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O Governo gastou 6,7
milhões de euros na contratação de serviços jurídicos externos entre
2005 e 2006. A média anual deste Executivo em despesas com este tipo de
serviços ascende aos 3,3 milhões de euros e vai exigir "medidas
adicionais de contenção", de acordo com um relatório do Governo a que o
Diário Económico teve acesso.
O
documento mostra ainda que, até agora, foi o ministro da Economia,
Manuel Pinho, quem mais recorreu a apoios jurídicos externos, tendo
gasto 1,2 milhões de euros desde que entrou em funções até ao ano de
2006. A Economia é logo seguida pela Defesa (1.2 milhões), que não
chega, no entanto, aos 2,1 milhões de euros que custaram ao Estado os
pareceres pedidos nos dois últimos anos de mandato de Paulo Portas.
O
relatório foi elaborado pelo Ministério da Presidência do Conselho de
Ministros, depois de uma decisão do Supremo Tribunal Administrativo
(STA) que veio obrigar o Executivo "a ceder os contratos celebrados com
advogados, quando solicitados pelos jornalistas". O acórdão veio dar
razão ao semanário "Sol" que se queixou ao Supremo Tribunal
Administrativo de ter sido impedido de aceder a informações sobre as
contratações externas do Estado para apoio jurídico.O Governo
acabou por alargar a organização dos elementos aos dois anos anteriores
à sua tomada de posse, 2003 e 2004, para ter uma base comparativa.
Assim,
em relação aos Executivos liderados por Durão Barroso e Santana Lopes,
o Governo de José Sócrates estima ter gasto menos 2,1 milhões de euros.
Entre os dois governos o Ministério que registou a maior redução foi o
da Defesa, com menos 944 mil euros gastos em contratações externas de
serviços jurídicos. Na comparação destaca-se também a repetição do
Ministério das Finanças no `toP3' das tutelas que mais gastam com
consultas jurídicas.
Mas a redução não é suficiente para evitar
medidas adicionais de controlo desta despesa. Aliás, nas próximas
semanas, o Governo vai avançar com propostas para "aperfeiçoar
procedimentos contratuais", estando mesmo em análise a possibilidade de
se proceder a concursos públicos limitados para a adjudicação deste
tipo de trabalhos a juristas. Isto em vez dos contratos directos que
têm sido norma até hoje. As medidas que o Governo se auto-recomenda no
relatório, vão ser concertadas entre os ministros da Presidência e da
justiça e também do bastonário da Ordem dos Advogados que tem pedido
maior transparência no recurso a pareceres de advogados por parte do
Estado. Para já, e de acordo com as conclusões do relatório, o Governo
já estabeleceu, este mês, a "cativação adicional de 20% nas dotações
iniciais" de estudos e pareceres constantes no orçamento de
funcionamento dos serviços integrados e dos serviços e fundos
autónomos. "Uma medida de grande alcance" na redução desta despesa, diz
o documento a que o Diário Económico teve acesso.
Supremo obriga Governo a divulgar contratos
O Governo está a revelar toda a informação sobre a
contratação de advogados. A decisão do Supremo Tribunal Administrativo,
conhecida em Fevereiro, deu razão a uma acção interposta pelo "Sol"
contra o Governo, depois de lhe ter sido recusada, por várias vezes, a
divulgação desses dados. A decisão do STA, entendeu que "a regra deve
ser a Informação e não o segredo", assim todos os ministros ficam
obrigados a ceder os contratos celebrados com advogados, quando
solicitados pelos jornalistas. Antes de chegar aos tribunais a Comissão
de Acesso a Documentos Administrativos reconheceu o direito de os
jornalistas acederem à informação. Mas o parecer foi ignorado. Os
tribunais administrativos, entenderam que "o apuramento da existência
de tais contratos pertence ao jornalismo de investigação e não aos
departamentos de Estado. Mas em última instância, os juízes do Supremo
entenderam que o comportamento do Governo é "inaceitável".
O processo
- Os tribunais administrativos entenderam que o
apuramento dos "contratos pertence ao jornalismo de investigação e não
ao Estado".
- O Supremo Tribunal Administrativo deu razão aos
jornalistas, considerando que a "lei obriga a facultar o acesso à sua
documentação"
DIÁRIO ECONÓMICO | 23.04.2008
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