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O Conselho Superior da Magistratura (CSM) mostrou-se hoje no Parlamento
disposto a "experimentar" o novo mapa judiciário, mas alertou para a
necessidade de haver dinheiro para pôr as reformas em prática.
Numa audição na Comissão Parlamentar de Assuntos Constitucionais,
Direitos, Liberdades e Garantias, o vice-presidente do CSM, Ferreira
Girão, afirmou que aquele órgão "está disposto a experimentar, a ver se
há uma maneira diferente e mais eficaz de atacar os problemas" da
Justiça em Portugal.
No entanto, alertou que "sem recursos orçamentais é impossível".
Referindo-se ao orçamento do próprio CSM, afirmou que a proposta de lei
do novo mapa judiciário estabelece que aquele órgão pague aos
funcionários que sejam destacados para os previstos gabinetes de apoio
aos magistrados, o que não será possível sem "um reforço orçamental que
já foi pedido e ainda não teve resposta".
Os representantes do CSM mostraram-se contra a extinção dos
Tribunais da Relação de Évora e de Coimbra, afirmando que se distinguem
pela produtividade e que o seu encerramento só iria sobrecarregar a
Relação de Lisboa, que já tem "dificuldades" em despachar processos.
O deputado socialista Ricardo Rodrigues afirmou partilhar das
dúvidas quanto à criação de uma "Super-Relação" em Lisboa, afirmando
que "não faz sentido que, se Évora e Coimbra funcionam bem, deixem de
funcionar bem e Lisboa fique ainda pior".
O CSM recomendou ainda que, pelo número de processos existentes,
sejam instalados juízos criminais em todas as 39 circunscrições ou
tribunais regionais a criar no âmbito do novo mapa judiciário.
A proposta do novo mapa judiciário, que se encontra em discussão na
especialidade, prevê substituir as 231 comarcas hoje existentes por 39
circunscrições ou tribunais regionais, divididos por cinco distritos
judiciais, assim como um novo modelo de gestão para os tribunais.
LUSA | 20.05.2008
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