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Novo caso de ameaça a Magistrada criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
27-Jun-2008
Novo caso em Vila Real com insultos a procuradora e agressões a um graduado da PSP. Procuradora foi ameaçada em plena sala de audiências e polícia foi agredido. Entretanto, na Feira, o juiz António Coelho diz que viveu momentos de pânico e lamenta que secretário de Estado fale “sem saber”.


Em Vila Real, em plena sala de audiências, voltaram ontem a viver-se momentos de pânico. Uma magistrada do Ministério Público foi insultada em pleno julgamento. “Sua p…, sua v… do c…. se te apanho ensacho-te ao meio’, gritou o arguido, que respondia por ameaças e injúrias, quando foi interpelado pela procuradora. A magistrada nem reagiu. Pediu a um polícia que se encontrava na sala e que estava a ser ouvido como testemunha que prendesse o arguido. E que o apresentasse em julgamento sumário por ameaças e insultos.
A cena não terminou. O homem manteve a revolta e agrediu o graduado da PSP, rasgando-lhe a roupa. Foram pedidos reforços e ontem à noite o jovem, já conhecido por desacatos, estava nas celas da polícia. Hoje, será interrogado.
Ainda segundo o CM apurou, há cerca de dois meses, também no Tribunal de Vila Real, um homem foi interceptado já no interior com um machado escondido debaixo da roupa. Ia ser interrogado pelo juiz que acabou por lhe decretar a prisão preventiva. Antes disso, ameaçara: “Vou preso, mas levo dois ou três”.

Entretanto, em Santa Maria da Feira, o juiz António Coelho, agredido pelos arguidos após a leitura da sentença, garante que nunca viveu “momentos de pânico” como os de anteontem. “Foram momentos de muito pânico que se sentiram durante dois ou três minutos”; confessou ao CM o também presidente do tribunal de círculo, habituado a grandes e complicados julgamentos com penas bem mais pesadas. “Já tive outros julgamentos muito mais perigosos, sobretudo de roubos, onde foram aplicadas penas maiores e não vivi isto.”
Em reacção às declarações do secretário de Estado adjunto, Conde Rodrigues, o juiz lamentou que aquele tivesse tomado uma posição pública sem o ouvir. “Só fala assim quem não sabe”; afirmou António Coelho, criticando que o responsável político não tivesse o cuidado de o contactar. “Se o tivesse feito sabia quais as medidas de segurança tomadas. Mais, não era possível”; garantiu.
Elogiando a eficácia da PSP e GNR, António Coelho sustentou ainda que “noutra sala, com outras condições, dificilmente teriam acontecido as agressões”.
Conde Rodrigues tinha dito de manhã, em declarações a diversos órgãos de Comunicação Social, que a segurança do tribunal deve ser acautelada pelos juízes.

Perfil
António Coelho, juiz desde 1989, nunca viveu momentos de tanta tensão. O magistrado, que está naquele tribunal desde 1997, já tinha julgado outros casos complexos, mas nunca fora intimidado. Foi ele, por exemplo, que condenou a 25 anos de cadeia o pedófilo da Feira.

REACÇÕES

António F. Girão vice-pres. CSM - “Juízes deviam avançar com processos”
Estou ao lado dos meus colegas e não é por corporativismo. As decisões dos juízes podem criar insegurança, mas neste caso só quem não viu, ou não quer ver, que as condições deploráveis em que o tribunal está a funcionar criaram esta situação. Estamos ao lado dos juízes na decisão que tomaram [de suspender os julgamentos]. Penso que deviam também avançar com processos contra os arguidos.”

Edgar Lopes, Juiz - Aquelas instalações são inadmissíveis”
As instalações provisórias do Tribunal de Santa Maria da Feira são inqualificáveis e inadmissíveis, com poucas condições de segurança e onde se registam temperaturas de quase 40 graus. Acredito que foi um acto isolado. Todos os funcionários do tribunal têm feito um esforço para aguentar a situação. Os tribunais portugueses têm poucas condições de segurança, pouca presença das autoridades e falta de áreas de circulação delimitadas.”

Marinho Pinto - Bastonário OA -” A agressão a um juiz é um acto intolerável”
Uma agressão a um juiz nos tribunais é um acto intolerável numa democracia. Enviei uma carta à presidente do Tribunal de Santa Maria da Feira expressando repudio pela agressão.
O Governo deve tomar medidas para que os juízes possam trabalharem segurança. Peço aos juízes que tenham a coragem e o espírito de sacrifício para que o tribunal continue a funcionar.”

Cem julgamentos desmarcados
Os juízes e procuradores do Tribunal de Santa Maria da Feira decidiram ontem, por unanimidade, suspender todos os julgamentos até que o novo tribunal esteja em funcionamento, o que deverá acontecer em Setembro. O anúncio foi feito ontem à tarde em conferência de imprensa pela juiz-presidente Ana Maria Ferreira, depois de uma reunião com os 28 juízes e magistrados.
Esta decisão vai resultar no adiamento de pelo menos 96 processos e 114 sessões de julgamento.
“O perigo é sentido por todos”; afirmou a responsável. A agressão ao colectivo de juízes, composto por António Coelho, Luís Miguel Martins e Susana Couto, terá sido a gota de água, uma vez que para ontem já estava agendada uma reunião com representantes da Direcção-Geral do Instituto da Gestão Financeira por causa dos atrasos no processo de mudança de instalações. O que levou a juíza-presidente a criticar o Ministério das Finanças, que “está a burocratizar o processo” ao pedir ‘uma avaliação aos custos da mudança’!
Desde que foi encerrado em Abril deste ano, um número ainda não quantificado de julgamentos foi adiado, enquanto as audiências se repartiam por salas nos Bombeiros, junta e Biblioteca. A partir de agora só se realizarão julgamentos de processos urgentes. Depois dos mais recentes desenvolvimentos, a tutela anunciou que o contrato de arrendamento do novo edifício será assinado segunda-feira.

Proibida de se aproximar
Maria do Carmo Ferreira da Silva, de 33 anos, a irmã dos dois traficantes, de 34 e 27 anos, sentenciados com nove e oito anos e meio de prisão, respectivamente, está proibida de se aproximar dos tribunais da região e da GNR, a não ser quando for convocada. A mulher foi indiciada pelos crimes de coacção contra órgãos constitucionais, resistência e coacção a funcionário, injúrias, ofensas à integridade física e perturbação de funcionamento de órgão constitucional. A mulher participou na cena de pancadaria no tribunal.

CORREIO DA MANHÃ | 27.06.2008

 

Comentarios (8)add
... : Hi-Hi-no-Havai
Tinha a sua piada se a queda do Governo começasse precisamente por aqui, pelas agressões aos magistrados e a outras autoridades, ou seja, pelo mundo da Justiça que tem sido, de longe, o mais mal tratado pelo poder executivo e pela pouco sabedora imprensa e respectivos garatujadores e comentadores. Vamos aguardar calmamente o desenrolar da vergonha.
27.Junho.2008
... : Marcos
Mas será que ninguém vê que este não é um problema que se possa resumir às "instalações"????
Onde está o controlo diário do acesso aos Tribunais, da circulação no seu interior, os detectores de metais etc...?????????????
27.Junho.2008
... : Grub
Mas os Srs. Magistrados ainda não perceberam que isto é o resultado de leis desajustadas à realidade nacional e, por consequência, do descrédito em que a justiça é todos os dias lançada ?
27.Junho.2008
... : Grub
Esta medida de coacção imposta à irmã dos arguidos comparticipante da agressão é de "cabo de esquadra" !
É pelo facto de certas infracções não implicarem detenção imediata que isto está como está ! E não julguem que esta seria uma medida fascizante. Verifiquem só o que aconteceria a estes "heróis" se o caso se passasse nos EUA ou no Reino Unido...
27.Junho.2008
... : Socrália
De forma bem visivel e ostensiva, colhem-se os frutos daquela politica de descredibilizar os Tribunais e os Juízes. Aínda se lembram da famosa teoria do "corporativismo" e dos " priveligiados" ?
Este governo fez muito mal ao Estado, pela "nova" mentalidade de falta de respeito que foi gerada. Não se podem destruir valores essenciais.
Dando-se " tiros no pé", o País manca, na Justiça, Educação e no Geral.
Só não vê quem não quer ver...
27.Junho.2008
... : Hegel Lusitano
Grub, a moldura penal do crime imputado à irmã de um dos arguidos era passível de condenação superior a 5 anos de prisão. A medida de coacção que lhe foi aplicada pela Sra. Juiza de Instrução do Tribunal de São João da Madeira não me convence, por falta de proporcionalidade com a gravidade dos factos praticados a que acresceram as suas entrevistas tapadas com árvores a várias televisões. No mínimo, era adequada a prisão domiciliária ou mesmo a prisão preventiva. Mas quiçá por medo de corporativismo (?!) os juízes quando julgam actos praticados contra outros juízes costumam ser muito brandos. Assim não vamos lá.
27.Junho.2008
... : Que país!
Nenhum Tribunal do país, mesmo na mais recôndita comarca (é nas mais recônditas que às vezes ocorrem os crimes mais bárbaros), devia funcionar sem a presença de segurança.

Se cada Tribunal tem, simbolicamente, na sala de audiências, uma bandeira portuguesa, não pode deixar de ter, também, um agente de autoridade, da autoridade do Estado.

É assim em qualquer país civilizado!

E a presença de agentes de segurança sufcientes não pode deixar de ser preocupação diária, ponderando as necessidades, do Comandante do OPC local.
27.Junho.2008
... : Um Jiz sem curriculum para ser avaliado
Grub, o Sr. é um ignorante. Comparar Portugal, um Estado democrático e respeitador dos Direitos humanos, com os EUA e o RU, países consabidamente totalitários e desrespeitadores dos ditos? Francamente...

Agora sem ironia, Socrália tem toda a razão, com a seguinte ressalva. A coisa vem de muito antes do Filósofo. Basta reler os famosos discursos de S. Ex.ª o anterior PR, Dr Jorge Sampaoio, aqunado das cerimónias de abertura dos anos judidicias. Eu tenho memória!!!

28.Junho.2008
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