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Proposta aumenta macrocefalia de Lisboa criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
09-Jun-2008
O Presidente do Tribunal da Relação de Coimbra considera que a nova lei de organização e funcionamento dos tribunais reforça a "macrocefalia de lisboa" quanto ao modelo de distritos judiciais, ao ampliar a sua abrangência. Joaquim Piçarra, que na noite de quinta-feira participou num debate em Coimbra sobre aquela proposta do Governo, criticou o facto de a nova organização "esvaziar a Relação de Évora", para os distritos judiciais do Algarve e lisboa, afectando também a de Coimbra.


Se Lisboa está congestionada, mais congestionada ficará. Terá mais 25 juizes desembargadores, e mais ingovernável ficará Lisboa", sublinhou o magistrado, ao repor. tar-se à abrangência do distrito judicial da capital.Segundo Joaquim Piçarra, a mudança representa "600 recursos que o Tribunal da Relação de Coimbra deixará de decidir", porque a Relação de lisboa "penetrará até 60 quilómetros de Coimbra".

No entanto, para o Presidente do Tribunal da Relação de Coimbra, a nova proposta de Lei de Organização e Funcionamento dos Tribunais Judiciais "tem muitas virtualidades e muitos aspectos positivos" - Um dos aspectos positivos que enunciou foi a criação da figura do presidente do tribunal, capaz de desempenhar uma função determinante na racionalização de meios humanos e materiais. 

Para Joaquim Piçarra, em sintonia com o procurador-geral distrital de Coimbra, Alberto Braga Temido, é preciso que o Governo disponibilize meios para que o sistema da justiça possa funcionar.  É uma utopia pensar que se conseguirá melhorar a justiça cortando meios. Gastar dinheiro nos tribunais é fundamental", sustentou Braga Temido.

Daniel Andrade, presidente do Conselho Distrital de Coimbra da Ordem dos Advogados, outro dos oradores no debate, considerou a proposta do Governo "um modelo desajustado, que não serve as populações e pode trazer constrangimentos". Na sua perspectiva, não é o mais adequado fazer "uma colagem da organização judiciária à organização económica das NUT s" (Nomenclaturas de Unidades Territoriais), porque "há NUT s com grande concentração de litigações e outras que são nutinhas". Daniel Andrade manifestou-se ainda preocupado com que se esteja a instalar um mapa judiciário e um "mapa parajudiciário" com os mecanismos alternativos de administração da justiça a mediação e os Julgados de Paz. Também neste aspecto criticou o facto de esses meios alternativos de administração da justiça se estejam a desenvolver sem cultura judiciária, sem a presença dos advogados.

Os três oradores foram unânimes em reconhecer que a actual organização judiciária é um modelo esgotado, e que carece de alterações, para se adaptar às novas realidades sociaís, e para uma maior eficácia na administração da justiça. O debate sobre a nova proposta de Lei da Organização e Funcionamento dos Tribunais Judiciais foi organizado pelo Conselho Regional de Coimbra da Ordem dos Advogados em conjunto com a livraria Almedina.

DIÁRIO AS BEIRAS | 07.06.2008 

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