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O fiscalista Saldanha Sanches acusou
ontem a classe política de não ter vontade de resolver o problema do
branqueamento de capitais, quando existe mais de um milhão de processos
pendentes em Portugal. Uma das medidas fáceis nesta área seria, na sua
opinião, acabar com as notas de 500 euros, mas o Banco Central Europeu
(BCE), que é responsável por isso, não quer avançar nesse sentido.
Em Portugal, existem entre 900 mil e um
milhão de processos pendentes relacionados com o branqueamento de
capitais, o dobro de 2003, segundo dados do presidente da Associação
Sindical dos Juizes Portugueses (ASJP), António Martins.
O Parlamento português está a discutir um diploma sobre
branqueamento de capitais, o qual vai permitir transferir para a lei
nacional directivas comunitárias nesta área. No entanto, para António
Martins é preciso ir mais longe.
Para que o combate ao branqueamento de capitais seja mais eficaz é
necessário “um controlo por parte do Banco de Portugal dos circuitos
financeiros”, afirmou à Lusa a 20 de Fevereiro.
O assunto do combate ao branqueamento de capitais está na ordem do
dia e vai ser tema do debate promovido pela KPMG hoje, no Pestana
Palace, em Lisboa.
O seminário, em que será apresentado um estudo sobre a prevenção
do branqueamento de capitais e do financiamento ao terrorismo, conta
com um painel de convidados da banca, do sector segurador e da Policia
Judiciária. O Banco de Portugal e o Instituto de Seguros de Portugal
também vão estar presentes, numa manhã cuja sessão de encerramento
ficará a cargo do secretário de Estado adjunto e da Justiça, José Conde
Rodrigues.
DIÁRIO DE NOTÍCIAS | 28.02.2008
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