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As mudanças de acções para fora de Porto e Lisboa, o facto de se terem
tirado dos tribunais muitas cobranças de dívidas e dívidas a
seguradoras e o reforço da mediação fez cair as pendências em 1,4%, no
último ano, o segundo consecutivo. Processos caem pelo segundo ano seguido, embora a baixo ritmo. Acção executiva é o pior. O tempo médio que demora a resolver um processo ainda não é conhecido pelo Governo.
As mudanças de acções para fora de Porto e Lisboa, o
facto de se terem tirado dos tribunais muitas cobranças de dívidas e
dívidas a seguradoras e o reforço da mediação fez cair as pendências em
1,4%, no último ano, o segundo consecutivo.
Os dados do Ministério da Justiça - que serão hoje divulgados
oficialmente fazem o Governo reclamar a primeira vitória no sector:
“Trata-se da primeira vez em 15 anos que se consegue uma redução das
pendências em dois anos consecutivos”, diz ao JN o secretário de Estado
João Tiago Silveira.
Os números evidenciam a melhor tendência da década, mas ainda longe de
resolver o problema global: 1,6 milhões de processos presos nos
tribunais. É que, somados os dois anos (2006 e 2007), somam-se menos
28.756 processos. Mas só no primeiro ano da legislatura, foram mais de
120 mil os que se acumularam.
O Governo sublinha que a inversão do caminho mostra um “ritmo muito
rápido”, ao nível da capacidade de resposta dos tribunais no seu
conjunto. E garante que só com as várias medidas do Governo
implementadas desde finais de 2005 se conseguiu tirar já alguns dossiês
das mesas judiciais (”a tendência é para se consolidar esta
recuperação”, diz Tiago Silveira). Números finais, a redução agora
verificada aponta para que o maior sucesso do ano tenha sido ao nível
dos processos entrados, que se reduziram em 2,6%) e não tanto ao nível
das acções findas - que, porém, “mantiveram um ritmo elevado, tendo em
conta que em 2006 se registou uma subida de 14% face a 2005″.
É claro que, dentro do quadro geral - nitidamente mais favorável - há
diferenças entre os vários sectores judiciais. O exemplo mais positivo
parece ser o dos cíveis: consegue uma redução de 25.148 processos,
registo melhor do que em 2006. Quanto ao penal, também mostra evolução
favorável - 0,5% a menos, o primeiro registo favorável da última década.
A ‘ovelha negra’ volta, assim, a ser a acção executiva. Contou, no
final do ano, com mais 3.792 processos, o que - ainda assim - o
Executivo considera “positivo”. Porquê? O documento do Ministério da
Justiça, a que o JN teve ontem acesso, justifica assim: “É preciso ter
em conta que, durante o ano de 2006, vigoraram incentivos à desistência
de acções que haviam sido propostas por razões meramente ficais. Várias
acções terminaram em 2006 por esta razão. Em 2007, não vigorou um
incentivo relacionado com custos fiscais. Ou seja, o sistema continuou
a manter o mesmo ritmo, mesmo sem um incentivo desta natureza, que
apenas vigorou durante uma ano.”
Ainda assim, reconhecendo a debilidade da acção executiva, Alberto
Costa prepara já uma série de novas medidas legislativas, prometidas
para o Verão.
Ao panorama global, fica a faltar um último dado: o tempo médio de
resolução por processo. João Tiago Silveira garante que os esses dados
ainda “não estão consolidados”, pelo que o Governo vai aguardar até os
poder tornar públicos. Mas dentro do Ministério há quem aponte uma
ligeira subida desse tempo, garantindo que o problema é só e apenas
estatístico. O dado aguarda, de qualquer forma, confirmação.
No meio de tantos processos, outro tema inevitável é o das férias judiciais - cuja alteração tanta polémica levantou no sector.
“Tivemos sempre mais processos resolvidos do que entrados”, garante
Tiago Silveira. `A actividade dos tribunais está mais distribuída por
todo o ano”. O novo sistema de férias “permite que haja maior
capacidade de resposta”, assegura.
Hoje, num seminário em Lisboa, o ministro da justiça deve anunciar
estes dados, apresentando-os como uma vitória do Governo. Segundo o
argumentário de que se conseguiu “restaurar a capacidade de resposta
aos tribunais” que estes tinham perdido há anos. E que já se conseguiu,
em dois anos, “evitar mais de 250 mil acções na justiça”, se o ritmo
dos tribunais não tivesse melhorado.
Caos nos tribunais
1,6 MILHÕES
Número de processos pendentes nos tribunais portugueses. A tendência de
acumulação disparou na última década e só em 2006 começou a ser
reduzido - embora lentamente. O ano de 2007 foi, nesta perspectiva, o
melhor em 15 anos.
3,972 MIL
Número de processos executivos pendentes a mais nos respectivos
tribunais, claramente o pior registo do último ano. O Governo quer
resolver o problema com um novo pacote legislativo, que está agora a
ser ultimado.
JORNAL DE NOTÍCIAS | 05.06.2008
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