 Os Julgados de Paz continuam a funcionar com poucos magistrados, sendo
que para os 16 "tribunais" alternativos espalhados pelo País existem
apenas 15 juízes de paz. A escassez de juízes e a maior demora na
resolução dos processos são mesmo as principais falhas apontadas no
relatório anual do Conselho de Acompanhamento dos Julgados de Paz
referente a 2006. Já no relatório anterior, a
falta de juízes era uma das falhas apontadas.
No relatório de 2006 (que abrange parte de 2007), refere-se ainda que o
tempo médio de resolução de um processo aumentou de 49 (em 2005/inícios
de 2006) para 56 dias.
O documento, elaborado anualmente, numa apreciação geral, é positivo,
mas aponta várias vezes para a necessidade de abertura de um concurso
para novos juízes de paz e funcionários. O Conselho de Acompanhamento
concluiu que o número de processos que entraram nos julgados subiu e
demoraram mais tempo a ser resolvidos. "Esta finalização teve um
aumento percentual superior à entrada, não obstante a carência de
juízes de paz que já o ano passado se notava, o que resulta no esforço
adicional por parte dos juízes e uma gestão adequada", refere o
relatório. O Julgado de Paz de Oliveira do Bairro é exemplo flagrante.
Dispõe apenas de uma juíza de paz - que serve também o 'tribunal' de
Santa Maria da Feira, "num constante vai e vem" - para despachar os
vários processos. O caso da Trofa também é apontado com dos mais
complicados, porque uma só juíza de paz tem 209 processos.
Apesar do relatório apontar para a intenção do Governo de abrir um
concurso para a selecção de 30 juízes de paz, que ainda não viu a luz
do dia, "a situação é muito difícil", obrigando a uma gestão, por parte
do Conselho de Acompanhamento, "bastante complicada". Contactado pelo
DN, o Ministério da Justiça garante que esse "concurso de recrutamento
e selecção de 30 juízes de paz está a decorrer e que este constitui
número suficiente e adequado para assegurar o desenvolvimento da rede
nos próximos tempos".
Mas esses juízes farão parte de uma reserva de recrutamento, "sendo
colocados nos julgados de paz já criados e a criar". O ministério
promete que, "até ao final do primeiro semestre de 2008", o concurso
está concluído e os juízes prontos a trabalhar.
Segundo o mesmo relatório, o problema de meios humanos escassos não se
coloca só ao nível da quantidade, mas também da "dispersão dos Julgados
de Paz e na circunstância de se substituírem uns aos outros, não sendo
possível designar outros juristas para, em circunstâncias excepcionais,
substituírem juízes de paz".
No final de 2007, o Ministro da Justiça apresentou o plano de
desenvolvimento da rede dos julgados de paz, com a criação de quatro
novos centros de resolução alternativa de litígios que vão começar a
funcionar em Setúbal, Odivelas, Mértola e no Julgado de Paz do
Agrupamento dos concelhos de Sátão, Vila Nova de Paiva, Penalva do
Castelo, Aguiar da Beira e Trancoso. Com a criação destes novos quatro
Julgados de Paz, o número de concelhos abrangidos passam de 32 para 43
e o universo de habitantes servidos aumenta de cerca de 2,3 milhões
para 2,75 milhões habitantes. Para o futuro, Alberto Costa prepara uma
rede que abarque 120 centros de Julgados de Paz, com três agregados nos
Açores e quatro na Madeira.
DIÁRIO DE NOTÍCIAS | 06.02.2008
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