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Mapa judiciário com 39 circunscrições criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
13-Mar-2008
O novo mapa judiciário terá 39 circunscrições, e não as 35 previstas na versão inicial da reforma, revelou hoje à Lusa fonte governamental, que reafirmou a garantia dada pelo Ministério da Justiça de que "não encerrará qualquer tribunal". As futuras circunscrições ou tribunais regionais serão 39, ou seja, mais quatro do que o número previsto na proposta inicial de reforma do mapa judiciário, sendo mais duas no Norte do país e mais duas no Centro, adiantou a mesma fonte. 


O Conselho de Ministros aprovou quarta-feira a proposta de lei do novo mapa judiciário, para a qual o Governo espera ainda obter um "consenso alargado" no Parlamento, conforme disse o ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira. 

"O essencial daquilo que foi a proposta do Governo quanto à questão da implantação territorial da rede judiciária mantém-se nesta proposta", afirmou Pedro Silva Pereira, em conferência de imprensa, no final da reunião do Conselho de Ministros. 

Apesar de o "essencial" se manter na proposta, fonte governamental adiantou hoje à Agência Lusa que o Governo decidiu aumentar de 35 para 39 o número das futuras circunscrições. 

A proposta de novo mapa judiciário prevê, assim, a conversão das 230 comarcas actualmente existentes em 39 circunscrições ou tribunais regionais, devendo esta mudança iniciar-se em Setembro com uma experiência-piloto em três das futuras circunscrições: Baixo Vouga, Lisboa-Sintra e Alentejo Litoral. 

Pedro Silva Pereira disse, na conferência de imprensa de quarta-feira, que a apresentação em concreto da proposta será feita pelo ministro da Justiça, Alberto Costa, na próxima terça-feira, argumentando que se trata de um assunto com complexidade e que tem que ser apresentado pelo ministro da pasta. 

A mesma fonte governamental adiantou hoje à Lusa que o primeiro-ministro, José Sócrates, estará também presente no acto de apresentação pública da proposta de novo mapa judiciário. 

Na mesma linha de declarações anteriores dos responsáveis do Ministério da Justiça, Silva Pereira sublinhou que a solução consagrada no diploma "assegura a manutenção dos tribunais e dos juízos actualmente existentes" e garante "a proximidade no funcionamento da Justiça". 

A fonte governamental garantiu hoje, também, que "não encerrará qualquer tribunal" com o novo mapa judiciário, estando apenas previsto um novo modelo de competências dos tribunais e a reorganização dos serviços de Justiça. 

O bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto, considerou hoje "muito preocupantes" alguns aspectos do novo mapa judiciário, como o alegado encerramento de tribunais, por potenciar, no limite, um sentimento de "justiça pelas próprias mãos". 

"Deve haver um tribunal em cada sede de concelho. Um tribunal é um órgão de soberania. Tememos que se esteja a fazer com os tribunais o mesmo que se fez com encerramento dos centros de saúde", afirmou António Marinho Pinto no final de uma audiência com o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, em Lisboa. 

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, também criticou hoje a proposta de mapa judiciário aprovado quarta-feira pelo Governo, por se basear, em sua opinião, em critérios "economicistas e de concentração". 

A organização judiciária proposta pelo Governo assenta em "três eixos fundamentais", uma "nova matriz territorial, um novo modelo de competências e um novo modelo de gestão", como explicou Silva Pereira. 

Com esta reforma o Governo espera, entre outros objectivos, "reforçar a independência do poder judicial e a intervenção do Conselho Superior de Magistratura" através da "nomeação do juiz presidente" do tribunal. 

O novo modelo organizativo dos tribunais, que deverá estender-se a todo o país a partir de 2010, prevê um presidente do tribunal (magistrado judicial) e um administrador do tribunal. 

Segundo a fonte governamental explicou hoje à Lusa, o administrador do tribunal terá de ter vínculo à Função Pública e será nomeado pelo juiz presidente, que, por sua vez, será nomeado pelo Conselho Superior da Magistratura.

LUSA | 13.03.2008
Comentarios (4)add
... : VILA VERDE
Alguém conhce o novo texto do projecto onde se encontram as 39 circunscrições.
De certeza que não ficaremos ainda por aí. Já agora em que ponto estão as negociações de Santo Tirso e de Valongo?
E se todas as comarcas promovessem negociações com o governo ( melhor com os senhores secretários de estado), concerteza que aquelas trinta e nove passariam de novo para as 232 comarcas
14.Março.2008
... : ManuelOliveira-empreiteiro.
Para mim tudo bem, desde que venham mais edifícios para juntar os doutores todos...
15.Março.2008
... : sempre na mesma
Ja agora os edificios onde estãos as comarcas continuam a fazer parte do patrimonio do estado ou é para vender e encher os bolsos aos mesmos de sempre? Que tal um Hotel Vila Galé onde está o Hotel (perdão tribunal) de Sesimbra bem virado para o mar?
15.Março.2008
... : Alberto Ruço
A organização judiciária proposta pelo Governo assenta em "três eixos fundamentais", uma "nova matriz territorial, um novo modelo de competências e um novo modelo de gestão".

O que interessa à Justiça é resolver os problemas que os processos apresentam.
Se isto é verdade, como parece, então devíamos atacar este problema agora, ainda que só víssemos resultados dentro de uma dezena de anos ou mais.
Isto tem um contra: como não é imediato, na hora, não tem hipóteses.

Em que medida a nova matriz territorial resolve os problemas que os processos apresentam?
Se for para distribuir processos pelo juiz que já tem mais do que aqueles que pode resolver, nada feito.
Se estas grandes comarcas implicarem que o juiz resida a uma hora ou mais do local de trabalho (contando com as dificuldades do tráfego), aumentará o stress e o desgaste físico e mental.
Têm entrado por ano cerca de 800 000 processos, para cerca de 1500 juízes, tendo o ano 365 dias.

Como é que as novas competências resolvem os problemas que os processos apresentam?
Se for por via da especialização pode dar alguma ajuda, mas atrofiará mentalmente o juiz que deixará de ter uma visão global do sistema judiciário.

A gestão resolve os problemas que os processos apresentam?
Não resolve porque não lida com os problemas dos processos.
Se for para distribuir processos pelo juiz que já tem processos que lhe bastam nada resolverá, pois há limites físicos e humanos inultrapasáveis.

Se estas medidas não ajudam, de forma visível, a resolver os problemas dos processos, como parece, então, não é espectável que resolvam coisa alguma.

17.Março.2008
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