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O presidente do Conselho Superior da Magistratura, Noronha Nascimento,
garantiu ontem ter sugerido ao Ministério da justiça a “implementação
de regras específicas de segurança” na maior parte dos tribunais
portugueses. “Há julgamentos de risco com muita frequência no país”,
admitiu na visita às instalações provisórias do Tribunal da Feira. O responsável manifestou solidariedade com a posição tomada pelos
magistrados do tribunal feirense, que resolveram suspender os
julgamentos criminais até à transferência para o novo edifício, após as
agressões a dois juízes.
Noronha Nascimento defendeu que a situação tem de
ser “rapidamente resolvida”. “Exige-se o mínimo de qualidade das
próprias instalações e o Tribunal da Feira não tem condições de
segurança nem de qualidade”.
O ministro da justiça, Alberto Costa, anunciou entretanto que estão a
ser procuradas soluções, que o contrato de arrendamento das novas
instalações está aprovado e que foi aberto um processo disciplinar
contra os agressores dos magistrados, “que não serão apenas sancionados
judicialmente, mas também na esfera disciplinar dos serviços
prisionais”. “Quem, porventura, queira retirar de um caso concreto, que
todos lamentamos, elementos de perturbação e agitação de catastrofismos
está enganado”, disse. Já o ministro da Administração Interna, Rui
Pereira, considerou o episódio “inadmissível” e a PSP anunciou a
criação de um grupo para avaliar o risco de segurança que correm os
magistrados.
A juíza-presidente do Tribunal da Feira, Ana Maria Ferreira, tem
dúvidas de que o contrato, que permite o avanço das obras nas novas
instalações, seja assinado esta segunda-feira, como garantiu a tutela.
“Reservo-me o direito de estranhar que no espaço de três horas tenha
sido comunicado oficialmente que segunda-feira é assinado o contrato,
quando anteriormente tinha pedido que me confirmassem e me tinham
informado de que não havia data prevista e os estudos de avaliação
financeira ainda estavam a ser efectuados”, sustentou Ana Maria
Ferreira.
Advogados armados : Casos de violência em 16 tribunais
A Associação Sindical dos Juízes Portugueses revela que foram
registados casos recentes de violência em pelo menos 16 tribunais. Esta
estrutura dá nota de advogados armados, entradas sem autorização em
gabinetes e tentativas de agressão a magistrados e procuradores. E
alerta para outras 55 instalações judiciais com ‘situações graves de
risco de violência’. A ausência de celas para presos é apontada como a
principal falha. Os tribunais de Oliveira de Bairro e de Sesimbra
funcionam em instalações provisórias há mais de 20 anos.
PÚBLICO | 28.06.2008
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