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O Presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, voltou a criticar o
juiz português que está a prestar serviço nos Tribunais em Timor, por via das Nações Unidas e que acusou Ramos Horta de desrespeitar a Constituição, por este expressamente ter ordenado o não cumprimento de uma decisão judicial. Curiosamente, Ramos Horta que não mostrou qualquer respeito pelo Poder Judicial Timorense, «aconselhou» o juiz a «mostrar mais respeito»...
Em causa está uma ordem que o Presidente timorense terá dado às Forças
de Estabilização Internacionais (ISF) para não cumprirem uma decisão
judicial e cessarem as operações para prender o major Alfredo Reinado,
o ex-comandante da Polícia Militar, evadido da prisão de Díli desde
Agosto de 2006.
Tido como um dos rostos da crise de 2006,
Reinado é acusado de um crime de rebelião, oito crimes de homicídio de
forma consumada e dez crimes de homicídio de forma tentada.
Na
sequência dessa ordem, o juiz português Ivo Cruz assinou um despacho do
Tribunal de Díli, no qual afirma que "verifica-se uma manifesta
interferência no poder Judicial por parte de outro órgão de soberania
do Estado, ou seja, do senhor Presidente da República". O juiz defendeu
ainda no despacho que há "violação do princípio da separação de poderes
sempre que um órgão de soberania se atribua, fora dos casos em que a
Constituição expressamente o permite ou impõe, competência para o
exercício de funções que essencialmente são conferidas a outro e
diferente órgão".
Para o magistrado, "a decisão ilegal emanada
pelo senhor Presidente da República coloca em causa a independência do
poder judicial, contribuem para o não regular funcionamento das
instituições democráticas e comprometem a implementação de um Estado de
Direito e Democrático em Timor-Leste".
PÚBLICO | 16.11.2007
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