Luís Campos e Cunha, o primeiro ministro das Finanças de José Sócrates, em entrevista ao Diário de Notícias de hoje declarou:
«Se eu tivesse essa fórmula mágica, teria feito um negócio muito bom,
que era vender a ideia... O que os governos podem e devem fazer é
criarem as condições para o crescimento. Isso significa, logo à cabeça,
terem uma política orçamental sólida, que gere confiança no mercado,
que o Governo tenha práticas transparentes nos concursos públicos, nas
adjudicações, etc., que promova a justiça... Nos últimos indicadores para
a competitividade, Portugal subiu dois níveis. Voltámos ao nível de
2006, mas ainda estamos um bocadinho abaixo do que estávamos em 2005.
Falo, exactamente, do problema da morosidade da justiça. Há o
reconhecimento da grande independência dos tribunais face ao Governo, e
isso é muito importante, mas o funcionamento da justiça e dos tribunais
em particular é mau. É moroso. As leis, dizem-me os juristas, são
tecnicamente mal feitas, ou seja, são de interpretação sempre duvidosa.
Não são claras. Criam a incerteza jurídica, esta cria risco, e o risco
é avesso ao investimento. Por outro lado, as grandes ideias, como a do
TGV, nem sempre são propriamente as melhores. O TGV não é só um grande
investimento: todos os anos vai gerar prejuízo, como acontece em todo o
lado. Portanto, vai obrigar, todos os anos, o Estado a um financiamento
para o manter...»
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