header image
Início seta Sistema Político seta Funcionalização: Recuo do PS
Funcionalização: Recuo do PS criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
21-Nov-2007

O Partido Socialista vai apresentar uma proposta de alteração ao Orçamento do Estado que retira, em 2008, os juízes e magistrados do Ministério Público do regime de progressão de carreiras da Função Pública. Um ponto polémico que tem sido contestado nas últimas semanas pela oposição e pelos juízes que acusam o Governo de "funcionalizar" o poder judicial ao integrar as suas progressões na carreira no regime geral da função pública Regime esse que é directamente tutelado pelo poder político sendo que até agora, a avaliação e progressão dos juízes era gerida pelo Conselho Superior da Magistratura (um órgão independente do poder político). Em declarações ao Diário Económico, o deputado socialista Ricardo Rodrigues garantiu que o que o PS pretende "é esclarecer, em todas as circunstâncias, que não está atacar a independência dos juízes". O coordenador para a área da justiça da bancada socialista revelou que "o Orçamento do Estado será um bom momento para o fazer".

O artigo 15.° do Orçamento estabelece que a progressão nas carreiras, no próximo ano, "opera-se segundo as regras fixadas na lei que define e regula os novos regimes de vínculos, de carreiras e de remunerações dos trabalhadores que exercem funções públicas". Este regime, que hoje mesmo deverá chegar às mãos do Presidente da República, integra os juízes - a quem a Constituição confere total independência do poder executivo (Governo) e legislativo (Parlamento). Com esta alteração, a polémica em tomo da funcionalização dos juízes pode ser, apenas, adiada durante um ano. A inclusão dos magistrados nas regras que ditam a progressão de carreiras em 2008 será retirada do Orçamento do Estado do próximo ano mas continua a estar prevista no novo sistemas de vínculos, carreiras e remunerações. Um diploma que foi aprovado no Parlamento, apenas, com os votos favoráveis do PS e que hoje mesmo será enviado para o Presidente da República. Cavaco Silva terá que tomar uma de três decisões: ou veta politicamente o diploma devolvendo-o ao Parlamento, ou envia o dossier para o Tribunal Constitucional ou, então, opta pela promulgação.Certezas, para já, existem duas. Por um lado, pelo menos, em 2008 os juízes não serão avaliados com as mesmas regras da função pública Por outro lado, "no que quer que seja feito, será tido o mesmo comportamento relativamente às duas magistraturas" (judicial e do Ministério Público) assegura o deputado Ricardo Rodrigues.

Críticas

Marcelo Rebelo de Sousa considera que este regime não reconhece aos juízes o que a Constituição prevê: independência face ao poder político.

Fernando Negrão, do PSD não tem dúvida de que existe uma inconstitucionalidade gravíssima, já que o diploma viola o principio de separação de poderes.

A Associação Sindical dos Juízes Portugueses, também alega a violação da Constituição e evoca o seu estatuto de órgão de soberania e consequente independência e autonomia.

O Sindicato de Magistrados do Ministério Público teme que a partir de agora, os magistrados passem a estar sujeitos às regras gerais dos servidores do Estado.

DIÁRIO ECONÓMICO | 21.11.2007

Comentarios (5)add
... : Marcos
O ponto mais interessante é a ressalva "em 2008".
21.Novembro.2007
... : AG
«Uma no cravo, outra na ferradura» ...

Palpita-me que a alteração irá servir de argumento no sentido de que, como dela decorre, não se pretende funcionalizar os juízes e por em causa a independência dos Tribunais ....Oportuna coincidência. Ou será que me engano?

21.Novembro.2007
... : Eça de Queirós Alternativo
Não vai este ano vai para o ano que vem...
Quem não quer ser apelidado de fascista que não lhe vista a pele.
Que cambada !
22.Novembro.2007
... : descontente
Até admira como não encomendaram um Estudo...como na Ota.
22.Novembro.2007
... : Anhinhas
Parece que nesta guerra entre orgãos de soberania o senhor PR devia mesmo que em privado como ele gosta resolver este assunto porque é grave para o bom funcinamento do Estado de Direito
26.Novembro.2007
Escreva o seu Comentario

Este post foi bloqueado. Impossivel adicionar comentarios.


busy
 
< Item anterior   Item seguinte >
Sondagem