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18-Out-2007

Image O exemplo vem de cima. E, num país com uma taxa de litigância crescente, embora baixa para os padrões ocidentais, quem melhor do que o primeiro-ministro para contrariar o défice de processos em tribunal dos cidadãos portugueses? Segundo os números redondos, um em cada quatro portugueses já recorreu aos tribunais. Mas isso são estatísticas. A realidade do cidadão José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa é a inversa: um homem, quatro processos.

Referimo-nos aqui, apenas, aos casos em que o primeiro-ministro é queixoso, invariavelmente por difamação, mas o seu nome surge associado a outros processos, em aberto ou já concluídos, que marcaram a vida política recente: os casos Freeport e Universidade Independente. Em ambos, Sócrates não foi acusado, mas o seu nome atiçou o melindre das investigações. Talvez por isso, processar o primeiro-ministro também deixou de ser um campo virgem, na litigância nacional.

O célebre advogado José Maria Martins, defensor do bloguer António Balbino Caldeira, anunciou, publicamente, a intenção de acusar José Sócrates por difamação. E, já antes, tinha feito chegar à Procuradoria-Geral da República uma denúncia das alegadas irregularidades do processo académico do chefe do Governo, uma investigação que o Ministério Público arquivou, recentemente, por não descortinar indícios de ilícitos. Pelo contrário, o despacho de arquivamento concluiu que José Sócrates, enquanto aluno, sofreu danos causados pelas evidentes más práticas da Universidade.

HONRA, POLITICA E TRIBUNAIS
A política portuguesa manteve, até agora, uma regra tácita: os governantes abdicam do seu direito a uma defesa hipersensível do seu «bom nome», em prol da liberdade de informar. Muitas vezes, o conflito entre estas duas liberdades foi feroz, mas não havia, até hoje, memória de uma tensão tão evidente. Sócrates e a imprensa já dirimiram pleitos na Entidade Reguladora para a Comunicação Social, em variadíssimos direitos de resposta, e nos autos de inquérito.
E o estilo parece fazer escola. Dois investigadores criminais irrompem por um sindicato, na Covilhã, antes de uma visita de Sócrates; a directora-regional de Educação do Norte abre um processo a um funcionário por contar uma anedota sobre o PM; o governador civil de Braga pediu ao Ministério Público para investigar os manifestantes que, em Outubro de 2006, em Guimarães, proferiram «palavras insultuosas» dirigidas ao PM.
A lista é longa e conhecida. Alastrou, aliás, à defesa da honra de outros governantes (como Correia de Campos e Maria da Lurdes Rodrigues). Os sindicatos queixam-se. E espantam-se: «Nunca se viu nada assim», garantiu Adão Silva, ao Expresso, ele que é um dos 22 sindicalistas da CGTP que respondem, actualmente, por processos de desobediência qualificada. Em troca, alguns dirigentes da central sindical optam por pagar na mesma moeda. Mário Nogueira, secretário-geral da Fenprof, pretende acusar os polícias de «abuso de autoridade». Talvez o truque esteja no conselho daquele polícia da rábula do Gato Fedorento: «Vamos apagar! Não se fala em Sócrates...»

Casos e protagonistas

O ADVOGADO
Daniel Proença de Carvalho é o defensor do cidadão José Sócrates. O chairman da PT-Multimedia já defendeu causas célebres, como a da ex-ministra Leonor Beleza

OS PROCESSOS
Antes de chegar a São Bento, José Sócrates processou o jornal Público, por uma investigação do jornalista José António Cerejo, e a revista Focus. Já durante o seu mandato, interpôs ainda queixas-crime contra a VISÃO e o blogue Do Portugal Profundo

REVISÃO VISÃO | 18.10.2007 

Comentarios (5)add
... : descontente
Será que o "Sr. Engenheiro" vai recorrer aos Julgados de Paz, quando essa disposição entrar em vigor?
Ou será que vai dar uma ajudinha ao descongestionamento dos Tribunais, dando o exemplo que lhe incumbe, e desiste das queixas/pedidos?
Vamos lá a ver se o exemplo vem mesmo de cima...
19.Outubro.2007
... : Arcanjo-Lizão
Claro que vai ao Julgado de Paz...
22.Outubro.2007
E vai ter mediador...dispensando o advogado...PIMBA !!!!

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24.Outubro.2007
... : Mário Rama da Silva
Repararam no detalhe revelado no texto relativamente ao despacho de arquivamento do MP?
Não houve indícios de ilícito mas de evidente más práticas da universidade que causaram danos ao aluno Sócrates!!!
Ficamos a saber que, inequívocamente, da universidade são um indício de que a "licenciatura" de Sócrates foi obtida numa universidade de evidentes más práticas.
Ninguém terá dúvidas de que um único professor para 4 cadeiras de licenciatura universitária, no mesmo ano e para o mesmo aluno, é uma má prática, mesmo com o acrescento do inglês dado, repito dado, pelo reitor dessa mesma universidade.
Agora convencerem-me de que o aluno, ingénuo e inexperiente que, para obter um canudo, se transfere para essa universidade e aceita tais más práticas e, desse modo, obtem o grau foi prejudicado... essa não lembrava ao diabo.
Dar o pão a um pobre que, com a ânsia se engasga é, evidentemente, prejudicá-lo.
27.Outubro.2007
... : Sócrates
Estou efectivamente convencido que esse b[...] do josé sócrates cometeu mais crimes sózinho do que os verificados numa pequena vila de interior.
Estou á espera que ele seja afastado do poder para assistir á festa jornalistica onde irão proliferar as notícias dos crimes de que vai ser acusado.
28.Outubro.2007
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