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Ao contrário dos funcionários do Fisco,
para os quais o Ministério das Finanças decidiu criar um seguro que os
salvaguarde de queixas feitas pelos contribuintes, os magistrados não
vão contar com o apoio do Governo nos casos em que os utentes
daJusnça exijam ser ressarcidos por eventuais danos, assegurou ao
Jornal de Negócios uma fonte oficial do gabinete de Alberto Costa.
"Não faz parte dos propósitos deste
Ministério a criação de um seguro que permita cobrir a responsabilidade
civil extracontratual do Estado, nos casos que envolvam magistrados
judiciais e magistrados do Ministério Público", fez saber o ministro da
Justiça, quando questionado pelo Jornal de Negócios, sem, contudo,
adiantar as razões que justificam esta recusa.
Para o presidente da
Associação Sindical dos Juizes Portugueses (ASJP), António Marrins, a
iniciativa do Mimstério das Finanças "abre um precedente", razão pela
qual defende que todos os funcionários do Estado, e não apenas os do
Fisco, terão de beneficiar desta medida. Adianta ainda que esta decisão
apenas demonstra o "pouco peso político que o Ministério da Justiça tem
no Executivo,contrariamente ao que se passa com Teixeira dos Santos".
Em
todo o caso, o mesmo dirigente sustenta também que há neste processo
"uma enorme falta de coerência". Na sua opinião, o Estado, ao apoiar a
criação de um seguro, como acontece no caso da Direcção-Geral dos
Irnpostos,acaba por se demitir de assumir responsabilidades,e irá
penalizar ainda mais os contribuintes, ao contratar um seguro que os
próprios têm de pagar. "Este é o resultado de se legislar não com a
cabeça, mas com os pés", sustenta António Martins, para esclarecer
depois que os juízes nunca reivindicaram que o Ministério da justiça se
responsabilizasse pelo pagamento de qualquer seguro que salvaguarde a
actuação dos niagistrados judiciais. A própria ASJP decidiu avançar
com a criação de um seguro para os juízes, pago pela associação
sindical, processo que, de acordo com o presidente da instituição "está
na fase final de negociações".
António Cluny, presidente do
Sindicato dos Magistrados do Ministério Público (SMMP) assume uma
posição distinta. Aplaude a decisão do Ministério das Finanças e
sustenta que, agora, terá de haver idêntica resposta por parte da
tutela da Justiça relativamente aos magistrados. "É uma questão que
temos de analisar com cuidado e ponderação. Acreditamos que haverá por
parte do Ministério da Justiça a necessária abertura para dialogar com os
magistrados do Ministério Público",enfatizou Cluny.
STI aplaude mas duvida da celeridade do processo
Já na máquina fiscal, o ambiente émais
consensual. Helder Ferrei ra, presidente do Sindicato dos Trabalhadores
dos Impostos (STI), disse ao Jornal de Negócios que a decisão anteontem
sancionada pelo secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Carlos Lobo,
vai de encontro às preocupações manifestadas pelos trabalhadores.Contudo,
o sindicalista teme que o processo se arraste durante vários meses,
prolongando o tempo de desprotecção dos trabalhadores do Fisco face às
queixas que podem ser apresentadas pelos "escritórios de comentadores"
que todos os dias aparecem na comunicação social.
JORNAL DE NEGÓCIOS | 15.05.2008
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