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Extinção de Tribunais (3) criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
23-Abr-2007

A Direcção Nacional da ASJP tomou posição sobre o projecto de extinção, em 1 de Setembro, de Varas e Juízos onde desempenham funções 47 juízes, a quem estão distribuídos 67.000 processos, tendo solicitado também uma reunião com carácter de urgência ao Ministro da Justiça.


COMUNICADO
Programa intercalar de medidas urgentes para a melhoria da resposta judicial

O Governo apresentou à ASJP um projecto de diploma legislativo que prevê, já para 1 de Setembro desde ano, a extinção de 7 varas cíveis, 1 vara criminal e 14 Juízos de tribunais de família e menores, de trabalho, cíveis, criminais e de pequena instância cível, onde exercem funções em lugares de quadro 47 juízes, e a criação de 1 tribunal de família e menores e 15 juízos de família e menores, trabalho, comércio, criminais, cíveis e de execução, com quadro previsto de 18 juízes, mas com instalação naquela data de 1 de Setembro de apenas 3 juízes, com lugar para três juízes.

Analisado o projecto de diploma, entende a Direcção Nacional da ASJP manifestar publicamente a seguinte posição:

1. A ASJP reconhece que a actual orgânica judiciária tem desfasamentos que não permitem optimizar racionalmente as distribuições de processos e a afectação de juízes e funcionários de justiça, com manifesto prejuízo para o cidadão, para a qualidade e para a eficiência do sistema de justiça;

2. Reconhece, também, a ASJP, que, face à natural demora do processo legislativo que poderá conduzir no futuro à anunciada alteração do mapa judiciário, é de toda a conveniência que se proceda à correcção intercalar dos desfasamentos considerados mais urgentes;

3. Nessa linha, conforme a ASJP tem vindo a anunciar, os juízes estão a desenvolver estudos próprios com a finalidade de intervir construtivamente no processo de reformas em curso, designadamente no que respeita à avaliação da produtividade nos tribunais, ao conhecimento das suas estruturas de organização, funcionamento e instalação e a um novo modelo de organização territorial e de administração e gestão;

4. Considera, no entanto, a ASJP, que as premissas em que o Governo elaborou esta proposta de medidas urgentes para a melhoria da resposta judicial não espelham a realidade dos tribunais, podendo inviabilizar, se não forem objecto de correcção, a pretendida introdução de factores de racionalidade no sistema, vindo a criar mais problemas para a melhoria da resposta judicial do que aqueles que se diz pretender resolver;

5. Desde logo porque a avaliação da carga de serviço nos tribunais a extinguir se baseou na leitura acrítica dos números estatísticos de entradas anuais de processos e não na análise cuidada das pendências reais e das especificidades desse serviço, o que aniquila qualquer critério racional de adequação;

6. Depois, se, como é verdade, o nível actual de resposta do sistema de justiça é insuficiente, não se percebe a razão para extinguir juízos e varas onde exercem funções 47 juízes e apenas criar tribunais e juízos com lugar para 18 juízes, tanto mais que no imediato apenas 3 serão instalados, provocando a situação atípica e completamente anómala de deixar dezenas de juízes sem tribunal para serem colocados, ao mesmo tempo que muitos tribunais reclamam reforço de juízes;

7. Não tem qualquer racionalidade introduzir alterações que vão, ao mesmo tempo, no referido contexto de congestionamento processual, deixar, a partir de 1 de Setembro, 44 juízes sem lugar de quadro, dezenas de tribunais onde se justificava a criação de lugares sem aumento de capacidade de resposta e mais de 67 000 processos que terão de ser redistribuídos, desperdiçando o conhecimento que os actuais juízes titulares têm do serviço pendente, desorganizando a capacidade instalada nos outros tribunais e obrigando a reagendar milhares de julgamentos que vão ficar sobrepostos por causa dessa redistribuição;

8. Por outro lado, a análise casuística e pontual que o Governo fez, não permite perceber minimamente os critério de escolha dos lugares a extinguir, pois se nuns tribunais abrangidos podem haver situações de subaproveitamento de quadros, noutros manifestamente não existe, e outros com volume de serviço muito idêntico ou mesmo inferior ficam fora destas medidas;

9. A ASJP considera que a melhoria, que se deseja e considera necessária, do nível de resposta judicial tem de basear-se nos seguintes princípios:

a. A decisão política de extinguir tribunais tem de ser racional e coerente, baseando-se na análise cuidadosa do número de processos efectivamente pendentes e nas suas especificidades próprias e não na leitura automática da estatística não coincidente com a realidade;

b. É preciso fazer uma avaliação precisa das necessidades mais prementes e das possibilidades de instalação física de novos tribunais ou juízos, para melhorar a capacidade de resposta de tribunais com historial conhecido de congestionamento de processos;

c. A extinção de tribunais ou juízos deve sempre ocorrer em simultâneo com a criação de outros em número equivalente;

d. É também fundamental que estas medidas sejam articuladas no tempo com os concursos anuais que movimentam os juízes entre tribunais e com o início efectivo de funções dos juízes acabados de recrutar, para uma melhor gestão dos recursos humanos;

e. Em qualquer caso, é essencial que se encontrem soluções transitórias que acautelem a tramitação adequada dos processos dos tribunais extintos e que não desorganizem a capacidade instalada nos tribunais para onde possam ser remetidos;

10. A ASJP tomou posição relativamente ao projecto de diploma que enviou ao Ministério da Justiça, analisando a situação de cada tribunal de forma mais detalhada, e declara-se inteiramente disponível para contribuir positivamente para a construção das melhores soluções e, com esse objectivo, solicitou ao Ministro da Justiça uma reunião urgente;

11. Considera a ASJP, finalmente, que a eventual desorganização do sistema que possa resultar da desconsideração das dificuldades apontadas no seu parecer, adquiridas pela experiência acumulada no trabalho diário nos tribunais, terá de ser assacada ao poder político-legislativo, responsável por tais medidas avulsas e intercalares.

VER AINDA:
doc Parecer aprovado na reunião da Direcção Nacional de 20.4.07 
(sítio da ASJP)

 

Comentarios (13)add
é favor consultar www.kafkajanaomoraki.blogspot.com e ler "Afinal a Justiça não anda assim tão atrasada".
Alguém tem de fazer barulho.

K
24.Abril.2007
... : Michelle from the resistence
E que tal extinguirem o país?
26.Abril.2007
... : Não há almoços grátis!
Não sei não... Hoje, ouvi o Sr. Costa, Ministro da Justiça, com aquele cândido a falar em boas práticas para evitar a corrupção! Pois então para quando, Sr. Costa, no interior do seu próprio partido, uma "limpeza" para acabar de vez com aquele contabilidade de merceeiro que são as contas dos partidos políticos?
26.Abril.2007
... : "O Mouro"
Como é evidente, os Srs. juízes de direito não vão ficar sem lugares, apenas têm que trabalhar mais. Quem tem dúvidas, "espreite as Varas Cíveis de Lisboa"...e comente. O cooperativismo, em excesso, não é salutífero. A Justiça é um bem comum e, como tal, tem que ser gerido com a eficiência e a eficácia possíveis. 28.Abr.2007. "O Mouro"
28.Abril.2007
... : BSM
A inconsequência desta decisão governamental é, um pequeno exemplo, das profundas alterações que se antevêm com a reforma do Mapa Judiciário. É este o momento para criar uma platafoma entre os diversos operadores judiciários que prepare propostas alternativas à "reforma" e denuncie os gravíssimos prejuízos que as medidas avulsas, entretanto aprovadas, vão causar aos cidadãos. A pacto para a justiça não é uma carta em branco para o governo. Se politicamente não há quem reaja, porque não sabe, não quer ou não pode, terão se ser os juizes, os advogados e os funcionários, unidos num propósito comum, a reagir, denunciando os erros e propondo alternativas às medidas já tomadas e à previsível "reforma" do mapa judiciário.
01.Maio.2007
... : Tony
O Sr. Mouro está muito enganado.
Os "Srs. juízes de direito" estão repletos de trabalho.
Trabalhar ainda mais ? Além das 50 horas semanais que o próprio Observatório da Justiça diz que é a média do trabalho de cada juiz ? Só se instalarem camas em cada tribunal e os juízes passarem a dormir as 6 horas que lhes restam do dia no próprio tribunal.
A escravatura acabou, Mouro.
Aliás, neste momento não me apanham a trabalhar mais do que aquilo para que sou pago. Percebe ? Quer trabalho extradordinário ? Seja pago segundo os mesmos critérios que qualquer outro cidadão.
02.Maio.2007
... : alex
O que de mais extraordinário aconteceu sobre a extinção de tribunais, veio ontem plasmado na imprensa diária! relatavam os jornais que os magistrados do Tribunal de Família e Menores do Porto tinham escrito uma carta ao "incrível" Dr. Rui Rio, Presidente da Câmara Municipal do Porto... Francamente, onde nós chegamos, os argumentos quando não são convincentes, agarra-se ao "que está mais à mão", mas eu acho que com aquela pendência daqueles tribunais não há Rui Rio que os salve! smilies/smiley.gif smilies/wink.gif smilies/angry.gif
03.Maio.2007
... : Armando
Deviam era extinguir a mouraria para alguns mouros deixarem de dizer disparates encomendados.
03.Maio.2007
... : JJED
Quanto ao Tribunal de Fámíla do Porto, primeiro que tudo há que lhe "dar" um edificio minimamente condigno, pois muita gente que por lá nunca tenha passado, não imagina as pessímas condições do "quase pré-fabricado" onde está instalado. Mas se fosse só este Tribunal, infelizmente penso não errar em dizer que a maioria dos edificios dos nossos Tribunais não têm condições suficientes para bem trabalhar e não dar cabo da saúde. E se fosse só nos Tribunais, e as Escolas, e alguns dos maiores hospitais, sectores que devem ser prioritarios em qualquer sociedade? Pois os "dinheiros" que vieram da UE parece que só deram para fazer umas auto-estradas para a Brisa ter os lucros que tem, ainda por cima com isenção total ou quase de pagamento de impostos até 2111, salvo erreo, por isso já pensam mudar a sua sede para outro país, quando lhe acabar a grande "mama", e o resto (dos dinheiros) foram parar a alguns bolsos, ao que sempre se disse à "boca cheia". Mas, por outro lado, só temos o que merecemos, pois não andamos (a maioria) à trinta anos a votar e a aplaudir os mesmos incompetentes? Criticamos, mas raramente saimos à Rua unidos para exigir o que sabemos que é o melhor. Lá dizia o génio: "Quanto ao Universo ser infinito ainda não tenho a certeza, mas quanto à estupidez humana isso tenho a certeza que é infinita".
03.Maio.2007
... : Marcolina
Não há um Afonso Henriques que venha por aí abaixo e que mande esses "mouros" de volta para Marrocos??? Seguramente que esse tal de mouro pouco percebe de Tribunais.

04.Maio.2007
... : Funionário de Justiça
Na verdade, muito se fale e pouco se acerta na "mourama"!
Mas, enfim! Só quem trabalha dentro dos tribunais perebe o esforço de todos os que têm que lidar om os processos todos os dias, tomar decisões e cumpri-las e fazer cumprir a lei.
Não podemos ter uma justiça de pacotilha, feita de números e de conveniências políticas. Não podemos ter uma valorização de números de processos resolvidos em vez de boas decisões. Não podemos tirar à justiça o seu papel na defesa dos valores e princípios como liberdade, igualdade e fraternidade.
Porque, sem o Estado de Direito, em vez de Juizes, coloariam no seu lugar tiranos....E depois, queria ver o que é que o Sr. Mouro diria se fosse julgado arbitrariamente, sem direito a defesa e sem a cobertura das leis que garantem o seu direito à presunção de inocência.
Enfim, o que realmente importa é mantermo-nos vigilantes e esperar que o bom senso impere nas reformas que aí vêem......
04.Maio.2007
... : Costas largas
No fim, quem se lixa, é sempre "Zé Oficial de Justiça" e o outro "Zé " "o Povinho".
05.Maio.2007
... : Alex
Nas Finanças, reduziram as garantias aos contribuintes, apertaram a malha aos infractores, implementaram medidas engenhosas como aquela em que se perguntava ao cointribuinte onde realizou a sua boda? No fundo, no fundo, uma evidência, no dia que colocaram uma pessoa que aplicou com rigor a gestão que há anos se pratica nas melhores e mais produtivas empresas portuguesas, os resultados evidenciaram uma progressiva melhoria visível no êxito ao combate ao défice sem necessidade de venda de património que é de todos nós. Nos tribunais é exactamente ao contrário, nada se faz sem que o juiz não tenha uma voz activa, o responsável máximo pela direcção geral que tutela os tribunais é, e sempre foi, um juiz, pergunto porquê? E para quê? O juiz deve fazer aquilo para que é treinado, decidir única e exclusivamente, deve deixar a gestão para aqueles que verdadeiramente a sabem executar e já agora uma outra coisa, os tribunais são "geridos", na sua grande maioria, por funcionários de carreira que vão subindo e que terminam a ascenção no lugar de secretários... Pergunto, que conhecimentos têm? Que preparação adquirem na sua formação? Que meios lhe são dados? Nenhuns, absolutamente nada, zero, limitam-se a justificar ou não as faltas dos funcionárioos e a passar cheques para pagar a água, luz, limpeza e pouco mais. De quem é a responsabilidade disto? Dos sucessivos governos que nada fazem para melhorar a situação, que pensam unicamente em reformas nos códigos, tão baratas e tão fáceis de fazer!!!
06.Maio.2007
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