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O novo mapa judiciário, que estava previsto no pacto para
a Justiça assinando pelo PS e PSD mas que acabou por não merecer o
acordo dos sociais-democratas, será discutido a 02 de Maio na Assembleia
da República. O agendamento
da discussão em plenário da proposta do Governo para o dia 02 de Março
foi decidida hoje em reunião da conferência de líderes no Parlamento.
A proposta
do Governo, aprovada em Conselho de Ministros a 12 de Março e apresentada
publicamente numa cerimónia no Pavilhão Atlântico no Parque das Nações
cerca de uma semana depois, prevê a existência de 39 circunscrições
ou tribunais regionais, repartidos por cinco distritos judiciais, em
substituição das actuais 231 comarcas.
Ainda de acordo
com o diploma entregue na Assembleia da República, haverá um tribunal
judicial de primeira instância em cada comarca, que poderá ser desdobrado
em juízos de competência genérica ou especializada.
Está ainda
previsto o desdobramento dos juízos cíveis e criminais em três níveis
de especialização - pequena, média e grande instância - e a criação
de juízos de competência mista "quando o volume ou a complexidade
do serviço o justifiquem".
A criação
de juízos de competência mista está dependente do volume processual.
Assim, na nova
reorganização judiciária, o território nacional passará a estar
dividido em 39 circunscrições, designadas por comarcas e em cada uma
delas existirá um tribunal, sendo estas agrupadas em cinco distritos
judiciais: Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo, Norte, Centro e Algarve.
A proposta
de lei do governo prevê igualmente que possam ser criados juízos de
competência especializada de instrução criminal, família e menores,
trabalho, comércio, propriedade intelectual, marítimo, execução
de penas, execução, juízos de instância cível e juízos de instância
criminal.
O novo mapa
judiciário entra em vigor no próximo ano judicial, que irá coincidir
com o ano civil, em três comarcas-piloto (Alentejo Litoral, Baixo-Vouga
e Grande Lisboa Noroeste), estando sujeito a um período experimental
até 31 de Agosto de 2010.
Esta reorganização
judiciária era uma das matérias que constava do acordo político-parlamentar
celebrado entre PS e PSD em Setembro de 2006, conhecido por Pacto da
Justiça, mas divergências levaram o Governo a avançar sem os sociais-democratas
nesta reforma.
Na cerimónia
de apresentação pública do documento, o primeiro-ministro garantiu
que o Governo "tudo fez honestamente" para que a reforma do
mapa judiciário fosse apoiada por ampla maioria política.
"Mas ninguém
nos pode pedir para que o Governo não faça o seu dever e para que
tudo se adie uma vez mais, porque isso não seria bom nem para a justiça
portuguesa nem para o país", disse o primeiro-ministro, numa alusão
crítica às dificuldades que o seu executivo enfrentou nas negociações
com o PSD para a reforma do mapa judiciário.
Na altura,
o porta-voz do PSD para as questões da Justiça, Amorim Pereira, considerou
que "o mapa judiciário é uma violação do que foi assinado"
com o PS, rejeitando que o Governo tenha tido qualquer iniciativa para
chegar a acordo com os sociais-democratas. "O primeiro-ministro
não fez esforço nenhum", assegurou.
LUSA | 08.04.2008
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