|
O presidente
do Tribunal Constitucional, Moura Ramos, afirmou que a instituição
tem sido "vítima do seu sucesso", advertindo que o alargamento
de competências do tribunal não pode colocar em causa a sua função
central de controlo da constitucionalidade.
As palavras
de Moura Ramos foram proferidas na sessão solene de comemoração dos
25 anos do Tribunal Constitucional (TC), em que esteve presente o Presidente
da República, Cavaco Silva, e o primeiro-ministro, José Sócrates.
No Centro Cultural
de Belém, estiveram ainda na primeira fila da sessão solene o procurador-geral
da República, Pinto Monteiro, o ministro da Justiça, Alberto Costa,
o bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto, e os presidentes
do Supremo Tribunal de Justiça, Noronha Nascimento, e Tribunal de Contas,
Guilherme d' Oliveira Martins.
Num longo discurso,
Moura Ramos comparou o TC com as jurisdições que são "vítimas
do seu sucesso", na sequência de sucessivos processos de alargamento
de competências. "A complexidade
da tarefa interpretativa que assim é devolvida ao juiz constitucional
não pode pois ser menosprezada e, correspondendo aquela função de
legislador negativo em que ele se acha investido uma exigência da própria
cidadania, pode dizer-se que o sistema edificado constitui um adquirido
civilizacional cuja operatividade deverá ser preservada", acentuou. No entanto,
numa alusão ao aumento das responsabilidades e de recursos que chegam
a este tribunal, Moura Ramos deixou ao poder político algumas advertências,
falando na "consideração de mecanismos de filtragem que constituem
um dado central do funcionamento de outras instituições similares".
Segundo Moura
Ramos, o alargamento das competências do TC a novas áreas (como na
área do controlo da actividade dos partidos), "cuja dignidade
se não discute mas cuja pertinência ao núcleo central da actividade
se afigura menos necessária do que a competência relativa ao controlo
da constitucionalidade, não pode afectar a capacidade de o Tribunal
Constitucional exercer de forma plena esta última". Além deste
ponto, o presidente do TC referiu-se também à recente aprovação
em Lisboa do Tratado da União Europeia, passo que frisou nunca dever
traduzir-se numa redução ao nível das garantias dos cidadãos. Neste contexto,
Moura Ramos considerou então essencial "a preservação dos patamares
de tutela a nível nacional já logrados no que respeita à garantia
dos direitos fundamentais do cidadão".
Sem se referir
directamente a uma proposta que chegou a ser avançada pela liderança
do PSD, Luís Filipe Menezes, no sentido de se extinguir o TC, Moura
Ramos referiu que é "residual o número de Estados que, "optando
por um sistema concentrado no que ao controlo da constitucionalidade
respeita, o confiaram simplesmente à jurisdição comum".
PÚBLICO | 09.04.2008
VERA JARDIM E PRESIDENTE DA ASJP REJEITAM EXTINÇÃO DO TRIBUNAL CONSTITUCIONAL
O ex-ministro
da Justiça Vera Jardim rejeitou a extinção do Tribunal Constitucional
defendida pelo PSD, partido que pretende que as competências deste
tribunal passem para o Supremo Tribunal de Justiça.
O deputado
socialista explicou que o Tribunal Constitucional, que fez ontem 25 anos,
tem uma «função muito específica» e que por isso não faz sentido
acabar com este tribunal, uma ideia defendida desde que Luís Filipe
Menezes chegou à liderança dos sociais-democratas. «Diz-se por
vezes que o Tribunal Constitucional é um tribunal político. Isso pode
dizer-se no mau sentido, porque os juízes são escolhidos pelas suas
ideias políticas, pelos partidos e não só», lembrou o parlamentar,
em declarações à TSF. Contudo, Vera
Jardim recordou que esta afirmação também pode fazer-se no sentido
positivo, pois o «Tribunal Constitucional é um tribunal atento aos
valores que estão na Constituição».
O presidente
da Associação Sindical dos Juízes Portugueses lembrou que o «Tribunal
Constitucional tem funcionado como uma referência fundamental no primado
do Estado de Direito e na afirmação do Direito enquanto aspecto essencial
ao qual todos os poderes têm de se conformar». Apesar de ser
uma referência, António Martins considera que é necessário acabar
com as nomeações partidárias de juízes para este tribunal, uma vez
que esta não é a forma mais correcta nem é aquela que dá mais credibilidade. «Tudo o que
for para aperfeiçoar a forma de designação de juízes para lhes garantir
o estatuto de absoluta independência e de não estarem de alguma maneira
referenciados em função dos partidos políticos pelos quais são indicados
isso é positivo», acrescentou. No entanto,
o presidente desta associação entende que não existem pressões políticas
sobre os juízes do Tribunal Constitucional que tenham influência nas
decisões tomadas por esta instituição. «Agora, o
que é positivo para reforçar a credibilidade e a independência do
Tribunal Constitucional é esta ligação à nomeação dos juízes
para o Tribunal Constitucional às forças políticas representadas
no parlamento», concluiu.
TSF | 09.04.2008
Comentarios () |
|
|
|
|
|