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A presença majoritária e crescente de mulheres nos cursos de formação de futuros magistrados consolidou-se nos três últimos anos, alcançando a maior expressão de sempre no curso iniciado em Setembro de 2006, com 84 por cento, revela um estudo cujos principais resultados foram ontem apresentados no Centro de Estudos Judiciários (CEJ), Lisboa.
Quem são, de onde vêm, que percurso de vida percorreram os auditores de justiça até chegarem à escola de formação de magistrados? As respostas a estas questões foram procuradas numa investigação sóciográfica realizada pelo Gabinete de Estudos jurídico-Sociais do CEJ.
Os resultados principais revelam que são cada vez mais jovens, oriundas de grandes centros populacionais e ainda sem encargos familiares relevantes, as pessoas que decidem ingressar nas magistraturas.
O estudo mostra ainda que os candidatos se mostraram "precocemente atraídos pela magistratura", e apostaram em adquirir formação que os favorecesse na admissão ao CEJ, candidatam-se "logo que possuem os requisitos legais”.
Grande parte dos auditores ainda não se tinha decidido entre a magistratura judicial ou do Ministério Público quando iniciou a sua formação, o que reforça a ideia da necessidade de uma formação conjunta.
A investigação revela também que a média de idades dos auditores de justiça está a baixar, situando-se actualmente nos 26,6 anos. Esta descida de idade é mais sensível nos homens do que nas mulheres, verificando-se um peso crescente da faixa entre os 25 e os 29 anos. No último curso (XXV), que, no fim deste mês conclui o primeiro ciclo da formação inicial, nenhum candidato tinha idade superior a 40 anos.
O estudo indica ainda que cresce o número de auditores solteiros e, por isso, com menos encargos familiares e mais disponíveis para se dedicarem à sua formação específica.
Uma parte muito considerável dos candidatos ainda reside em casa dos pais, refere o mesmo estudo, adiantando que a sua quase maioria tomou a decisão de se candidatar ao Centro de Estudos judiciários ainda antes da licenciatura.
No curso iniciado em Setembro do ano passado, cerca de 19 por cento dos auditores de justiça indicaram ter magistrados na família, oito por cento referiram que, pelo menos, um dos progenitores era magistrado e 28 por cento afirmaram ter familiares que exerciam uma profissão forense.
PÚBLICO | 29.03.2007
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