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Diz o Ministério da Justiça que "a produtividade nos tribunais aumentou 57,3% durante os meses de Verão de 2006, contribuindo em parte para o crescimento de 14,3% no global do ano, acima dos 10% previstos pelo Ministério da Justiça". Mas as conclusões desse estudo, não são de leitura evidente... é que em muitos processos já concluídos nos anos anteriores só em 2006 foram extraídos verbetes estatísticos. ACTUALIZADO ÀS 12:30h
«Há processos concluídos há muito, mas que só em 2006 foram considerados como findos do ponto de vista estatístico. António Cluny, presidente Sindicato Magistrados do Ministério Público, garantiu, ao JN, que o Ministério da Justiça pressionou, no ano transacto, os tribunais no sentido de estes preencherem os verbetes estatísticos de processos concluídos em anos anteriores. O resultado foi o crescimento mais acentuado na estatística do número de processos findos.
António Martins , presidente da Associação Sindical dos Juízes, suscita dúvidas sobre alegadas alterações no conceito de "processo findo", mudança que poderá ter distorcido o balanço feito pelo Ministério. O JN não conseguiu esclarer essa dúvida junto do Ministério da Justiça. Tanto António Martins quanto António Cluny desvalorizam por completo o alegado efeito da redução das férias judiciais, embora o presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público prefira não comentar em concreto os números, alegando desconhecer as regras estatísticas utilizadas.
António Martins cita mesmo um estudo do Conselho Superior de Magistratura que desmonta o efeito benéfico das férias judiciais concentradas em Agosto. "Antigamente, era possível conciliar o descanso de todos com as férias judiciais. Agora, há sempre pessoas que trabalham em Agosto e, logo, precisam de gozar férias entre 15 e 31 de Julho ou entre 1 e 15 de Setembro. Nestes períodos, a produtividade diminui", afirma António Martins.
O próprio Ministério não explica o salto de 57,3% na produtividade dos tribunais, durante os meses de Verão, exclusivamente com a redução das férias . António Martins sublinha que se está a comparar o incomparável e António Cluny diz que o exercício mais correcto será feito entre 2006 e 2007. As 12 medidas para descongestionamento dos tribunais contribuíram para a conclusão "automática" de milhares de processos (?)».
JORNAL DE NOTÍCIAS | 26.02.2007
NÚMEROS DO MINISTRO ARTIFICIAIS
«O presidente da Associação Sindical dos Juízes não percebe como é possível comparar a produtividade dos tribunais nos meses de Verão de 2005 e 2006 perante diferentes regimes jurídicos de férias judiciais.
Em declarações à TSF, António Martins acusa o ministério liderado por Alberto Costa de «demagogia e populismo» ao «comparar aquilo que é incomparável».
«Em 2005, o período de 15 de Julho a 15 de Setembro era um período em que nos tribunais só se movimentavam os processos urgentes. Em 2006, de 15 a 31 de Julho e de 1 a 15 de Setembro, passaram a movimentar-se todos os processos», recordou.
António Martins, que considera que a mudança do regime de férias judiciais provocou um natural aumento dos processos findos nesses período, entende ainda que falta demonstrar como existiu um aumento na produtividade de 14 por cento no resto do ano.
«Daquilo que eu conheço dos números do Ministério, não está demonstrado que isso se deva à redução das férias judiciais», concluiu o responsável máximo da Associação Sindical dos Juízes.
O bastonário da Ordem dos Advogados vai ainda mais longe e diz mesmo que a alteração do regime das férias judiciais prejudicou o rendimento dos tribunais, rejeitando dessa forma que tenha havido um aumento de produtividade em cerca de 57 por cento, tal como vai anunciar o Governo esta segunda-feira.
Para Rogério Alves, isto «não significa que se havia períodos onde não havia ou havia poucos julgamentos e passou a haver o dobro ou o triplo, isso é plausível».
«Só por si não revela aumentos de produtividade. Revela, quanto muito, aumento de actividade num determinado período, mas que, por outro lado, se repercutiu em perdas de produtividade em outros períodos também», concluiu.
Já o presidente do Sindicato dos Funcionários Judiciais não acredita que todos os processos tenham entrado na contabilidade do ministério para a estatística que o Governo vai anunciar esta segunda-feira.
«Acho esta coisa dos números uma coisa perfeitamente absurda, até porque é possível com estes números manipular a realidade. Será que os processos executivos que saíram dos tribunais, mas que afinal continuam lá, estão contabilizadas? Se não estão, estamos a falar de cerca de 500 mil processos», explicou Fernando Jorge.
Este sindicalista recordou que nesta área das acções executivas é empregue um «esforço enorme entre funcionários e magistrados».
«São efectivamente meios dos tribunais que estão a ser postos ao dispor da acção executiva e se calhar a acção executiva não está a ser contabilizada nos processos pendentes nos tribunais», concluiu».
TSF | 26.02.2007 (12:30H)
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