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Novas testemunhas para serem ouvidas - que podem chegar às "centenas" - foram pedidas ontem aos juízes do processo Casa Pia pela defesa dos arguidos. A juíza Ana Peres ainda vai decidir se aceita ou não estas novas diligências, sendo que dia 19 deste mês dará a conhecer a sua decisão.
Caso aceite, a decisão final do julgamento de alegados abusos sexuais a ex-alunos da Casa Pia poderá ficar, mais uma vez, adiada. Por quanto tempo? Esta ainda é uma resposta que permanece desconhecida, dependendo do número de novas testemunhas a ouvir. Fica a dúvida se os arguidos do processo mais longo da justiça portuguesa vão conhecer o acórdão ainda antes do Verão.
O advogado do apresentador Carlos Cruz, Ricardo Sá Fernandes, justificou o seu pedido de audição de "cerca de vinte testemunhas" depois de o tribunal ter comunicado alterações de factos que constam da acusação só no final do ano passado, sete anos depois da investigação ter sido iniciada, admitindo no entanto que o julgamento vai durar "mais algumas semanas ou meses".
Sá Fernandes afirmou que as testemunhas que arrolou são "pessoas que moraram ou trabalharam" no prédio da Avenida das Forças Armadas, em Lisboa, onde alegadamente ocorreram abusos sexuais. As defesas do médico Ferreira Diniz, do ex-provedor da Casa Pia Manuel Abrantes e do embaixador Jorge Ritto pediram a audição de centenas de testemunhas novas.
A semana passada, o Conselho Superior da Magistratura (CSM) escusou-se a dar seguimento ao pedido de Sá Fernandes de acelerar o processo, admitindo porém que este "é caso único na justiça portuguesa e que será alvo de análise e reflexão posterior".
Ontem, questionado pelo DN, fonte oficial do CSM admitiu que "quem tem de se pronunciar sobre este pedido da defesa dos arguidos é o tribunal e não o Conselho Superior da Magistratura".
FILIPA AMBRÓSIO DE SOUSA| DIÁRIO DE NOTÍCIAS | 09.02.2010
ARGUIDOS QUEREM OUVIR MAIS 300 TESTEMUNHAS
Os arguidos do processo Casa Pia, que dura há mais de cinco anos e já levou a tribunal mais de 900 testemunhas, requereram ontem a audição de, pelo menos, mais 300 pessoas.
Uma semana depois do Conselho Superior da Magistratura ter criticado a demora do julgamento, falando em "monstruosidade jurídica", na sequência de um incidente de aceleração processual interposto por Carlos Cruz, quatro dos sete arguidos pediram novas diligências de prova, entre as quais a audição de testemunhas.
O ex-apresentador apresentou uma lista de 30 pessoas, onde inclui o e ex-bastonário, Rogério Alves, alegando que este advogado teve escritório no n?dm; 111 da Avenida das Forças Armadas, em Lisboa, na década de 90. No entanto, segundo apurou o CM, o causídico deixou esse escritório em 1994, ou seja, quatro anos antes da data dos factos que são imputados a Cruz naquele local.
A Jorge Ritto cabe, porém, a lista mais extensa: 180 pessoas, sem contar com os moradores da Alameda e da Avenida da República, também em Lisboa, zonas onde se situam duas casas onde lhe são imputados abusos. Ferreira Diniz quer ouvir mais 100 pessoas e Manuel Abrantes cerca de duas dezenas. O médico e Carlos Cruz querem voltar a ouvir duas vítimas em tribunal. A juíza decide dia 19.
452 AUDIÊNCIAS
O julgamento de pedofilia da Casa Pia decorre desde 25 de Novembro de 2004 e já conta com 452 audiências. O processo tem mais de 64 mil folhas.
PRESCRIÇÃO EM 2016
A grande maioria dos crimes que estão em julgamento prescreve em 2016, o que reforça a possibilidade de o processo vir a prescrever em fase de recursos para os tribunais superiores.
ALTERAÇÕES DE FACTO
O tribunal comunicou 11 alterações de facto à acusação, sobretudo datas e locais dos crimes, razão pela qual os advogados pediram novas diligências de prova.
Ana Luísa Nascimento | CORREIO DA MANHÃ | 09.02.2010
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