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Tr.Trabalho - Acções diminuem, problemas aumentam criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
12-Mai-2008
A diminuição do número de acções nos Tribunais de Trabalho resulta de obstáculos no acesso dos cidadãos à Justiça e não da redução dos problemas laborais. "O número de acções judiciais nos Tribunais de Trabalho desceu, mas estou convencido que o número de problemas aumentou. A Constituição [da República Portuguesa] é generosa nas questões do acesso à Justiça, mas, do ponto de vista material, aquela norma não tem tradução efectiva. Hoje, o trabalhador médio não tem dinheiro para ir à Justiça", afirmou Joaquim Dionísio em Coimbra, que também alertou: «Criou-se uma espécie de paranóia colectiva com o problema da morosidade da Justiça que, em vez de levar a uma exigência de mais meios, leva a uma crítica cerrada e a uma desvalorização da Justiça».


Este dirigente da CGTP-IN foi um dos oradores na sessão inicial do 2º Curso do Programa de Formação Avançada Justiça XXI, que começou hoje no Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra, sobre o tema "Novos Desafios do Direito do Trabalho".

"O Ministério da Justiça apresenta esta redução do número de acções como algo positivo, acho que é extremamente negativo, porque resulta de um menor acesso dos cidadãos à Justiça", considerou o advogado e responsável do gabinete jurídico e de estudos daquela central sindical.

Na sua perspectiva, "existe uma Justiça dos ricos, uma Justiça dos pobres e uma 'não Justiça' para a maioria dos portugueses".

"Criou-se uma espécie de paranóia colectiva com o problema da morosidade da Justiça que, em vez de levar a uma exigência de mais meios, leva a uma crítica cerrada e a uma desvalorização da Justiça", considerou Joaquim Dionísio.

Esta "desvalorização" - adiantou - "é manifesta no Direito do Trabalho: como as acções levam muito tempo, as pessoas procuram resolver as questões de outra maneira ou não recorrem aos tribunais".

O programa de formação é organizado pela Associação Sindical dos Juízes Portugueses (ASJP) e pelo CES/Observatório Permanente da Justiça.

Ao intervir no início do curso, que se prolonga até 17 de Maio, o dirigente da ASJP José Igreja Matos considerou que o Direito e os Tribunais de Trabalho enfrentam "encruzilhadas cruciais", devido a mudanças legislativas já concretizadas ou anunciadas.

"Colocam-se encruzilhadas cruciais no que diz respeito ao Direito do Trabalho e aos Tribunais de Trabalho", afirmou o magistrado, responsável pela coordenação do curso a par com o investigador do CES António Casimiro Ferreira.

O novo mapa judiciário, o alargamento da mediação laboral, o novo regulamento das custas processuais e a regulação por uma entidade administrativa dos acidentes de trabalho foram factores enunciados pelo dirigente da ASJP para ilustrar as mudanças neste domínio.

"Na óptica judicial, identificam-se inquietações relevantes sobre uma possível perda de centralidade dos Tribunais de Trabalho num contexto em que se aprofundam os mecanismos de mediação, mais ou menos impostos, e se anuncia a criação de uma entidade administrativa em sede de regulação dos acidentes de trabalho", lê-se num texto sobre o curso.

Na sessão inicial do curso foram também oradores José Roque, da UGT, Ferreira Ramos, em representação da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal, e Nuno Biscaia, da Confederação da Indústria Portuguesa.

LUSA | 09.05.2008 

Comentarios (1)add
... : Odete Figueiredo ( Viseu)
Tributo ao Dr.António Batalha

È enorme a satisfação de ler e aprender com o livro que nos deixou o saudoso professor Dr.António Lopes Batalha,que infelizmente já não se encontra entre nós." Alienabilidade no Direito Laboral-Tabalho no Domicílio e Teletrabalho". Esta obra é sem dúvida motivo de orgulho para todos os que tiveram o privilégio de conhecer o Dr.António Batalha,o seu sentido dos outros e a sua entrega sem limites ás causas em que acreditava.Jamias direi até sempre, mas sim até um dia, querido professor.Bem-hajas por teres existido na vida daqueles que te amaram,respeitaram e admiraram e principalmente pelo legado ao serviço Direito Laboral.
15.Maio.2008
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