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A promessa está lançada. Falta cumpri-la: Até ao final do ano, todos os juízes dos tribunais de primeira instância deverão poder trabalhar com processos "desmaterializados". Ou seja, consultar, despachar e decidir por computador, sem necessidade das resmas de papel em que a Justiça se atafulha hoje.
A experiência piloto com a aplicação informática Citius arrancou no início desta semana em 15 tribunais, envolvendo 127 magistrados, os primeiros a ter uma "assinatura digital". A iniciativa é esta manhã apresentada oficialmente pelo ministro da Justiça, em Lisboa, e deverá começar a alargar-se a outros magistrados judiciais a partir de "Junho/Julho". Faseadamente, o Citius estará ao serviço de mais de 1200 juízes em mais de 330 tribunais até ao fim deste ano.
A garantia foi avançada ao JN pelo secretário de Estado da Justiça, João Tiago Silveira, segundo o qual o investimento financeiro para esta modernização foi "irrelevante". "O desenvolvimento da aplicação foi feito por funcionários do Ministério da Justiça", faltando agora instalá-la em todos os tribunais de primeira instância, formar os magistrados para a sua utilização, criar um "helpdesk" e equipas de apoio no terreno capazes de satisfazer as dúvidas que forem surgindo e emitir "certificados digitais" para os juízes.
A vantagem? Antes de mais desburocratizar os processos, designadamente na parte da comunicação entre as secretarias judiciais e os magistrados. "É um primeiro passo", explica João Tiago Silveira. O seguinte será adaptar o Citius à comunicação entre advogados e tribunais. Para já, "permite que as secretarias enviem os processos aos juízes por via electrónica e este despache e assine electronicamente as sentenças", através de um "chip e de um smart card a inserir no computador".
Além disso, a modernização - inserida na "desmaterialização dos processos judiciais - oferece "melhores meios de gestão" aos magistrado. "Hoje não têm maneira de saber na hora quantos processos têm pendentes, por espécie, quantos estão distribuídos e quantos lhes vão cair nas mãos", diz o secretário de Estado da Justiça.
O Citius soma-se assim a um projecto experimental em curso no distrito judicial de Coimbra, como Tribunal da Relação local, para recursos desmaterializados.
JORNAL DE NOTÍCIAS | 11.05.2007
Assinatura digital certificada para juízes dispensa papel nos processos
Aplicação estará em todos os computadores da primeira instância até ao fim do ano
Possibilitar aos magistrados elaborar e proferir sentenças, acórdãos ou quaisquer tipos de despachos apenas por via electrónica e sem necessidade de assinaturas em papel. É este o objectivo de uma nova ferramenta informática "Citius - Magistrados judiciais", que hoje será formalmente apresentada pela equipa da justiça.
A aplicação já está no terreno há dez dias, a ser testada em 15 tribunais e por 127 magistrados e o Ministério de Alberto Costa pretende que, até ao final deste ano, esteja nos computadores de todos os magistrados judiciais da primeira instância cerca de 330 tribunais e à volta de 1.200 juízes. "Além de desburocratizar o sistema, este é também um instrumento e uma ferramenta de gestão", explica João Tiago Silveira, secretário de Estado da justiça. Na prática, os juízes passam a ter um certificado digital, com uma assinatura electrónica, que tem "exactamente o mesmo valor legal que as tradicionais assinaturas no papel".
A expectativa é que, desta forma, se consiga não só desburocratizar os processos judiciais, mas, também, torná-los mais expeditos - sendo tudo feito no ecrã dos computadores, evitam-se, por exemplo, as intermináveis e frequentemente demoradas circulações dos processos entre as secretarias dos tribunais e as secretárias dos magistrados, onde não raro se vão acumulando.
"Se necessário, podem ser impressas cópias em papel, naturalmente, mas isso deixa de ser obrigatório", sublinha João Tiago Silveira.
Ferramenta de gestão
A nova aplicação informática pretende ser também uma ferramenta de gestão para os próprios juízes, uma vez que permite fazer buscas por processos ou programar e agendar audiências ou qualquer tipo de diligências.
O "Citius - Magistrados judiciais" não fica disponível para os Tribunais Administrativos e Fiscais, onde há já uma aplicação informática em utilização. No futuro, o objectivo é aproximá-la da que agora está a ser instalada nos tribunais judiciais de primeira instância.
Para os superiores - Relação e Supremo - está a ser testada, no distrito judicial de Coimbra, uma ferramenta que permite a desmaterialização no envio de recursos, mas não terão ainda, por agora, a possibilidade de utilização desta certificação electrónica com assinatura digital.
O "Citius - Magistrados judiciais" foi elaborado pelo próprio Ministério da justiça, com "prata da casa" e custos mínimos, sublinha o secretário de Estado da justiça.
A informatização na justiça tem tido alguns percalços nos últimos anos. Recentemente foi o Tribunal Administrativo e Fiscal de Braga que se encontra quase completamente paralisado desde início de Abril devido a avaria no sistema informático. João Tiago Silveira reconhece a gravidade da situação, mas assegura que o problema deverá estar resolvido "muito provavelmente ainda esta semana".
DIÁRIO DE NEGÓCIOS | 11.05.2007
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