal com dados concretos e com trabalho feito.
O único sítio onde eu gostaria de ter visto mais referido o dito documento, era aqui precisamente nesta revista. Mas isso não aconteceu, certamente por critérios editoriais que respeito mas de que por vezes discordo.
PS. Isto tudo nos intervalos do café e do chá lá no Terreiro do Paço, claro
15.Maio.2008
... : Administrador In Verbis
Caro Colega Dr. Ramos Soares

Os artigos a que faz referência, assim como o relatório foram objecto de publicação nesta revista em item de 31 de Março de 2007.

Queira por favor confirmar: http://www.inverbis.net/tribunais/falta-de-seguranca-nos-tribunais.html

Na altura só houve dois comentários ao item (hoje bloqueado, como todos os que têm mais de 90 dias de início de publicação), embora um desses comentários dizia respeito a uma outra matéria que estava em discussão na altura.

Os meus melhores cumprimentos.

15.Maio.2008
... : Manuel Soares
Caro Administrador,
Tem razão. Antes de escrever o comentário anterior tinha feito uma busca para ter a certeza da impressão com que na altura fiquei e já tinha encontrato esse único tópico sobre o assunto. A falta de comentários não me espanta, porque o assunto não era muito do agrado dos comentadores habituais (refiro-me aos que dizem ser ou parecem ser juízes).
Não quis dizer que o documento não tivesse sido aqui divulgado mas apenas que não foi (de acordo com o meu critério - que admito interessado) suficientemente referido, tendo em conta a importância que objectivamente teve na comunicação social dos dias 30 e 31 de Março de 2007: 11 artigos de imprensa escrita, 25 referências noticiosas nas televisões, 15 referências nas notícias da rádio e 15 notícias on-line.
Aproveito, em complemento ao meu comentário anterior, para lembrar a quem já se esqueceu, que o dito relatório foi publicado no boletim da asjp e enviado ao PR, PM, MJ, STJ, STA, CSM, CTAS, PGR, AR, Grupos Parlamentares e Partidos.
Retribuo os cumprimentos ao administrador
15.Maio.2008
... : Hi-Hi-no-Havai
Não foi suficientemente referido como? Devia ter sido publicado duas ou mais vezes? Devia ter dado origem a outros artigos? Talvez sim, não sei, mas não houve grande interesse na altura, ou o assunto não foi bem divulgado, também acontece. Não percebi bem o que quis dizer. As notícias aparecem aqui, têm igual tratamento, e são, ou não, comentadas. Umas repetem-se, de facto. Outras não. E é tudo.
15.Maio.2008
... : Mendes de Bragança
Voltou a propaganda do secretário-geral.
17.Maio.2008
... : Conversa da Treta
Apenas me apraz referir, que sempre foram os Oficiais de Justiça os primeiros; sim: os primeiros!!! Os primeiros a denunciar a situação de insegurança e doença que existe nos Tribunais só que os Srs Magistrados, Advogados, Politicos e Povo em geral nunca deram ouvidos...! E sabem porque são eles sempre os primeiros? Não sabem? Eu digo: porque eles são os primeiros a levar com a ira dos maus decisores politicos e de outros...!
21.Maio.2008
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