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A aplicação da lei dos vínculos e carreiras da função pública aos
juízes e magistrados do Ministério Público pode levar à quebra do Pacto
da justiça assinado entre PS e PSD.
Menezes pede que Cavaco vete vínculos da Função Pública e acena com tribunal: Luís Filipe Menezes ameaça romper com o Pacto da
Justiça, celebrado entre o PS e a anterior Direcção do PSD, caso o
Governo não recue na lei orgânica da Polícia Judiciária e no diploma
sobre carreiras, vínculos e remunerações na Função Pública, que
"interfere com os juízes".
No passado sábado, Menezes garantiu que "honrará os
pactos que já existem", porque o PSD tem "sentido de Estado". Ontem,
após uma reunião com o SMMP, o líder social-democrata já disse estar
disposto a questionar o Conselho Nacional do partido sobre a validade
do pacto. Isto porque acredita que o Governo está a "colocar em causa"
esse acordo com a lei orgânica da PJ e o diploma das carreiras da
Função Pública, apesar do ministro da Justiça, Alberto Costa, já ter
garantido que este último não abrange os magistrados.
"Tem de haver lealdade"
"Não podemos adulterar um
acordo que definiu regras gerais de funcionamento da Justiça através de
diplomas bem mais estruturantes e que vão colocar em causa o que foi
acordado", alega Menezes, que pede um veto presidencial ao diploma das
carreiras, que seguiu ontem para Belém. Caso seja promulgado, lembra
que o partido "tem instrumentos como a fiscalização sucessiva da
constitucionalidade".
Quanto à lei orgânica da PJ, o PSD contesta
que seja aprovada antes das leis de investigação criminal e de
segurança interna, pois remete para leis que ainda não foram alteradas,
vincou, ao JN, o vice-presidente da bancada Luís Montenegro. Uma ideia
reforçada por Paulo Rangel na audição parlamentar ao ministro da
Justiça, que considerou ser essa a nova táctica do Governo, "a táctica
do salame ou do gato escondido com o rabo de fora". E foi peremptório
"Tem de haver lealdade. Não estamos disponíveis para factos
consumados".
Menezes conta, assim, com o apoio da actual Direcção
parlamentar do PSD. Embora acredite que é possível "chegar a um
acordo", Santana Lopes concorda que "não faz sentido celebrar um pacto
e depois não participar nas leis que o executam". Já o seu antecessor,
Marques Guedes, o negociador do pacto que ao fim da tarde de ontem
ainda não tinha ouvido as palavras de Menezes, disse ao JN que "os
acordos assinados devem ser cumpridos, independentemente da mudança das
lideranças. Simétrica é a declaração do líder parlamentar do PS,
Alberto Martins, ao JN "Quem não cumpre os contratos que livremente
assina, não pode ser levado a sério".
"Pactos são para durar"
As ameaças de Menezes, ou
"alertas" (como referiu Montenegro), já foram contra-atacadas. "Os
pactos que se estabelecem no Parlamento, entre dois partidos, são para
durar. Foram feitos com a anterior Direcção do PSD, pelo que esperava
que a actual Direcção não os pusessem em causa. Os pactos são assinados
entre partidos, não entre líderes", apontou o primeiro-ministro, José
Sócrates. Considerando, assim, as declarações de Menezes "absolutamente
lamentáveis". Também o ministro da Justiça se afirmou "muito
surpreendido" com as declarações de Menezes até porque "até agora tudo
correu bem em prol da estabilidade necessária na área da Justiça".
Costa garante independência da magistratura
A audição parlamentar do ministro da Justiça no
âmbito da discussão na especialidade do Orçamento de Estado (OE) para
2008 acabou por ser dominada pela polémica em torno da lei dos vínculos
e carreiras da Função Pública e a questão de os magistrados serem ou
não funcionalizados por via dessa legislação. Afinal, a questão que
levou Menezes a questionar o pacto da Justiça.Alberto Costa, que já
anteriormente tinha manifestado reservas à lei da responsabilidade do
seu colega das Finanças, insistiu que sobre todas as leis prevalece a
norma constitucional de separação de poderes. Pelo que, garantiu, "essa
lei não terá qualquer efeito nas carreiras dos magistrados".
Confrontado pelo PSD e CDS-PP, sobre o que fará o Governo se o
presidente da República vetar o diploma, Alberto Costa nada adiantou.
JORNAL DE NOTÍCIAS | 16.11.2007
GOVERNO TEM BASE MAIORITÁRIA, REFERIU O MINISTRO DA JUSTIÇA
A aplicação da lei dos vínculos e carreiras da função pública aos
juízes e magistrados do Ministério Público pode levar à quebra do Pacto
da justiça assinado entre PS e PSD.
Ontem, o líder social-democrata,
Luís Filipe Menezes admitiu rever a validade do acordo, acusando os
socialistas de estarem a "colocar em causa" o que foi assinado entre os
dois partidos. José Sócrates respondeu na mesma moeda considerando
"absolutamente lamentável" a ameaça de Menezes. "Isso significa
turbulência e instabilidade e é nocivo para o país", conclui. Quem não
esteve com meias palavras foi o ministro da Justiça "O Governo tem base
majoritária". Um recado para Menezes, a lembrar que a maioria
socialista no Parlamento pode aprovar estas matérias com ou sem o
acordo do PSD. Ainda assim, Alberto Costa sublinhou é "importante que
todas as partes cumpram o acordo", até porque "a via consensual" foi a
opção do Executivo desde o início. Apesar deste pacto entre os dois
maiores partidos ter sido apadrinhado por Cavaco Silva, ontem
contactada pelo Diário Económico, a Presidência da República recusou
fazer qualquer comentário.
A equiparação de juízes e magistrados do
Ministério Público a funcionários públicos está a causar grande
polémica no sector e na oposição, que está totalmente contra a medida
do Governo. Montalvão Machado, deputado do PSD, lembrou que o acordo
está sempre "em constante ponderação" e que a questão dos juízes "é uma
ferida grande, que não atacando directa e imediatamente o Pacto, ataca
a estrutura e o enquadramento político-jurídico em que foi assinado".
Do
lado dos socialistas, Ricardo Rodrigues lamenta que "Menezes esteja tão
mal informado", uma vez que os vínculos e carreiras não fazem parte do
projecto do pacto, bem como a Lei de Segurança Interna e a Lei Orgânica
da PJ, referidas pelo líder do PSD. No entanto, o deputado está
confiante na "manutenção do acordo".
Com esta tomada de posição,
Menezes pode comprometer a assinatura de futuros B pactos com os
socialistas. Ricardo Rodrigues diz que esta posição em relação à
justiça coloca o PS "de pé atrás"
DIÁRIO ECONÓMICO | 16.11.2007
PACTO DE JUSTIÇA ABANA
O assunto foi também abordado na audição do ministro da justiça,
Alberto Costa, no Parlamento. Paulo Rangel, que tinha estado ao lado de
Menezes de manhã, insistiu na tese da "funcionalização dos juízes" e
acusou o Governo de remeter uns diplomas para outros, como "gato
escondido com o rabo de fora", referindo-se à lei orgânica da PJ, que
faz várias remissões para as leis de segurança interna e da
investigação criminal - o que levou Ricardo Rodrigues (PS) a acusar o
PSD de "procurar um pretexto para quebrar o pacto da justiça".
Já o
ministro da justiça desdramatizou a questão da "funcionalização dos
juízes", lembrando que do novo regime de vínculos da função pública
"não decorre quaisquer efeitos para os magistrados". "Quaisquer efeitos
apenas decorrerão de alterações aos respectivos estatutos, a realizar
depois de negociações e audições", garantiu. Para que não restassem
dúvidas, Alberto Costa afirmou mesmo: "Se existe algum aspecto
censurável [na lei dos vínculos e carreiras], terá de deixar de o ser,
porque não queremos para os magistrados nada que seja inconstitucional."
PÚBLICO | 16.11.2007
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