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Justiça sem técnicos criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
23-Fev-2007

Faltam especialistas nos tribunais para operar um simples sistema de videoconferência. As sessões são interrompidas e as testemunhas é que pagam. O problema afecta também o Ministério Público.

Os tribunais portugueses não têm técnicos especializados nas novas tecnologias informáticas, nomeadamente operadores de videoconferência, apurou o "T&Q" junto de fontes judiciais. O problema é tão grave que afecta mesmo os serviços da Procuradoria-Geral da República. Processos como a investigação a eventuais fraudes em várias autarquias, clubes e dirigentes desportivos - como o conhecido "Apito Dourado" -, bem como investigações às Forças Armadas e polícias, têm-se arrastado no tempo por falta de técnicos que analisem toda a documentação que tem sido apreendida na sequência de mandados judiciais.

"São milhares de documentos que têm de ser passados a pente fino. Com cerca de uma dezena de técnicos é humanamente impossível analisar em tempo útil toda a documentação que nos é fornecida pelas várias instituições policiais que existem no país", confessou fonte da Procuradoria-Geral da República, lembrando que até o processo de tráfico de armas, envolvendo agentes da PSP e espoletado no ano passado pela própria instituição, corre o risco de não ter acusação contra a maioria dos arguidos, por alegadamente não existirem ainda dados concretos das análises a toda a documentação que foi apreendida na altura.

Apito desfalca Ministério Público
O mais grave, é que tais prazos já se estão a esgotar e o Ministério Público prometeu, segundo uma notícia veiculada pelo semanário "O Expresso", que ela seria tornada pública ainda este mês.
O "Apito Dourado", como é conhecido o processo que envolve inúmeros dirigentes desportivos e árbitros de futebol, não veio ajudar o cenário. A constituição de uma equipa de magistrados e de polícias chefiados pela procuradora-geral adjunta Maria José Morgado terá, segundo fontes judiciais, desfalcado os meios colocados à disposição dos restantes departamentos da Procuradoria-Geral da República, nomeadamente do Departamento Central de Acção e Investigação Penal (DCIAP), que apenas tem oito técnicos para analisar milhares de documentos relacionados com investigações em curso a várias autarquias - como por exemplo à Câmara da Amadora, conforme o nosso jornal noticiou na passada semana - e a dirigentes e clubes desportivos.
A situação já é do conhecimento da Procuradoria-Geral da República, mas nada ainda foi decidido para colmatar as lacunas nos diversos departamentos de investigação e acção penal existentes no país.
"Com a falta de técnicos é impossível fazer milagres. Tratam-se de investigações muito complexas, porque têm a ver com corrupção, fugas fiscais, abuso de confiança e apropriação ilegítima de bens. São os denominados crimes de ‘colarinho branco', onde a descoberta de um documento pode fazer toda a diferença na investigação. Acresce que não são os magistrados que têm de fazer tal trabalho, mas sim pessoas especializadas, nomeadamente na área económica e financeira. Porém, é isso que está a acontecer", explicou outra fonte judicial.

Videoconferências são dor de cabeça
A actual legislação prevê que as testemunhas de processos judiciais possam prestar declarações através de videoconferência. Porém, os magistrados judiciais evitam recorrer a este sistema sempre que podem. É que não há técnicos nos tribunais para operar com o sistema e só a boa vontade de alguns funcionários tem permitido o recurso a tal expediente.
"Nos Estados Unidos há peritos informáticos ao serviço dos órgãos judiciais. Em Portugal é a ‘lei do desenrasca'. Se não fossem alguns secretários dos tribunais que percebem de informática, conhecimentos esses adquiridos à sua custa e sem qualquer comparticipação do Estado, a videoconferência ainda não tinha passado do papel", desabafou uma juíza colocada no Grande Porto.
A mesma magistrada concretizou: "As declarações recolhidas por videoconferência têm, muitas vezes, péssima qualidade de som e imagem, além de estarem frequentemente a cair as ligações, o que atrasa de forma considerável muitas das inquirições que têm de ser efectuadas tendo em vista o apuramento da verdade. Uma situação que seria certamente melhorada se o Ministério da Justiça adquirisse melhores meios, humanos e materiais, para os tribunais."

O "T&Q" tentou obter uma reacção do Ministério da justiça, mas, até ao final do dia de ontem, tais esforços revelaram-se infrutíferos.

TAL & QUAL | 23.02.2007

Comentarios (4)add
... : MM
Todos os intervenientes sofrem com a falta de meios! As testemunhas intervêm num processo ou num número limitado de processos. Que dirão os Magistrados, Advogados e funcionários?
Que dirão os mesmos operadores do facto de os julgamentos e outras diligências serem gravadas em K7 quase inaudíveis que depois terão que ser transcritas? E assim por aí fora...continuamos mesmo atrasados...

23.Fevereiro.2007
... : Kilas
A imprensa situacionista que temos, que dê uma voltinha pelos tribunais e que veja os tijolos, a que chamam computadores e os Eng. Informáticos que por lá pululam, recrutados de funcionários judiciais que sabiam o que queria dizer www; software, etc mas que de informática sabem quase tanto como eu de lagares de azeite... Mas porque criaram um programazeco informático ( ? ) que de nada serve, a que chamam Habilus, sentem-se empertigados como se fossem os donos do mundo e disponibilidade é palavra que não conhecem...
Palavras para quê? Vivemos em Marrocos de Cima!...

25.Fevereiro.2007
... : Ferreira
É verdade que não há técnicos. Os poucos que há vão estagiar para as Finanças. Vejam os que foram efectuar estágio de um ano (?????).- Requisição extraordinária. Apenas 102 .- Mas vai haver mais.- Tudo para as Finanças e nada para os Tribunais.-
25.Fevereiro.2007
... : xico
Não há técnicos, mas existem os seus lugares - vagos - no quadro dos tribunais!
Há anos!
26.Fevereiro.2007
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