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Alberto Costa justifica o fecho das Varas Criminais de Lisboa pela fraca pendência. Juízes desmentem números do Executivo, por este ter tido em conta apenas processos com acórdão proferido. Segundo o Governo, na 9ª Vara existem actualmente 210 processos pendentes. Ao que o DE apurou são cerca de 1.015 os processos que não estão concluídos nesta Vara.
O Governo vai proceder à extinção de algumas varas em Lisboa e Porto, alegadamente devido ao reduzido número de processos que têm para resolver. Facto que é contestado pela Associação Sindical dos juízes Portugueses (ASJP) e pelos juízes das próprias varas, que defendem que Alberto Costa contabilizou apenas "a pendência estatística e não a real". Segundo António Martins, presidente da ASJP, "a desconformidade entre os números da estatística oficial dada pelo Ministério da Justiça como justificação para o encerramento e os números reais dos registos dos tribunais são um factor a chamar a atenção".
Caso exemplificativo desta situação é o da 9ª Vara Criminal do Tribunal da Boa Hora em Lisboa que, segundo o Ministério da justiça, contabiliza actualmente 210 processos pendentes quando - segundo avançaram ao DE fontes do próprio Tribunal -, são cerca de 1.015 os processos que esperam conclusão nesta vara criminal, que já julgou processos mediáticos como o de Vale e Azevedo. Segundo António Martins explicou, a questão prende-se com o facto de o Ministério ter contabilizado os processos já com sentença proferida, "quando na verdade existem inúmeros processos que não acabam com a decisão", explica o magistrado. ‘Acontece regularmente nos tribunais de família. Pode acabar hoje e amanhã estar a ser reaberto um pedido de alteração", defendeu.
Para "esclarecer estas e outras questões", António Martins reúne-se hoje e quinta-feira com os representantes das varas a extinguir - segundo o Programa de Medidas Urgentes para a Melhoria da Resposta judicial - de forma a reunir os dados das pendências reais de cada uma delas. "Vamos reunir com juízes dos tribunais, juízos e varas que o Governo pretende extinguir nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto e sexta-feira está prevista uma reunião da associação cuja conclusão será apresentada de seguida ao Ministro da justiça". Outro dado a registar é o da mesma 9ª Vara que recebeu, na passada quinta-feira, um processo com 400 volumes, 500 apensos, 68 testemunhas e 53 arguidos, acusados pelo crime de fraude fiscal. Isto depois de já ter sido decidida a sua extinção, que será concretizada em Setembro deste ano.
Fase preparatória da reorganização judicial
1. Os processos que passaram pela 9ª Vara do Tribunal da Boa-Hora
Pela 9ª Vara do Tribunal da Boa Hora de Lisboa já passaram alguns dos processos mais mediáticos do panorama judicial português. Entre eles está a condenação, pela quarta vez, do antigo presidente do Benfica, Vale e Azevedo. Na passada semana iniciou-se, na mesma vara, o processo relativo a duas ex-assessoras da Procuradoria-Geral da República, Teresa de Sousa e Cristina Maltez. No contexto em que no mesmo Tribunal fervilhavam testemunhos integrados no processo Casa Pia, a 9ª Vara recebeu igualmente a sessão de julgamento da acção interposta por Paulo Pedroso contra um jornalista pelo crime de difamação através de um blogue. Para a próxima terça-feira, dia 24 de Abril, está marcada a primeira sessão de julgamento do médico acusado de burla ao Sistema Nacional de Saúde. No total, o SNS terá sido lesado em cerca de 4 milhões de euros.
2. Programa de Medidas Urgentes para melhorar a resposta judicial
O Governo criou um programa de Medidas Urgentes para a resposta judicial que incluiu a extinção e a consequente criação de algumas varas e juízos de vários tribunais de competência especializada, nas áreas do direito da família e menores, trabalho, comércio, civil e penal e a criação de juízos de execução em Braga, Coimbra, Matosinhos, Leiria e Vila Nova de Gaia. A necessidade de obter resultados a curto prazo impõem que se tomem algumas medidas de urgência, "incidindo sobre as áreas de maior concentração processual", defende fonte do Ministério da Justiça. Para isso, Alberto Costa procedeu a um diagnóstico junto dos diversos operadores judiciários e anunciou, também, a criação de juízos e varas em sede de jurisdição de família e menores, jurisdição do trabalho e pequena instância cível.
DIÁRIO ECONÓMICO | 17.04.2007
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