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Depois de ter prometido despolitizar as chefias da
Administração Pública, o Ministério das Finanças reconhece que não vai
alargar a lista dos dirigentes que ficarão imunes às mudanças de Governo.Entre os dirigentes da Administração Pública, apenas
os secretários-gerais e os inspectores-gerais terão independência do
poder político.
Ao contrário do anunciado em 2005, o Executivo de José
Sócrates decidiu que não vai alargar a lista dos responsáveis públicos
que devem manter-se no cargo mesmo que o Governo mude. Na prática, isso
significa que a maioria das chefias vai depender das alternâncias do
poder político, comprometendo-se um dos objectivos traçados pelo
Governo nos primeiros meses do seu mandato: a despolitização das
chefias.
Na alteração ao estatuto do pessoal dirigente
efectuada em Agosto de 2005 definia-se que, em regra, os chefes de topo
cessam automaticamente funções com a mudança do Governo, embora o novo
Executivo possa optar por mantê-los no cargo. Ao mesmo tempo criavam-se
excepções para os responsáveis máximos de secretarias-gerais, de
inspecções-gerais e de outros "serviços e organismos cujas atribuições
sejam predominantemente técnicas, desde que assim seja determinado no
respectivo diploma orgânico ou estatutário", que não cessam com a
mudança de Executivo.Porém, nas leis orgânicas recentemente
publicadas (na sequência do Programa de Reestruturação da Administração
Central - PRACE), os ministros não chegaram a definir os serviços que
têm funções de carácter exclusivamente técnico e que, por isso, deviam
ter chefias independentes dos ciclos eleitorais.
Confrontado com
este facto pelo Jornal de Negócios, o Ministério das Finanças deixou
claro que, além dos secretários. e inspectores-gerais "todos os outros
cargos cessam com a mudança de Governo", sem nunca se referir a outras
excepções que podem vir a ser consideradas.
Em Junho de 2005, na sua
primeira intervenção perante os deputados, João Figueiredo, secretário
de Estado da Administração Pública, realçava o "esforço" do diploma no
sentido de separar os cargos vinculados aos ciclos de vida
governamental dos restantes, com o objectivo de "criar uma dinâmica de
progressiva despolitização de muitos níveis da Administração Pública".
Mas se isso se conseguiu em parte, clarificando-se que a generalidade
dos cargos são de confiança política, as excepções acabaram por não ser
definidas posteriormente na sequenciado PRACE como se esperava
inicialmente.
Mas a solução encontrada
pelo diploma não é unânime. João Bilhim, especialista em função pública
e responsável por desenhar o PRACE, considera que o diploma encontrou
uma boa solução ao definir o afastamento imediato dos directores-gerais
e presidentes e ao permitir que os cargos técnicos se mantenham. Já
a ex-secretária de Estado da Administração Pública de Cavaco Silva
criticava recentemente (3° Congresso da Ordem dos Economistas) a actual
disciplina dos quadros dirigentes, por manterem uma forte ligação ao
poder. Isabel Côrte-Real, considerava que, mesmo no que diz respeito às
funções de apoio às políticas, deveria criar-se a função de
administrador público, profissionalizado. Para esta responsável, o
reforço dos poderes dos dirigentes, nomeadamente na gestão dos recursos
humanos, poderá ter efeitos perniciosos, uma vez que estes continuam a
ser nomeados por confiança política.
Lei abre a porta à despolitização...
A Lei 51/2005 deixa claro que a cessação da comissão
são de serviço pela mudança de Governo não se aplica aos dirigentes
intermédios (directores de serviço e chefes de divisão), nem aos
responsáveis pelas secretarias-gerais e inspecções ou organismos que
lhes estejam equiparados. Além destas duas situações, a Lei abre a
porta à definição de outros cargos que deveriam manter-se apesar das
mudanças de Governo. No nº 4 do artigo 25º diz-se que a cessação por
razões políticas "pode não ser aplicável aos cargos de direcção
superior em outros serviços e organismos cujas atribuições sejam
predominantemente técnicas, desde que assim seja determinado no
respectivo diploma orgânico ou estatutário".
…mas maioria dos chefes cai com Executivo
O diploma em vigor surgiu na sequência das polémicas
micas nomeações do Governo de gestão de Pedro Santana Lopes. Quando
tomou posse, o Executivo do PS optou por alterar a Lei dos dirigentes,
proibindo as nomeações de responsáveis de topo em períodos de gestão
corrente, fazendo depender a cessação das comissões de serviço das
mudanças de Governo e recuperando os concursos para o recrutamento dos
dirigentes intermédios (directores de serviço e chefes de divisão). Um
dos principais objectivos do diploma era clarificar os cargos de
confiança política e, distingui-los dos que deviam manter-se
independentes das alternâncias de Governo.
JORNAL DE NEGÓCIOS | 10.12.2007
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