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PSD espera decisão fundamentada do Presidente da República.
CDS-PP pede que diploma seja vetado.
PCP diz que lei dos vínculos na função pública é de "uma inconstitucionalidade grosseira".
BE apela a Cavaco Silva.
PSD espera decisão fundamentada do Presidente da República
O
PSD afirmou hoje que espera uma "decisão fundamentada" do Presidente da
República quanto à lei sobre vínculos, carreiras e remunerações na
função pública, salientando que o diploma "tem falhas graves". Temos
a certeza que o Presidente da República levará em conta e analisará
todos os argumentos (...). Aguardamos serenamente a posição do
Presidente da República, virá com certeza uma decisão fundamentada",
afirmou o deputado do PSD Fernando Negrão, falando em nome da direcção
social-democrata, em declarações aos jornalistas no Parlamento.
Sem
apelar ao veto de Cavaco Silva ou ao envio do diploma para o Tribunal
Constitucional, o PSD apontou, contudo, falhas graves à lei aprovada no
Parlamento apenas com os votos do PS e que equipara juízes e
magistrados do Ministério Público aos funcionários públicos em matéria
de vínculos, carreiras e remunerações. "Esta lei tem graves problemas,
põe em causa a independência dos juízes e a autonomia dos procuradores.
Sem elas não estão assegurados os direitos e liberdades de todos nós",
frisou o ex-ministro da Justiça. No entanto, o PSD não quer
pronunciar-se já sobre a constitucionalidade do diploma."Aguardamos a
decisão do Presidente da República", reforçou Fernando Negrão.
CDS-PP pede que diploma seja vetado
Também
o CDS-PP já reagiu à lei sobre vínculos, carreiras e remunerações na
função pública, com o dirigente do partido, Paulo Portas, a reiterar o
apelo ao Presidente da República para que vete ou envie para o Tribunal
Constitucional o diploma. "Não se pode fazer equiparação de magistrados
ao funcionalismo público porque isso tem como consequência a
funcionalização da justiça e o fim da independência da magistratura",
sublinhou Portas.
Para o líder do CDS-PP, "a lei tal e qual está
viola o princípio da separação de poderes" previsto na Constituição.
"Para grandes males, grandes remédios. Solicitámos ao Presidente da
República a fiscalização da constitucionalidade da lei ou, no limite, o
veto político", afirmou, reiterando o apelo feito ontem pelo deputado
democrata-cristão Mota Soares.
Paulo Portas salientou que esta
lei "foi resultado de um pacto de justiça que teve maus resultados para
o país", assinado entre PS e PSD, mas criticado pelo CDS-PP. "O CDS não
assinou o pacto de justiça e não assinará o que vem aí sobre segurança
interna", garantiu, considerando que esse acordo "também não vai ser
bom para o país". "PS e PSD em caixinha fazem leis mal feitas",
defendeu o líder democrata-cristão.
Em entrevista à revista
Visão, o procurador-geral da República, Pinto Monteiro, critica
duramente este diploma dizendo que "começa a haver alguns sinais de que
pode estar em perigo a autonomia do Ministério Público". "Não aceitarei
ser um procurador-geral dependente do poder político", vinca Pinto
Monteiro.
O Presidente da República recusou comentar o diploma e
as declarações de Pinto Monteiro, apenas confirmando ter recebido
ontem, em Belém, a lei em causa. "Não posso comentar observações feitas
por quem for a leis que estão a ser objecto de análise [em Belém].
Nunca o fiz, não o irei fazer", afirmou, limitando-se a explicar que
tem constitucionalmente oito dias para decidir se envia a lei para o
Tribunal Constitucional e 20 dias para promulgar ou vetar.
PCP diz que lei dos vínculos na função pública é de "uma inconstitucionalidade grosseira"
O
PCP apelou hoje a "todos os órgãos de soberania" para que assumam a sua
responsabilidade sobre a lei dos vínculos, carreiras e remunerações da
função pública, considerando que o diploma é de "uma
inconstitucionalidade grosseira".
"Não tem qualquer cabimento
que na Constituição se consagre a independência do poder judicial e a
autonomia do Ministério Público e venha uma lei do Governo equiparar os
juízes e magistrados a funcionários públicos", criticou o deputado
comunista António Filipe, em declarações aos jornalistas no Parlamento.
"Esse diploma é de uma inconstitucionalidade grosseira", frisou.
Questionado
se o PCP apela ao Presidente da República para que trave este diploma,
António Filipe sublinhou que "o processo legislativo ainda não está
concluído".
"Todos os órgãos de soberania têm de assumir a sua
responsabilidade (...) Há um órgão de soberania com a responsabilidade
de promulgação e outro, o Tribunal Constitucional, com a
responsabilidade da fiscalização", salientou.
Questionado
sobre a alteração que o PS introduziu através do Orçamento de Estado a
uma parte do diploma - subtraindo os juízes e magistrados ao regime da
função pública no que diz respeito às progressões na carreira -, o
deputado do PCP salientou que a maioria "não pode remendar um pano
manifestamente esburacado".
"Os juizes são titulares de um
órgão de soberania, como são os membros do Governo, os deputados ou o
Presidente da República. Não terá passado pela cabeça do Governo fazer
um artigo a dizer que o Presidente é um funcionário público como os
demais...", salientou António Filipe.
BE apela a Cavaco
O
Bloco de Esquerda apelou também hoje ao Presidente da República para
que devolva ao Parlamento o diploma que regula os vínculos, carreiras e
remunerações da função pública, que considera inconstitucional.
"O
Presidente da República deverá devolver o diploma ao Parlamento para
que sejam expurgadas as inconstitucionalidades", defendeu a deputada do
Bloco de Esquerda, Mariana Aiveca, em declarações à Lusa.
O BE
recordou que alertou para a inconstitucionalidade do diploma durante a
sua discussão no Parlamento e denuncia que a lei tem outros problemas
técnicos para lá da equiparação dos juízes e magistrados do Ministério
Público aos funcionários públicos.
"O diploma revoga a lei
anterior sobre carreiras e vínculos mas uma parte do novo texto só
entrará em vigor em Junho. Haverá um vazio legal", apontou Mariana
Aiveca, justificando o pedido de devolução à Assembleia da República.
Em
entrevista à revista "Visão", o procurador geral da República, Pinto
Monteiro, criticou também duramente o diploma dos vínculos, carreiras e
remunerações da função pública dizendo que "começa a haver alguns
sinais de que pode estar em perigo a autonomia do Ministério Público".
"Não aceitarei ser um procurador-geral dependente do poder político", vinca Fernando Pinto Monteiro.
"A
primeira vez que li aquilo pensei que tivesse sido uma distracção do
Governo mas agora vejo, com grande espanto, que a prazo pode pôr os
magistrados ao nível dos funcionários públicos. E isso é o fim da
independência dos tribunais, pois os funcionários públicos dependem da
tutela ministerial", comenta Pinto Monteiro.
O Presidente da
República, Cavaco Silva, recusou comentar o diploma e as declarações de
Pinto Monteiro, apenas confirmando ter recebido quarta-feira, em Belém,
a lei sobre vínculos, carreiras e remunerações na função pública.
"Não
posso comentar observações feitas por quem for a leis que estão a ser
objecto de análise [em Belém]. Nunca o fiz, não o irei fazer", afirmou,
limitando-se a explicar que tem constitucionalmente oito dias para
decidir se envia a lei para o Tribunal Constitucional e 20 dias para
promulgar ou vetar.
"Agora é o tempo do Presidente da República", disse.
PÚBLICO ON-LINE | 22.11.2007
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