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Só quem mata é que é preso criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
07-Jul-2008
Polícias e magistrados indignados com os novos Códigos Penal e de Processo Penal contaram situações que já viveram no primeiro relatório sobre a Reforma Penal, apresentado esta semana (ver factos). E não pouparam nas críticas.

Um dos polícias inquiridos falou da atitude inacreditável de um juiz que deu ordem de soltura a um ladrão que havia atropelado um agente. “Tive um interrogatório numa data em que o tribunal estava de turno e tivemos de estar à espera que chegasse o juiz. Entretanto, o juiz chegou e começou a falar com o procurador. E então ouvi: `Para que é que esperam por mim? Podem libertá-lo logo! Agora só quem mata é que é preso!”.

O polícia ficou perplexo. “E eu a ouvir isto com o arguido que tinha tido uma noite agitada: furtou tudo o que eram bombas de combustível e atropelou um polícia. Certamente que, depois de ouvir isto, quando saiu foi fazer a mesma coisa, até porque não tinha dinheiro para voltar para casa. Mas ele sabia que não ia preso”.

Outro agente da PSP relatou uma situação em que dois colegas foram agredidos por um indivíduo depois de o terem interceptado devido à condução irregular que exibia. Fizeram o teste do álcool ao homem e deu positivo.

Ele não tinha carta de condução e o carro era apreendido. Os agentes disseram-lhe para os acompanhar ao posto para fazer o teste no analisador qualitativo e ele recusou-se. “Foi advertido que se não o fizesse incorria no crime de desobediência e a resposta foi com cabeçadas e pontapés nos dois agentes”, contou o polícia. “Tendo em conta as injúrias e agressões aos agentes, ligou-se ao procurador às 2 da manhã. E a resposta foi ‘libertem-no’. Ou seja, estavam dois agentes no hospital a receber tratamento e já o arguido tinha sido libertado”…
A redução das detenções fora de flagrante delito e a drástica diminuição das prisões preventivas foram dos principais impactos dos novos Códigos Penal e de Processo Penal, em vigor desde 15 de Setembro de 2007. Polícias e procuradores sofrem mais…

Urgência para casos de incendiários

No relatório, um procurador inquirido refere que está a ser estudada com a Procuradoria-Geral da República “a possibilidade de emitir uma circular a declarar urgência dos processos de incêndio durante as férias judiciais”. É que com os incendiários pode acontecer o mesmo que com os abusadores sexuais, explicou. Como não são considerados processos urgentes, os arguidos são notificados para comparecer ao juiz mas podem estar à espera 1 a 2 meses em férias judiciais antes de serem presentes a tribunal, explicou o inquirido. Isso pode gerar “alarme social”.

24 HORAS | 07.07.2008

Comentarios (3)add
... : Viriato de Viseu
Será que o ministro da justiça e os deputados leram este texto?
07.Julho.2008
... : VILA VERDE
Façam o favor de enviar o texto ao Sr. Ministro da Administração Interna, porque facilmente perceberá naquilo em que se meteu (revisão do CPPenal) depois não se venham queixar que as forças de segurança têm razão. é o que dá ser "taxista", afinal era "ch" e não "x", desculpem o erro.
07.Julho.2008
... : hafb
Façam o que tiverem de fazer, mas olhem que ainda há 3 dias li que, em Portugal, uma senhora tinha sido considerada inocente do crime de roubo de roupa de moda.

Acontece que por causa dessa acusação esteve 16 meses em prisão preventiva. Ai, ai, ai. ui, ui.

Fiquei indignado!!!
04.Agosto.2008
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