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As instalações do TJSMF são inadmissíveis criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
26-Jun-2008
O coordenador do grupo de trabalho sobre a segurança nos tribunais, que em Abril enviou um relatório ao Ministério da Justiça, considerou hoje "inqualificáveis e inadmissíveis" as instalações provisórias do tribunal de Santa Maria da Feira.

O juiz Edgar Lopes, coordenador do grupo de trabalho em representação do Conselho Superior da Magistratura, disse à agência Lusa que as instalações provisórias do tribunal de Santa Maria da Feira, a funcionar no quartel dos Bombeiros, "são "inqualificáveis e inadmissíveis, com poucas condições de segurança e onde se registam temperaturas de quase 40 graus". 

A leitura de uma sentença de 18 arguidos condenados por tráfico de droga terminou na quarta-feira com agressões a dois magistrados, entre os quais o juiz-presidente, António Coelho, numa sessão que estava a decorrer no salão dos bombeiros locais. 

Os arguidos não tinham qualquer barreira a separá-los dos magistrados e estavam a poucos centímetros da assistência. 

"Todos os funcionários do tribunal - juízes, magistrados do Ministério Público e funcionários judiciais - têm feito um esforço para colaborar e aguentar a situação, mas os responsáveis pela segurança têm de ter mais cuidado do que o normal", afirmou Edgar Lopes. 

Falando na qualidade de coordenador do estudo sobre segurança nos tribunais, o juiz considerou que a situação ocorrida em Santa Maria da Feira "foi um incidente isolado". 

Contudo, apesar de ter sido uma situação anormal "os tribunais portugueses têm poucas condições de segurança, pouca presença das autoridades e falta de áreas de circulação delimitadas", frisou. 

"Havia uma situação de emergência no tribunal que tinha de ser resolvida, mas as instalações provisórias escolhidas são inqualificáveis", afirmou.  

O grupo de trabalho, constituído em Outubro de 2007, concluiu, num relatório enviado aos Ministérios da Administração Interna e da Justiça, que era necessário aumentar a visibilidade policial no interior dos tribunais e a ligação destes espaços às centrais de alarmes das forças de segurança são propostas do estudo destinado a melhorar a segurança nos tribunais. 

Para o grupo de trabalho, os tribunais "devem estar dotados de estruturas de segurança activa e passiva, para criar uma sensação de autoridade que desincentive a ocorrência de incidentes". 

Para o efeito, foi proposta a reactivação de "pelo menos a carreira de auxiliar de segurança", a par da "existência de segurança privada ou com a presença policial efectiva que garante o controlo de acessos ao interior e no interior dos tribunais". 

O grupo de trabalho foi coordenado por um representante do Conselho Superior da Magistratura e integrou representantes do Conselho Superior dos Tribunais Administrativos e Fiscais, Procuradoria-Geral da República, Gabinete Coordenador de Segurança, GNR, PSP e Direcção-Geral da Administração da Justiça. 

Esta iniciativa do Governo surgiu depois de juízes, funcionários judiciais e do Ministério Público exigirem mais segurança, nomeadamente mais policiamento e controlo de entradas nos tribunais. 

Antes da constituição deste grupo, a Associação Sindical dos Juízes Portugueses (ASJP) apresentou um relatório preliminar com base num inquérito sobre a organização, funcionalidade e segurança nos tribunais judiciais de primeira instância, que indicava algumas deficiências nesta área. 

O relatório referia que, apesar dos tribunais se situarem próximos da Polícia, não têm "qualquer sistema específico de segurança pública ou privada", "não estão equipados para detectar a entrada de armas, explosivos ou outros materiais perigosos" e "não têm sistema de alarme ou vídeo-vigilância contra intrusão eficazes", além de não registarem a "entrada de pessoas fora do horário de trabalho". 

O documento indicava ainda que os "tribunais não têm suficientes sistemas de detecção e extinção automática de incêndios, sobretudo nos arquivos de processos e documentação", apesar de existirem extintores.

LUSA | 26.08.2008

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