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Mapa Judiciário só arranca em 2009 criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
18-Mar-2008
Ministro tenta travar críticas com mais juízos especializados e maior ligação ao CSM. Quanto à data de entrada em funcionamento o Governo já tinha prometido que o mapa só arrancaria em todo o país em 2010, apontando para Setembro o início de três experiências em teste (Alentejo-Litoral, Grande Lisboa Noroeste e Baixo Vouga). Afinal, estas só arrancam "no próximo ano judicial", admite o ministro da justiça ao JN, ou seja em 2009 - a nove meses das legislativas.

 

O ministro da Justiça apresenta hoje a versão final do novo mapa judiciário do país, com ligeiras modificações que pretendem aplacar as críticas que se têm feito ouvir no sector e entre os autarcas.Antes do mais, a prometida concentração das 231 comarcas existentes será ligeiramente menos violenta das 35 previstas no documento inicial, passam a ser 39. Cova da Beira, Trás-os-Montes, Beira Litoral e Serra da Estrela "ganham" estatuto no mapa final, ficando sem razões para mais queixas.

Depois, a data de entrada em funcionamento o Governo já tinha prometido que o mapa só arrancaria em todo o país em 2010, apontando para Setembro o início de três experiências em teste (Alentejo-Litoral, Grande Lisboa Noroeste e Baixo Vouga). Afinal, estas só arrancam "no próximo ano judicial", admite o ministro da justiça ao JN, ou seja em 2009 - a nove meses das legislativas.

Porém, entre as muitas críticas feitas durante a discussão pública do novo mapa judiciário, as mais duras eram dirigidas aos poderes dos que serão os primeiros presidentes dos tribunais de comarca. A Associação Sindical de Juízes, por exemplo, chegou a atirar contra a perda de independência dos magistrados, face ao poder que este novo juiz-presidente terá de redistribuir processos e até os próprios magistrados.

A resposta do ministro é simples a eleição deste magistrado será feita pelo Conselho Superior de Magistratura, e até parte das suas competências - como a reafectação de meios - tem que passar por este órgão.

Alberto Costa diz que é uma "prova de confiança" neste órgão, que - porém - tem estado sob polémica nas últimas semanas. É que o Governo e os partidos estão precisamente a discutir uma proposta de lei que, garantem os juízes, tira autonomia deliberativa ao CSM - fazendo com que os seus órgãos passem a ser constituídos maioritariamente por nomeação política.

"A composição do Conselho não foi alterada [já tendo uma maioria dos membros designados pela Assembleia, face aos magistrados]. Só o Conselho Permanente mudou, aproximando-se a sua estrutura da do CSM. É uma aproximação, nem sequer repõe um equilíbrio idêntico", defende o ministro, garantindo que a independência do órgão não está em causa - nem, portanto, das suas decisões.
Até quanto à reafectação de meios humanos entre juízos (que ficará precisamente nas mãos de cada juiz-presidente), o ministro desdramatiza. "Não estão previstos incentivos", afirma, explicando que a mobilidade dos magistrados terá que ser requerida, também, ao CSM. Quanto aos funcionários judiciais, admite que serão alvo de maior atenção.De resto, Alberto Costa vai sinalizando outras aberturas do Governo. Diz que o projecto que hoje apresenta garante "proximidade às populações", mais até "do que o estudo inicial"; e indica que não só não haverá fecho de tribunais, como "serão acrescentadas valências aos já existentes", em termos de especialização.
A batalha será, agora, no Parlamento. "Como seria a proposta do PSD?", pergunta Alberto Costa, num desafio ao partido que quebrou o pacto por causa deste mapa judiciário.

Como vai ser feita a reforma dos tribunais

Distrito Judicial do Norte
1. Minho-Lima
2. Cávado
3. Ave
4. Alto Tâmega
5. Alto Trás-os-Montes
6. Trás-os-Montes
7. Porto
8. Grande Porto – Norte
9. Grande Porto - Sul
10. Baixo Tâmega – Sul
11. Baixo Tâmega - Norte
12. Médio Douro
13. Entre Douro e Vouga
 
Distrito Judicial do Centro
14. Baixo Vouga
15. Dão-Lafões
16. Beira Interior Norte
17. Baixo Mondego Litoral
18. Baixo Mondego Interior
19. Serra da Estrela
20. Cova da Beira
21. Beira Interior Sul
22. Pinhal Litoral

Distrito Judicial de Lisboa e V. Tejo
23. Médio Tejo
24. Oeste
25. Lezíria do Tejo
26. Lisboa
27. Grande Lisboa - Oeste
28. Grande Lisboa - Noroeste
29. Grande Lisboa – Este
30. Península de Setúbal

Distrito Judicial do Alentejo
31. Alto Alentejo
32. Alentejo Central
33. Alentejo Litoral
34. Baixo Alentejo
Distrito Judicial do Algarve
35. Barlavento Algarvio
36. Sotavento Algarvio

Distrito Judicial dos Açores e da Madeira
37. Açores - Angra do Heroismo
38. Açores - Ponta Delgada
39. Madeira

Menos comarcas
Existirão cinco distritos judiciais - desenhados de acordo com as cinco regiões administrativas e fora as regiões autónomas - e 39 circunscrições de base resultantes da agregação das actuais 231 comarcas. Alentejo litoral, Grande Lisboa Noroeste e Baixo Vouga serão comarcas-piloto, a partir de 2009 e até 1 de Setembro de 2010. Findo este período experimental, "e tendo em conta a avaliação a efectuar, a reforma aplicar-se-á a todo o território nacional".

Novo conceito da circunscrição
A ideia do Governo é, esticando o território de pertença da comarca, permitir uma gestão conjunta de todos os serviços e instalações que fiquem dentro desta.

Presidente juiz há mais de 10 anos
O novo modelo de gestão assenta na criação da figura do presidente do tribunal - um juiz nomeado pelo Conselho Superior de Magistratura (CSM), entre juízes desembargadores ou juízes de Direito com mais de dez anos de carreira. Competir-lhe-á a representação e a direcção do tribunal, além da gestão processual, administrativa e funcional.

Administrador para a burocracia
O administrador do tribunal será nomeado pelo presidente, entre os sujeitos vinculados à Administração Pública designados pela Direcção Geral da Administração Judicial (DGAJ). As suas competências serão delegadas pelas entidades atrás referidas e também pelo Instituto de Gestão Financeira e de Infra-Estruturas da Justiça (IGFIJ).

Conselho de apoio e de consulta
O Conselho de Comarca integra o presidente do tribunal, o magistrado do Ministério Público coordenador, por representantes da Ordem dos Advogados, da Câmara dos Solicitadores, dos funcionários de justiça e dos municípios que pertencem à respectiva comarca. O administrador também nele terá assento, mas sem direito de voto. Tem funções consultivas e de apoio, tanto ao presidente como ao administrador do tribunal, aos quais o Governo se compromete a disponibilizar programas específicos de formação na área da gestão judicial.

Uma 1ª instância em cada comarca
O novo modelo de competências contempla a existência de um Tribunal Judicial de primeira instância em cada comarca. O Tribunal de Comarca desdobra-se depois em juízos de competência genérica ou especializada.

Complexidade define dimensão
Em função do volume ou da complexidade do serviço, os respectivos juízos cíveis e criminais serão divididos em três níveis de especialização de pequena, média e grande instância.

Competências especializadas
Deixará de existir a distinção formal entre tribunais de competência específica e tribunais de competência especializada, passando os juízos a ser designados pela segunda definição Juízos de Instrução Criminal, Família e Menores, Trabalho, Comércio, da propriedade Intelectual, Marítimos, de Execução de Penas, Execução, Juízos de Instância Cível e Juízos de Instância Criminal.

Gabinete de apoio aos magistrados
Será criado um gabinete de apoio aos magistrados composto "por especialistas com formação científica e experiência profissional, para assegurar consultadoria técnica aos magistrados".

Baixo Vouga líder em novos juízos
A comarca do Baixo Vouga contará já com 33 juízos, 13 dos quais de especialidade e cuja distribuição é a seguinte Ovar (2) Estarreja (3), Albergaria-a-Velha (2), Sever do Vouga (2), Aveiro (9), Águeda (4), Ílhavo (3), Vagos (2), Oliveira do Bairro (3) e Anadia (3).

Sines ganha juízo de trabalho
Na comarca da grande Lisboa Noroeste, Sintra contará com 11 juízos, Amadora com quatro e Mafra com dois. Santiago do Cacém - na comarca do Alentejo litoral - fica com quatro. Alcácer do Sal e Grândola com dois. Sines terá um novo juízo de família e menores e Odemira, um outro, de competência genérica.

Anadia já protesta
O presidente da Câmara Municipal de Anadia vai esta manhã à apresentação do novo mapa judiciário, com expectativa e muita preocupação.
Depois de conhecer a proposta do Governo de redução das 'competências’ do Tribunal de Anadia, actualmente de Comarca e competência genérica, que poderá passar apenas a um juízo de pequena e média instância cível e outro análogo criminal, o autarca diz que o secretário de Estado adjunto da Justiça, Conde Rodrigues, lhe garantiu que a aprovação, na última semana, do mapa não diz respeito ainda à distribuição de competências pelos vários tribunais da Circunscrição Baixo Vouga. "A proposta que esvazia o tribunal de Anadia hipoteca o seu desenvolvimento, disse ao JN Litério Marques.
O autarca social-democrata diz que não pode admitir a "desertificação institucional do concelho".

JORNAL DE NOTÍCIAS | 18.03.2008 

Comentarios (2)add
... : Um juiz novamente crente
Eu andava descrente mas agora creio. Quer dizer, já tenho a certeza da borrada que aí vem. Basta olhar para o que não fazem e fazem os presidentes dos TAF´s. Trabalhar, nicles batatóides, receber é à tripa forra. E daqui a uns anos alguém terá qwue vir dizer que afinal a nova reforma etc e tal...
18.Março.2008
... : Gata : http://gata
Tanta parra e pouca uva.
19.Março.2008
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