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O super-controleiro ou super-pide criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
13-Mai-2008
ImagePara o antigo director-nacional da PJ Marques Vidal, onde a instrumentalização das polícias se está a verificar é no cerco que o Governo e a Assembleia da República com maioria PS têm vindo a fazer à independência dos juízes e à autonomia do Ministério Público», acusa. Além disso tem dúvidas sobre as intenções de criar uma «”superpolícia” que também pode ser considerada um “super pide ” de um senhor secretário-geral de um mecanismo qualquer, que vai controlar toda a actividade policial, inclusive a actividade policial da investigação criminal, tendo acesso a informação de todos os processos.


O meu prazo chegou ao fim». Assim justificou Alípio Ribeiro a saída da Directoria Nacional da Polícia Judiciária (PJ). Para acalmar os ânimos internos na PJ, exaltados por falta de meios, perdas de operacionalidade e correspondentes perda de prestígio, o Governo decidiu substituir o magistrado do Ministério Público (MP), Alípio Ribeiro, na chefia da corporação por um homem da casa, Almeida Rodrigues, até agora responsável pela directoria de Coimbra - e que tomou posse na passada sexta-feira. A gota de água surgiu com uma entrevista do antigo director-nacional em que disse que a PJ não deveria ser mais tutelada pela Justiça mas sim pelo Ministério da Administração Interna (MAI) que é de facto «um ministério da Segurança» e criticou, por outro lado, a nova figura do secretário-geral da Segurança Interna (SGSI), dizendo que as suas competências ficaram «aquém» do necessário. O que tornou insustentável a sua permanência no cargo.
Marques Vidal, antigo director nacional da PJ, Carlos Anjos, presidente da Associação Sindical de Funcionários Judiciais (ASFIC) e Eurico Reis, juiz-desembargador, comentam as mudanças na Gomes Freire.

«Há uma instrumentalização da PJ por parte do poder político»
O antigo director-nacional da PJ Marques Vidal considera que a situação difícil por que passa a PJ deve-se ao excessivo controlo político. Ao contrário de Alípio Ribeiro, que recusa a tese da governamentalização da PJ, Marques Vidal defende existir «uma instrumentalização da polícia por parte do poder político e que pode ser agravada mediante as intenções do actual Governo».
«Onde a instrumentalização das polícias se está a verificar é no cerco que o Governo e a Assembleia da República com maioria PS têm vindo a fazer à independência dos juízes e à autonomia do Ministério Público», acusa. Além disso tem dúvidas sobre as intenções de criar uma «”superpolícia” que também pode ser considerada um “super pide ” de um senhor secretário-geral de um mecanismo qualquer, que vai controlar toda a actividade policial, inclusive a actividade policial da investigação criminal, tendo acesso a informação de todos os processos. Está na base de todos os problemas».
E vai mais longe: «é por esse meio que o Executivo se intrometa em funções que respeitam não só ao MP como à própria Judicatura e a atingir quer a autonomia do MP quer a independência dos juízes». «É dessa forma que o Executivo pretende governamentalizar as polícias porque é absolutamente incrível que num País democrático e num Estado de Direito haja um secretário-geral, equivalente a membro do Governo, que ao fim e ao cabo será o braço do Sr. Primeiro-Ministro, e que tenha acesso aquilo que é investigação criminal. Fica com um poder incrível. É um “super pide”ou um “super-controleiro “», insiste.
Quanto à substituição de Alípio Ribeiro na Gomes Freire, Marques Vidal vê estas mudanças como «o desenvolvimento de um Plano do Governo para pôr profissionais das próprias instituições a dirigi-las».
No que toca à unificação das forças de segurança, o antigo responsável da Judiciária defende que «as polícias civis em Portugal, com exclusão da GNR, devem ser unificadas numa só tutela e terem uma única cabeça dirigente: PSP e PJ». Nessa medida, justifica: «devia haver um ramo de segurança pública e um ramo de investigação criminal que é a maneira de acabar com as guerrilhas que existem entre as instituições policiais neste momento».
Marques Vidal teme ainda que «o Governo esteja afazer as coisas com segundas intenções, e que a unidade pretendida não deve prejudicara Polícia Judiciária», ou seja, «a investigação criminal tem que ser feita com base no corpo da PJ e não destruindo o seu corpo». «E a sensação que tenho é que o Executivo quer destruir o corpo da PJ para fazer uma outra polícia de investigação».

«Os problemas da PJ permanecem»
Carlos Anjos, presidente da ASFIC, diz que a substituição de Alípio Ribeiro não «nos apanhou completamente desprevenidos» e salienta que «os problemas da PJ permanecem». Apesar de o ministro Alberto Costa ter anunciado na tomada de posse de Almeida Rodrigues, que vão ser investidos 7,5 milhões na investigação criminal, Carlos Anjos lembra que os problemas em causa «não são de resolução que o director-nacional tenha capacidade para resolver, seja ele quem for». «A PJ tem problemas estruturais que passam pela questão dos meios, humanos e materiais e pela questão do malfadado horário de trabalho e do trabalho extraordinário», comenta, acrescentando que «ninguém consegue resultados, por isso é que eles têm vindo a decrescer de há oito anos para cá, com uma polícia que trabalha em horário de escritório».
«Não é a troca de director-nacional que resolve os problemas da PJ. Os Governos têm escolhido os caminhos contrários de há 10 anos para cá», lamenta, adiantando que «é radicalmente contra a unificação das polícias».
Quanto à figura do secretário-geral, Carlos Anjos sublinha que «pode haver o risco de governamentalização da investigação criminal porque a lei não é clara». «Se o secretário-geral não tiver nenhuma interferência nos processos-crime é uma coisa. Mas se tiver algum tipo de acesso à informação criminal, aí a situação muda claramente de figura», conclui.

A nomeação de um polícia de carreira para o topo da hierarquia da PJ criou para alguns sectores do sector algumas dúvidas. António Martins, presidente da Associação Sindical de Juízes Portugueses (ASJP), disse que se sentia mais tranquilo se o cargo fosse ocupado por um magistrado. Para o juiz-desembargador no Tribunal da Relação de Lisboa, Eurico Reis, «está fora de causa negar aos juízes o direito de emitir opiniões, favoráveis ou desfavoráveis, sobre os actos do Governo».
«Os juízes são cidadãos e, com a cautela exigível a titulares de um poder de soberania, gozam do direito à liberdade de expressão.
Todavia, emitir opiniões é muito diferente de exigir justificações - isso compete ao órgão fiscalizador que é a Assembleia da República. E á, no mínimo, muito deselegante e presunçoso dizer que os outros são menos independentes ou isentos -a virtude, quando existe, dá-se por ela», considera.
As afirmações do presidente da ASJP a propósito da nomeação do novo Director da PJ, foram, por isso, no seu entender, «infelizes e, pior do que isso, serviram às mil maravilhas aqueles que querem distrair a atenção da Comunidade do ponto fundamental do problema, a saber: como voltara ter uma PJ altamente qualificada e prestigiada que combata eficientemente a criminalidade violenta e organizada».
Eurico Reis frisa ainda que «depois do muito negativo consulado» do Procurador-Geral Adjunto Alípio Ribeiro - «que disse coisas inqualificáveis e prosseguiu uma estratégia que objectivamente enfraqueceu a PJ, sem que, muito curiosamente, a ASJP alguma vez o tivesse criticado -, muito há a fazer e dispersar energias com questões que, efectivamente, são de pormenor, é algo que prefiro nem adjectivar».
«Sem cair em perigosos desvios securitários, o que importa é garantir a liberdade e a segurança dos cidadãos. É nisso que temos que nos concentrar», aconselha.

O DIABO | 13.05.2008 

Comentarios (4)add
... : JUIZES.SEM.VOZ.PRÓPRIA
É tarde demais para os juizes.
Estes anos de subjugação dos Juizes ao super-MP nacional liquidaram o poder judicial.
Agora os juizes e a ASJP não têm voz autónoma e são confundidos com o MP, MP este de que o PS (que fez este MP) e o PSD não gostam. O PS desde a Casa Pia, o PSD desde muito antes!
13.Maio.2008
... : Hi-Hi-no-Havai
O problema não está no MP, senhores! Não lêm o que diz e bem Marques Vidal? O problema reside no poder político, mormente no Executivo, e também na AR.
13.Maio.2008
... : Hannibal Lecter
Ter um magistrado à frente de uma qualquer estrutura não é, por si só, garantia de nada, como é evidente. Depende da pessoa concreta, e o rótulo de magistrado só por si não garante a independência e isenção. A PJ pode ser mais bem gerida por um polícia do que por um juíz. A questão é outra: a arquitectura legal tem de, na medida do possível, salvaguardar a independência e a isenção de uma polícia de investigação com a importância da PJ. E é um adquirido que, abstraindo da pessoa concreta, é mais fácil a um governo mal intencionado pressionar um funcionário público do que um magistrado. Porquê ? Por causa daquela "coisinha" que este governo, por coincidência tentou destruir, e que é um estatuto profissional autónomo que garanta a todos os cidadãos que os seus juizes estão imunes a pressões políticas. Um funcionário público pode ser aliciado com promessas de promoções meteóricas, ou, ao invés, pode ser ameaçado com despromoções ou transferências. Com um juíz já isso é mais difícil. Com um juíz, a pressão política fica exclusivamente dependente do carácter "permeável" da pessoa em causa. É por isso, e só por isso, que a nomeação de um não magistrado para dirigir a PJ levanta suspeitas.
13.Maio.2008
... : N´dret-in-Afrika
É do Rei a lei, caríssimos!
*
Nada de buuuuu...uuu...lá vem o Casperzinho...ou Tarataleão...de um castelo escocês!
*
É óbvio que quem tem o poder exerce-o e exerce-o nas polícias também! O outro problema é o da ética da governação...que é censurado pelo voto.
Já agora, surjam candidatos e votemos para o super-policia...
Buuuu..uu..uuuuu....aí vem orwell...buuu uuu casper....where are you ? ou w´here aere ya?
13.Maio.2008
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