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O presidente do Supremo Tribunal de Justiça (STJ),
Noronha do Nascimento, disse hoje, em Macau, que o novo mapa judiciário
"é um avanço muito grande" e que concorda com as regras
definidas na proposta de lei orgânica dos tribunais. "Acho
que a definição concreta das circunscrições é uma questão política
e, salvo se houver um caso escandaloso de colocação de certo concelho
ou município (...), é uma questão política sobre a qual os juízes
devem ter algum cuidado, porque se vai jogar basicamente entre o poder
político, os partidos da oposição e os municípios", considerou
o juiz conselheiro Noronha do Nascimento.
Já em relação
às regras definidas na proposta de nova lei orgânica dos tribunais,
o presidente do STJ - e, por inerência, também presidente do Conselho
Superior da Magistratura (CSM) - disse estar de "acordo com a estrutura
geral do sistema", que classificou de "inovador", e com
a forma de administração dos tribunais, que contempla "os princípios
que os juizes andam a defender há muito tempo".
"Primeiro,
tem de haver um presidente que é um juiz; segundo, esse presidente
é escolhido pelo Conselho Superior da Magistratura entre desembargadores
ou juízes de círculo; terceiro, esse presidente, uma vez nomeado,
é que vai escolher o administrador", afirmou, ao resumir a nova
fórmula de gestão dos tribunais.
Luís António
Noronha do Nascimento sustentou, também, que o novo quadro permite
que os tribunais tenham uma gestão definida pelo CSM e "executada
pelo presidente, que vai ser uma espécie de gestor delegado".
"Isto
é o primeiro passo para se restabelecer, definitivamente, aquilo que
em 1987 acabou e que foi um erro com efeitos danosos, que se prolongaram
durante muito tempo, que é o restabelecimento de uma relação hierárquica
entre o juiz presidente e os funcionários", explicou.
Salientando
ter ouvido críticas ao novo modelo, nomeadamente da parte do Ministério
Público, Noronha do Nascimento afirmou que "não passa na cabeça
de ninguém que seja um magistrado do Ministério Público (MP) a gerir
um tribunal".
"Em termos
dogmáticos, muita gente pergunta se o MP faz parte do tribunal. O juiz
faz. Agora o Ministério Público ninguém sabe e há quem diga que
sim e há quem diga que não", salientou.
Acrescentou
que, se o Ministério Público pode gerir os tribunais, então o presidente
do Supremo Tribunal de Justiça também pode gerir a Procuradoria-Geral
da República.
"O princípio
é o mesmo, agora virado ao contrário", afirmou o juiz conselheiro.
Noronha do
Nascimento discorda, também, que a gestão dos tribunais seja feita,
como diz que já ouviu alguém defender, por um administrador nomeado
por um Ministério.
"Então
vai ser um tribunal gerido por um administrador que não tem poderes
disciplinares nem sobre juízes nem sobre os funcionários?", questionou.
"Isto
é impensável", concluiu o presidente do Supremo Tribunal de Justiça
e, por inerência, também do Conselho Superior da Magistratura, órgão
do Estado ao qual compete nomear, colocar, transferir e promover os
juízes dos tribunais judiciais e a acção disciplinar.
Noronha do
Nascimento terminou hoje em Macau uma visita de três dias à Região
Administrativa Especial chinesa, onde abordou diversas questões como
a cooperação com as autoridades judiciárias locais.
A proposta
do novo mapa judiciário foi aprovada na generalidade pelo plenário
da Assembleia da República no dia 02 deste mês apenas com os votos
favoráveis da maioria socialista, tendo toda a oposição votado contra.
A proposta
de Lei de Organização e Funcionamento dos Tribunais Judiciais encontra-se
agora em discussão na especialidade na Comissão Parlamentar de Assuntos
Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias.
O ministro
da Justiça, Alberto Costa, já garantiu que o novo mapa judiciário
vai assegurar uma Justiça mais "pronta, especializada e de qualidade"
e que "não vão encerrar tribunais".
A proposta
de novo mapa judiciário prevê a conversão das 231 comarcas actualmente
existentes em 39 circunscrições ou tribunais regionais, divididos
por cinco distritos judiciais, devendo esta mudança iniciar-se em Setembro
com uma experiência-piloto em três das futuras circunscrições: Baixo
Vouga, Lisboa-Sintra e Alentejo Litoral.
O novo modelo
organizativo e de gestão dos tribunais, que deverá estender-se a todo
o país a partir de 2010, prevê um presidente do tribunal (magistrado
judicial) e um administrador do tribunal.
O administrador
do tribunal terá de ter vínculo à Função Pública e será nomeado
pelo juiz presidente, que, por sua vez, será nomeado pelo Conselho
Superior da Magistratura.
LUSA | 21.05.2008
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