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Campus Judicial no Parque das Nações criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
03-Jun-2008
Assinatura dos contratos para a instalação de serviços no Office Park Expo decorre hoje. Diversas profissões jurídicas são unânimes em realçar os benefícios da concentração de vários tribunais e serviços no Campus, da Justiça de Lisboa, que entrará em funcionamento em 2009, no Parque das Nações.

“É positivo que se pense numa junção global desses serviços”, considerando que traz “vantagens desde logo para os cidadãos e para os advogados, que têm de ir aos vários tribunais com regularidade”, disse, à Lusa, o presidente da Associação Sindical dos Juízes Portugueses (ASJP). A assinatura dos contratos para a futura instalação de tribunais e serviços no Office Park Expo realiza-se hoje. Para o novo Campus da justiça vão transferir-se tribunais, departamentos de investigação e acção penal, conservatórias, institutos, direcções-gerais e a Inspecção-Geral da justiça, num total de 25 serviços.
Para António Martins, com a criação do Campus da justiça de Lisboa, “esperam-se melhorias na operacionalidade e acessibilidade” às novas instalações.
Lamentou, contudo, que o “Tribunal da Boa-Hora, que tem séculos de história, é emblemático da memória dos tribunais portugueses e onde foram julgados grandes processos, possa ser aproveitado para um hotel de luxo”.
O desembargador António Martins, que foi juiz na Boa-Hora, onde apreciou casos mediáticos como o “processo Costa Freire”, defende que este tribunal criminal devia “ser recuperado” e transformado em “Museu judiciário”.
“Pela sua localização, pela sua história e por aquilo que simboliza no conjunto dos tribunais portugueses, a Boa-Hora merecia que o Estado assumisse a responsabilidade de o recuperar para um Museu judiciário”, realçou, acrescentando que seria bom “não perder a história da Boa-Hora”.
Por sua vez, o presidente do Sindicato dos Funcionários judiciais (SFJ), Fernando Jorge, disse ser “justo” reconhecer que a concentração de tribunais e serviços de justiça “traz vantagens para os cidadãos e para quem ali trabalha”. Porém, ressalvou que não conhece as instalações do Campus da justiça de Lisboa e “se foram delineadas para esse fim, com características próprias” de serviços de justiça.
“Há outros casos no país de aproveitamento e reconversão de instalações para serviços de justiça cujos resultados foram maus, por não possuírem tais características”, acrescentou.
Joaquim Barata Lopes, bastonário da Ordem dos Notários, declarou à Lusa que a lógica de concentrar tribunais e serviços num único sítio é “correcta”, por “facilitar a vida às pessoas”. O mesmo dirigente lembrou que os notários, como profissionais liberais que são actualmente, estão instalados onde bem entendem, mas como agentes de justiça que são não deixam de reconhecer que o objectivo do Campus da justiça é “positivo”.
Referiu ainda que, pelo menos, três cartórios notariais já estão instalados no Parque das Nações e que a instalação do Campus da Justiça na zona “pode atrair mais notários”.

Concentração na Expo representa poupança para o Estado

No dia 30 de Abril, no final do Conselho de Ministros que aprovou a instalação de serviços de Justiça no Office Park Expo, no Parque das Nações, o ministro da Justiça, Alberto Costa, garantiu então que o Campus da Justiça de Lisboa entrará em funcionamento em 2009 e representará uma poupança para o Estado, apesar do encargo anual em renda de 9,6 milhões de euros. Segundo Alberto Costa, serão instalados no Office Park Expo 25 serviços que se encontram actualmente “dispersos por vários locais, muitas vezes sem as condições necessárias”. Actualmente o Estado dispõe de 16 arrendamentos, que representam um custo de perto de sete milhões de euros por ano. 56 em matéria de custos energéticos haverá uma economia de 900 mil euros por mês. Com esta deslocação, cinco imóveis detidos pelo Estado ficarão disponíveis para alienação, que em condições normais poderão render cerca de 30 milhões de euros.

JORNAL DE NOTÍCIAS | 03.06.2008

Renda de 9,6 milhões de euros

Em declarações à TSF, o Secretário de Estado da Justiça explicou que, apesar do contrato prever uma renda de 9600 mil euros por ano, o Estado vai poupar cerca de 50 mil euros por mês com esta mudança.
«No conjunto das rendas que deixaremos de pagar no futuro, bem como das obras que deixaremos de realizar nos edifícios que já apresentavam degradação, e somando também os ganhos na conjugação de serviços», o Estado vai poupar, disse.
Conde Rodrigues adiantou que o Estado também vai economizar ao manter todos os serviços num só espaço, sobretudo na «circulação de documentos, em redes informáticas, em serviços de segurança e nas energias».
«Tudo isso resulta numa poupança entre a solução que temos hoje e aquela que vamos ter, com a inovação e com a melhor qualidade na zona da Expo», sublinhou.
O contrato tem a validade de 18 anos com opção de renovação, sendo que a partir do final do Verão e até 2009, todos os serviços espalhados pela cidade vão mudar-se para o novo Campus da Justiça.
O governante adiantou que a compra de um espaço para o Campus da Justiça não é solução para este tipo de contratos, porque tal suporia que o Governo estava a «diferir na prática um investimento que seria feito pelo orçamento de Estado»
Mesmo assim, adiantou, esse tipo de contrato poderia ir contra as regras contabilísticas visadas pelo Eurostat.

TSF | 03.06.2008 

Comentarios (15)add
... : Abraxas
Dizia ontem o Ministro quando o informavam de que estava a ver as futuras instalações do DIAP "Eh pá, eles vão gostar"...
04.Junho.2008
... : Baltasar
Porreiro, pá.
04.Junho.2008
... : manuel soares
Chamo a atenção dos leitores desta revista para o erro de concepção da distribuição de espaços prevista para o novo Campus da Justiça.
Tratam-se de vários edifícios inseridos no mesmo complexo com muitas partes comuns. Nuns funcionarão tribunais, noutros a DGAJ e o ITIJ, noutros serviços do notariado, do registo civi e do registo criminal. Ora, nesta configuração, parece-me errado misturar no mesmo espaço de administração comum, ainda que em edifícios separados, tribunais com serviços da administração pública do Ministério da Justiça (atenção que não estou a falar na gestão dos parques de estacionamento). Consideraria correcto, isso sim, o princípio de que na "cidade judiciária" só deve haver serviços judiciais. Esta mistura indesejável entre executivo e judicial só cria confusão desnecessária. Pelas mesmas razões há muitos anos os tribunais de polícia deixaram de funcionar nos mesmos edifícios das polícias.
Por outro lado, num dos edifícios funcionarão tribunais da ordem judicial comum (comércio) e tribunais da ordem administrativa (central administrativo sul e administrativo e fiscal de Lisboa). Também me parece que isso deveria ser evitado, uma vez que pode haver confusão de responsabilidades na gestão dos espaços e dos meios por juízes que reportam a órgãos diferentes (CSM e CSTAF).
Além de que nada disto joga com a filosofia que está na base da reforma do mapa judiciário.
Do meu ponto de vista, poderá ter havido pouca atenção da parte de quem tem responsabilidades na gestão do sistema judicial.
04.Junho.2008
... : Alice da Silva Teles
Pois eu acho que os malaundros debiam ir tipo para a coba da moura. Uma barraquita serbia-lhes. Os pribilegiados num conhecem a minha ribeira.
04.Junho.2008
... : liberdade
um milhão e "tal" de euros por mês ....! Eles vão gostar ....!
04.Junho.2008
... : Viva o Rei!
Espero se estejamos todos atentos ao que se vai gastar com este elefante branco (não estimativas mas gastos reais), de que forma vai ser gerido e por quem.
Convém também estar atento ao destino que vai ser dado ao equipamento que deixará de estar afecto ao MJ, já que o Estado costuma desbaratar edifícios.

Pergunta: o que é feito do projecto de criar uma nova sede para a PJ, onde ficariam centralizados todos os seus serviços?
04.Junho.2008
... : Dr Eurico
Manuel Soares, ponha-se a assocaição, sindical ou não, a trabalhar!
04.Junho.2008
... : Dr Eurico
Campus, Office Park Expo, isto promete. SSó eu em Bimiosso não tenho nada dissso.
04.Junho.2008
... : Mário Rama da Silva
Os problemas suscitados por Manuel Soares parecem inteiramente pertinentes.
Temo, no entanto, que a serem muito falados, o governo crie uma Campus da Justiça, SA que pode vir agravar os problemas mas dará uns lugarzinhos na administração. Pagam a renda, exploram o parqueamento automóvel e, quiçá, encarregam-se da manutenção dos edifícios.
05.Junho.2008
... : portolaw
E mais uma vez - e sem crítica aos lisboetas, que nenhuma culpa têm no cartório - lá se arranjou um comboio de notas para lisboa e se deixou o resto do país, com problemas bem mais graves, de mãos a abanar...
E com a Administração da Justiça bem pertinho dos Tribunais, não vão os Senhores Juízes e Procuradores pensar em proferir decisões inconvenientes...
Pelo andar da carruagem, qualquer dia lá teremos de voltar aos tempos da Pólis, das cidades-estado...
05.Junho.2008
... : também quero ser presidente
Mário Rama: se criarem o Campus SA espero que se lembrem de mim. Presidente do CA chega.
05.Junho.2008
... : Hi-Hi-no-Havai
Se o Estado poupa 50 mil euros por mês com a mudança está bem. E sempre vemos o rio. Agora, as misturas com o Ministério não são boas. Nunca foram. Atenção à bufaria.
05.Junho.2008
... : Barracuda
Cá por mim, enquanto pagante sem retorno digno de nota, para o Fisco estou a matutar cá numa coisa: um milhão de euros por mês para quem? Então aqueles símbolos da nossa idiotice não foram pagos pelo zé sujeito tributado? Que façam presente de um deles a uma empresa de casinos oferecido por boca não basta? Depois o senhor Ministro diz que vamos poupar 700.000 euros em despesas energéticas e eu tenho de acreditar e pagar o IRS mais outras taxas se mexer com as orelhas sem apertos de estômago? Para já não acredito e é bom de ver que eles não vão trabalhar às escuras, vão precisas de ar condicionado senão esturram-se e sabe-se que em muitos dos edifícios anteriores tal necessidade não era satisfeita. Por outro lado, sempre deve existir aquecimento central não sei a quê mas também isto faltava onde dantes se ocupavam. Nestas economias calculadas sobre os joelhos é melhor não acreditar. Nem sequer conseguem um concurso público com custos seguros no caderno de encargos, escorregam sempre em benefício dos mesmos, e vêm agora mandar números sem mesmo terem ocupado as novas instalações. Não entro na funcionalidade das novas instalações mas chamar-lhes campus parece-me piroso. Não estamos num complexo universitário mas sim e na maioria dos casos num plourinho para os que não sabem ou não podem escolher quem decida os seus conflitos. Acresce que o poder executivo está provavelmente a pensar em despovoar o resto do interior que ainda resiste e, dado aquilo a que chama desmaterialização do processado, encerrar o que ainda resta de "palácios da Justiça" mesmo que se trate de armazéns. Não sei mesmo que cabeça pensadora terá arquitectado a solução mas sei que quanto ao foro criminal não vai ser pêra doce encaminhar em segurança os detidos. Muita coisa pode acontecer em tão vasto complexo de escritórios. Mas que importa se o povo deixa.
05.Junho.2008
... : Mário Rama da Silva
Caro "também quero ser presidente"
Então e o cartãozinho? Tem?
E as quotas? Estão em ordem?
E as reuniões na sede? Tem aparecido por lá?
Bate efusivamente palmas no fim do marketing?
Creio que ficará querendo
06.Junho.2008
... : pardal
Olhem amigos do Norte e de qualquer outra parte do país, eu sou de Lisboa e sinto-me absolutamente roubada! Sim, o dinheiro que estes srs. resolveram pagar por mês para passar a trabalhar no sítio chique do momento, bem deveria ser canalizado para as situações de maior carência da actualidade e do futuro que se acerca muito rapidamente. Nem após os escandalos despesistas dos últmos tempos ganham vergonha e param com o avanço dos seus interesses pessoais? É com as "continhas" da energia e com os miseros 30M? que dizem ir ganhar com a venda dos terrenos que dizem tapar a despesa dos 1.728 milhões de euros que vão gastar de renda em 18 anos???? Mas a quem é que pensam que enganam? É é muito bom estar perto de casa, não é? É por estas e por outras tantas que o nosso orçamento vai sempre apresentar uns resultados de miséria, mesmo que o contribuinte pague, pague e volte a pagar! Continuem assim e vão ver o vosso melhor capital humano a rumar a outras paragens! Sim, investigadores, gestores, engenheiros, são cada vez mais os que preferem ir pagar impostos para os países vizinhos! QUE VERGONHA!
23.Julho.2008
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