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28-Jun-2007

A directora do Centro de Saúde de Vieira do Minho, Maria Celeste Cardoso, foi exonerada pelo ministro da Saúde por não ter retirado um cartaz das instalações do centro contendo declarações de Correia de Campos «em termos jocosos». O despacho de exoneração da licenciada Maria Celeste Vilela Fernandes Cardoso foi publicado quinta-feira em Diário da República, cuja cópia foi fornecida à agência Lusa por deputados socialistas que se manifestaram «incomodados com a situação».
O despacho do Diário da República pode ler-se o seguinte:«Pelo despacho (...) do Ministro da Saúde, de 05 de Janeiro, foi exonerada do cargo de directora do Centro de Saúde de Vieira do Minho a licenciada Maria Celeste Vilela Fernandes Cardoso, com efeitos à data do despacho, por não ter tomado medidas relativas à afixação, nas instalações daquele Centro de Saúde, de um cartaz que utilizava declarações do Ministro da Saúde em termos jocosos, procurando atingi-lo», refere-se.
Perante este caso, considera-se demonstrado a situação de Maria Celeste Cardoso «não reunir as condições para garantir a observação das orientações superiormente fixadas para a prossecução e implementação das políticas desenvolvidas pelo Ministério da Saúde».
IN PORTUGAL DIÁRIO | 28.06.2007

Comentarios (14)add
... : Eça de Queirós Alternativo
Salazar deixou escola.
E que escola !
29.Junho.2007
... : Mário Rama da Silva
Queres conhecer o vilão?...mete-lhe um pau na mão!
Mais um caso de mesquinha vingança pessoal. Nisso nada de novo.
A novidade está no despudor da fundamentação do despacho.
Ficamos a saber o que significa, para este ministro,a expressão "tratar da saúde".
29.Junho.2007
... : Xerxes
*
O ataque que se faz aos quadros da Administração advêm daqueles que quando havia o Estado Novo faziam o mesmo de... vermelho. Só que, prevendo, viram-se derrotados...e agora vestem a pele do democrata.
*
Se há vício mais velado na política é o da inveja.
*
Na política como na vida, há aqueles que não têm vergonha.
*
Limitar o pensamento comunicado é crasso. As sociedades são feixes de comunicações. O homem só o é como ser linguístico e capaz de comunicar. A gramática não é a preto e branco, há cores...alto, crítico, cínico, mordaz...imaginem comunicar sem altura, ironia, oposição...imaginem!
29.Junho.2007
... : Administrador In Verbis
Actualização da notícia
http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Politica/Interior.aspx?content_id=42429

«Em declarações à agência Lusa, Maria Celeste Cardoso classificou de «mentira» a versão dada hoje por Correia de Campos, em conferência de imprensa, para a sua exoneração, garantindo que mandou retirar a fotocópia de uma notícia com declarações do ministro logo que soube que estava colocada num placard do Centro de Saúde de Vieira do Minho.

«Uma funcionária contactou-me dizendo-me que estava uma pessoa no centro a reclamar no Livro Amarelo pela afixação da fotocópia, e eu, que desconhecia a sua existência, mandei-a retirar de imediato, o que foi feito», afirmou.

A ex-directora do centro de saúde afirma que o médico assume os factos, nomeadamente que colocou a fotocópia quando estava de serviço nocturno, frisando que «não se apercebeu do facto por ter sido num fim-de-semana».

«Há relatórios da funcionária e do médico que foram mandados à Sub-região de Saúde e que estão arquivados», acrescenta, desmentindo, assim, ter sido chamada duas vezes à Sub-região por causa do caso.

Assegura, ainda, que toda a gente, médicos e funcionários, sabe, no Centro de Saúde, como as coisas se passaram e o modo como procedeu quando soube da existência do cartaz.

Maria Celeste Cardoso rejeita, também, as acusações de «incapacidade» hoje feitas pelo ministro, garantindo que «nunca, em nenhuma reunião», das muitas que teve na Sub-Região de Saúde e na ARS/Norte, lhe foi feito «qualquer reparo ou sugestão, em termos negativos, sobre a sua gestão ou sobre a necessidade de cumprir alguma medida do Governo».

A ex-directora sublinha que além de uma licenciatura possui uma pós-graduação em gestão de recursos humanos, e rejeita a tese de que devia ser um médico a gerir a estrutura, sublinhando que a Direcção do Centro integrava uma médica.

Repudia, também, a acusação de Correia de Campos de que teria sido nomeada por razões político-partidárias, sublinhando que o director anterior do centro de saúde decidiu sair por iniciativa própria, e de forma pacífica, pelo que - e atendendo às suas competências e conhecimento do serviço - foi convidada pelo antigo director da Sub-região de Saúde, Carlos Moreira.

Celeste Cardoso garante que só comentou o caso «para repor a verdade», frisando que não teme represálias do Governo: «Tenho uma boa relação com o actual Director, em termos pessoais e de trabalho», disse.

A directora do Centro de Saúde de Vieira do Minho, Maria Celeste Cardoso, foi exonerada, em Janeiro, pelo ministro da Saúde, Correia de Campos, por não ter retirado de uma parede uma fotocópia de um artigo de jornal colocada por um médico nas instalações do centro.

O artigo de jornal - ampliado pelo médico - transcrevia declarações de Correia de Campos em que dizia que nunca tinha ido a um SAP (Serviço de Atendimento Permanente) e ao qual o clínico acrescentou a frase: «Façam como o ministro, não venham ao SAP».

O facto - alegadamente comunicado depois ao Governo por um militante do PS - foi alvo de um inquérito interno, no qual o clínico reconheceu a autoria da colocação da fotocópia e da frase.

O despacho de exoneração de Maria Celeste Vilela Fernandes Cardoso - que é funcionária administrativa do Centro - foi publicado quinta-feira em Diário da República, tendo uma cópia sido fornecida à agência Lusa por deputados socialistas que se manifestaram «incomodados com a situação».

No despacho do Diário da República pode ler-se o seguinte:

«Pelo despacho do Ministro da Saúde, de 05 de Janeiro, foi exonerada do cargo de directora do Centro de Saúde de Vieira do Minho a licenciada Maria Celeste Vilela Fernandes Cardoso, com efeitos à data do despacho, por não ter tomado medidas relativas à afixação, nas instalações daquele Centro de Saúde, de um cartaz que utilizava declarações do Ministro da Saúde em termos jocosos, procurando atingi-lo», refere-se.

Perante este caso, considera-se demonstrado a situação de Maria Celeste Cardoso «não reunir as condições para garantir a observação das orientações superiormente fixadas para a prossecução e implementação das políticas desenvolvidas pelo Ministério da Saúde».

Lusa/SOL»
29.Junho.2007
... : Helena
Sócrates o ditador

por António Barreto

«A saída de António Costa para a Câmara de Lisboa pode ser
interpretada de muitas maneiras. Mas, se as intenções podem ser
interessantes, os resultados é que contam.
Entre estes, está o facto de o candidato à autarquia se ter
afastado do governo e do partido, o que deixa Sócrates praticamente sozinho
à frente de um e de outro. Único senhor a bordo tem um mestre e uma
inspiração. Com Guterres, o primeiro-ministro aprendeu a ambição pessoal,
mas, contra ele, percebeu que a indecisão pode ser fatal.
A ponto de, com zelo, se exceder: prefere decidir mal, mas
rapidamente, do que adiar para estudar. Em Cavaco, colheu o desdém pelo seu
partido. Com os dois e com a sua própria intuição autoritária, compreendeu
que se pode governar sem políticos.
Onde estão os políticos socialistas? Aqueles que conhecemos,
cujas ideias pesaram alguma coisa e que são responsáveis pelo seu passado?
Uns saneados, outros afastados. Uns reformaram-se da política, outros foram
encostados. Uns foram promovidos ao céu, outros mudaram de profissão. Uns
foram viajar, outros ganhar dinheiro. Uns desapareceram sem deixar
vestígios, outros estão empregados nas empresas que dependem do Governo.
Manuel Alegre resiste, mas já não conta.
Medeiros Ferreira ensina e escreve. Jaime Gama preside sem
poderes.
João Cravinho emigrou. Jorge Coelho está a milhas de distância e vai
dizendo, sem convicção, que o socialismo ainda existe. António Vitorino,
eterno desejado, exerce a sua profissão.


Almeida Santos justifica tudo. Freitas do Amaral reformou-se.
Alberto Martins apagou-se. Mário Soares ocupa-se da globalização. Carlos
César limitou-se definitivamente aos Açores. João Soares espera. Helena
Roseta foi à sua vida independente. Os grandes autarcas do partido estão
reduzidos à insignificância. O Grupo Parlamentar parece um jardim-escola
sedado. Os sindicalistas quase não existem. O actual pensamento dos
socialistas resume-se a uma lengalenga pragmática, justificativa e
repetitiva sobre a inevitabilidade do governo e da luta contra o défice. O
ideário contemporâneo dos socialistas portugueses é mais silencioso do que a
meditação budista. Ainda por cima, Sócrates percebeu depressa que nunca o
sentimento público esteve, como hoje, tão adverso e tão farto da política e
dos políticos. Sem hesitar, apanhou a onda.


Desengane-se quem pensa que as gafes dos ministros incomodam
Sócrates. Não mais do que picadas de mosquito. As gafes entretêm a opinião,
mobilizam a imprensa, distraem a oposição e ocupam o Parlamento. Mas nada de
essencial está em causa. Os disparates de Manuel Pinho fazem rir toda a
gente. As tontarias e a prestidigitação estatística de Mário Lino são pura
diversão. E não se pense que a irrelevância da maior parte dos ministros,
que nada têm a dizer para além dos seus assuntos técnicos, perturba o
primeiro-ministro. É assim que ele os quer, como se fossem
directores-gerais. Só o problema da Universidade Independente e dos seus
diplomas o incomodou realmente. Mas tratava-se, politicamente, de questão
menor. Percebeu que as suas fragilidades podiam ser expostas e que nem tudo
estava sob controlo. Mas nada de semelhante se repetirá.
O estilo de Sócrates consolida-se. Autoritário. Crispado.
Despótico.
Irritado. Enervado.

Detesta ser contrariado. Não admite perguntas que não estavam
previstas. Pretende saber, sobre as pessoas, o que há para saber. Deseja ter
tudo quanto vive sob controlo.
Tem os seus sermões preparados todos os dias. Só ele faz
política, ajudado por uma máquina poderosa de recolha de informações, de
manipulação da imprensa, de propaganda e de encenação. O verdadeiro Sócrates
está presente nos novos bilhetes de identidade, nas tentativas de Augusto
Santos Silva de tutelar a imprensa livre, na teimosia descabelada de Mário
Lino, na concentração das polícias sob seu mando e no processo que o
Ministério da Educação abriu contra um funcionário que se exprimiu em
privado. O estilo de Sócrates está vivo, por inteiro, no ambiente que se
vive, feito já de medo e apreensão. A austeridade administrativa e
orçamental ameaça a tranquilidade de cidadãos que sentem que a sua liberdade
de expressão pode ser onerosa. A imprensa sabe o que tem de pagar para
aceder à informação.
As empresas conhecem as iras do Governo e fazem as contas ao que têm de
fazer para ter acesso aos fundos e às autorizações.
Sem partido que o incomode, sem ministros politicamente
competentes e sem oposição à altura, Sócrates trata de si. Rodeado de
adjuntos dispostos a tudo e com a benevolência de alguns interesses
económicos, Sócrates governa. Com uma maioria dócil, uma oposição
desorientada e um rol de secretários de Estado zelosos, ocupa
eficientemente, como nunca nas últimas décadas, a Administração Pública e os
cargos dirigentes do Estado. Nomeia e saneia a bel-prazer. Há quem diga que
o vamos ter durante mais uns anos. É possível. Mas não é boa notícia. É
sinal da impotência da oposição.
De incompetência da sociedade. De fraqueza das organizações. E da falta
de carinho dos portugueses pela liberdade.»
02.Julho.2007
... : Helena
Outros casos se manifestam, com tiques pidescos:

http://www.correiomanha.pt/noticia.asp?id=248632&idselect=9&idCanal=9&p=200

Uma nota interna sobre a recepção de correspondência na Sub-região de Saúde de Castelo Branco, dirigida pela coordenadora a ?todo o pessoal?, causou enorme mal-estar junto dos funcionários e de partidos da oposição, como o PSD. Os críticos consideram a nota ?uma vergonha? que ?ameaça a privacidade?.

Por isso, o líder distrital do PSD exige mesmo a ?demissão? da coordenadora daquele serviço do Ministério da Saúde e considera que este é mais um caso, que se junta ao de Fernando Charrua, suspenso da Direcção Regional de Educação do Norte e ao da directora do Centro de Saúde de Vieira do Minho, exonerada pelo ministro Correia Campos, acusando os serviços governamentais de ?autoritarismo?.

A circular interna informa ?todo o pessoal da sede? que a correspondência ?endereçada directamente a determinados funcionários ou ao cuidado dos mesmos será aberta na coordenação, desde que oriunda de qualquer serviço público ou outro (...)?.

Apesar da nota interna ter sido assinada pela coordenadora a 20 de Junho, só ontem é que Ana Maria Correia (conotada com o PS) percebeu que o documento ?tem um erro de linguagem?. Assim, nas palavras da própria: ?Onde se lê ?determinados funcionários? deveria ler-se ?funcionários em nome individual?.?

A coordenadora lamenta ?todo o alarido? e assevera ao CM: ?Só hoje [ontem] percebi o erro. Amanhã [hoje] vou rectificar a nota.?

Admitindo ser contra a recepção de correspondência particular nos serviços, Ana Correia defende que o objectivo da medida é ?corrigir falhas internas? na distribuição de correspondência.

?Havia correspondência oficial para a sub-região que não dava entrada nos serviços porque era dirigida a determinados funcionários. Depois, a instituição não dava seguimento aos documentos?, adiantou Ana Correia, exemplificando as novas regras: ?Se uma carta é dirigida ao funcionário, ele é chamado e abre-a. Quando é dirigida ao serviço, o coordenador dá entrada da carta. Se for do foro privado, o funcionário fica com a carta, sem ninguém a ler.?

O caso foi referido na última reunião da Assembleia Municipal de Castelo Branco, mas o presidente da autarquia, Joaquim Morão (PS), recusou intervir no que diz ser ?um assunto interno dos serviços do Ministério de Saúde?. Já Carlos Martinho, presidente do PSD local, entende que ?a nota interna e a forma como está escrita mostra que se acabaram todos os limites? e que está em causa a ?privacidade dos funcionários?.

O dirigente adianta ser ?mais um caso de um regime totalitário que o Governo quer no País? e promete ficar ?atento? e ?denunciar os casos de violação de correspondência quando dirigida aos funcionários?.

REACÇÕES DOS PARTIDOS POLÍTICOS

"TIPICO DO GOVERNO" Luís Marques Mendes, Presidente do PSD

?O Estado não é uma coutada nem propriedade privada do PS (...) Actuações deste género de intolerância, de saneamento e de perseguição política nem sequer eram habituais em governos do PS. (...) É típico deste Governo, que por falta de resultados tende a exercer o autoritarismo (...).?

"ENORME GRAVIDADE" João Almeida, Secretário-geral do CDS-PP

?Aguardamos por mais dados, principalmente depois de saber que no Governo há cobertura a certas atitudes na Administração Pública bastante limitativas das liberdades individuais. Se o caso for o que parece, todos sabemos que ler correspondência alheia é um crime de enorme gravidade.?

"É UM EXAGERO" João Semedo, Deputado do Bloco de Esquerda

?Se a tentativa é abrir correspondência pessoal, ou se é uma norma que se aplica a alguns funcionários, é um exagero. É mais uma manifestação de tique autoritário e controleiro que está a fazer escola na Administração Pública portuguesa e que é contrastante com um Estado democrático.?
02.Julho.2007
... : Jacinto
Ainda agora a procissão vai no adro. Isto não é nada. Outros casos se seguirão. Esperem para ver. E ele vai ganhar outra vez com maioria absoluta. Só não pensa assim quem não conhece o povo português, que aprecie governantes tipo Salazar, como é o caso do Sócrates.

03.Julho.2007
... : Gil
«Muito se tem falado da demissão da Directora do centro de saúde de Vieira do Minho, mas pelos vistos, não anda muito bem a saúde das nomeações na zona de Braga. Segundo o BE, o Director do Centro de Saúde local, José Manuel Carvalho, foi pressionado a demitir-se após ter denunciado irregularidades na gestão anterior da responsabilidade de militantes do Partido Socialista. «Como não se assustou com as pressões, acabou por ver a sua comissão de serviço não renovada e foi substituído por uma conhecida militante socialista (Maria Helena Albuquerque), cujo currículo está manchado por uma gestão desastrosa no centro de saúde da Póvoa do Lanhoso»
De notar que o ex-director tinha recebido um elogio à sua gestão da Inspecção Geral de Saúde, enquanto a agora nomeada tinha sido demitida pela mesma Inspecção Geral, por gestão danosa e diversas irregularidades, como seja ter mandado arrancar as folhas do livro de reclamações.
Numa altura em que o governo tanto fala de avaliação de competência para a progressão nas carreiras, este caso, não deixa de ser esclarecedor de como poderá vir a ser o futuro na Administração Pública.»

De http://wehavekaosinthegarden.blogspot.com/.
04.Julho.2007
... : Gil
«Um professor de Filosofia, diagnosticado com cancro na garganta, foi dado como apto para continuar a trabalhar avaliado por uma Junta Médica, em Abril de 2006. O docente, com mais de 30 anos de serviço, tinha ficado sem a laringe em sequência de tratamentos para a doença e falava com grande dificuldade, apenas através de um aparelho. Continuou a trabalhar até morrer.

Depois do caso da professora a quem foi recusada a aposentação e que veio a morrer com Leucemia, mais um caso em que a falta de bom senso, e do mínimo de humanidade, é notória. Que raio de país é este que tem leis e gente que permite estas situações. Não sei se existem por aí mais casos, mas é significativo que em tão pouco tempo tenham surgido dois casos e ambos com professores. Será que existem instruções especiais emanadas para as Juntas Médicas por algum ministério? Será que a Ministra considera que os professores têm o dever de trabalhar até morrerem? Eu não sei, se conseguiria viver com a minha consciência se tivesse alguma responsabilidade num governo ou numa Parlamento que aceitasse a existência de leis destas. Só o viver num país onde isso é possível já é difícil de suportar»

De http://wehavekaosinthegarden.blogspot.com/
04.Julho.2007
... : O Aprendiz de Jurista : http://aequo-animo.blogspot.com/
Quem disse que o 25 de Abril foi uma revolução do Povo em busca da liberdade?
Desenganem-se.
Foi a revolta de uns rapazes que estavam fartos de ir à guerra do ultramar. Só isso.
Depois, uns senhores que estavam fugidos do país, porque considerados subversores, voltaram. Viram nessa a grande oportunidade de democratizar, descolonizar e desenvolver o país.
Mas e o Povo? Em que parte desta historia entre esse tal de Povo?
Esse Povo que saiu à rua, apoiando os militares revoltosos, o que sabia de Liberdade, de Democracia?
Nada.
E continua hoje a nada saber. Pior ainda, não quer mesmo saber.
De um Povo que adora Fado, Fátima e Futebol? pouco mais se pode esperar.
Este Povo gosta de déspotas, tiranos, em suma, e até bem pior, gosta de ser governado por quem o (?).
Não foi por acaso ou, tão só, porque Salazar controlava a máquina e fazia batota que conseguiu o Poder durante 48 anos. O problema é bem mais complexo.
Ao português comum pouco importa se a casa do vizinho está a arder. Não é capaz de um raciocínio de lógica tão simples como este: a casa do vizinho está a arder e fica de parede meia com a minha, por tal, a minha também arde se eu ficar quieto, o melhor, então, é ajuda-lo a apagar o fogo.
Isso não. Isso é exigir demais para um português.
Desenganem-se meus amigos.
05.Julho.2007
... : Julio Roque
Misturando-se tudo num enorme caldeirão, manipulando-se alguns factos, dramatizando a coisa um bocadinho consegue-se um efeito razoável. Analizando friamente os factos que se conhecem (e não só aqueles que interessam para produzir um determinado efeito) o que temos: substituição de boys, pura e simples; quase todos os intervenientes são politicamente conotados: Prof. Fernando Charrua (PSD) ex-deputado versus Directora da DREN (PS); CS de Vieira do Minho - o médico na origem da celeuma, (PCP), Directora exonerada (PSD) bem como quem a nomeou, apesar de, face à lei, não ter condições legais para exercer o cargo, novo director (PS). Quem trabalha na administração pública (como eu) tem que perceber que não pode nem deve fazer do local de trabalho uma extensão da sua casa, afixando cartazes, símbolos religiosos, políticos, clubísticos e outros, nem decorá-lo tipo cabina de camião de longo curso. Os funcionários publicos serão respeitados na medida em que se derem ao respeito e o nosso local de trabalho não é o local para fazer oposição política, seja quem for que esteja no governo. Hà locais próprios e organizações mandatadas por nós para o efeito. Quem infringe as regras fica debaixo de alçada disciplinar, que raramente é exercida porque exercer a autoridade é próprio de ditadores, é melhor deixar a coisa em autogestão ... não chateamos ninguém nem ninguém nos chateia, é tudo malta porreira! Função Pública: dificil entrar e impossível sair!
05.Julho.2007
... : Mário Rama da Silva
A secretária de estado da Saúde já nos explicou que criticas ao governo só na casa de cada um ou, excepcionalmente, na esquina do café sem ferir susceptibilidades alheias - leia-se: sem bufos por perto. Tivesse Salazar sido tão claro e teria evitado dissabores a muita gente que não pensava assim incluindo alguns que hoje são vozes dissonantes do PS nesta matéria.
Porém, o conselho tem o seu mentor e os seus adeptos que, felizmente, são mais liberais e nos deixam fazer oposição através de "organizações mandatadas por nós para o efeito".
Quem não se quiser filiar fale em casa (local próprio para isso) mas cuide de ver se na família não há um "boy" ambicioso que o delate. Pelo caminho das coisas é possível que já exista um bom ficheiro que aposte no choque tecnológico e seja abastecido por e-mail.
Um conselho: quem não quiser problemas... cale-se. Se não conseguir estar calado fale bem do governo ou, se conseguir arranjar uma boa razão, fale muito bem. Isso pode fazê-lo no local de trabalho... oposição é que não.

06.Julho.2007
... : Julio Roque
Possivelmente por se falar de mais e fazer de menos é que os cidadãos têm a opinião que têm dos funcionarios publicos, classe a que orgulhosamente pertenço e para onde entrei hà mais de 20 anos, após concurso para estágio, estagio com aprovação final, concurso público e admissão provisória, com passagem a definitiva após um ano de trabalho que foi objecto de informação positiva. Não sei quantas carreiras na função pública são objecto de tanto escrutínio. No local onde trabalho nao vejo nem conheço ninguém que tenha medo ou evite dar a sua opinião. Concordamos ou discordamos de determinadas alterações e orientações, como sempre fizemos aliás, mas sem pôr em causa a legitimidade de quem as emite. Somos já bastante adultos e responsáveis, vivemos em democracia hà 33 anos, conhecemos razoavelmente os nossos direitos e já agora também os nossos deveres e, na parte que me toca, não tenho medo de fantasmas, muito menos destes que agora são agitados, só porque meia dúzia de patéticos figurantes resolveram dizer e fazer asneira.
27.Julho.2007
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