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Freeport: Sócrates e Costa citados nas pressões
05-Abr-2009
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Os nomes de José Sócrates e do ministro da Justiça, Alberto Costa, foram referidos nas conversas entre o procurador Lopes da Mota e os magistrados que investigam o caso Freeport. O CM sabe que os dois magistrados Vítor Magalhães e António Paes Faria mantiveram pelo menos dois contactos com Lopes da Mota na semana em que o assunto foi discutido.

A primeira vez ocorreu num almoço em que os dois procuradores perceberam que estariam perante 'um recado de Sócrates transmitido via Alberto Costa'. Nessa conversa, segundo os relatos feitos nas várias reuniões realizadas esta semana por causa deste caso, Lopes da Mota terá feito alusões a eventuais ‘perseguições’ que os dois magistrados poderiam sofrer se não arquivassem o caso. Aí, foi discutido o cenário de um arquivamento por prescrição dos factos relacionados com o crime de corrupção para acto lícito, o que implicaria retirar do processo tudo o que pudesse envolver José Sócrates.

A tese de Lopes da Mota é a de que o crime, a ter existido, se consumou no momento da eventual promessa ou solicitação de ‘luvas’ para licenciar o Freeport, e não quando os pagamentos possam ter sido feitos. Isto implicaria uma prescrição porque o prazo, no crime em causa (corrupção para acto lícito), é apenas de cinco anos e não de dez.

Num segundo momento, quarta-feira da semana passada, terá ocorrido um telefonema de Lopes da Mota para um dos procuradores em que, segundo estes relataram à hierarquia, terá indicado as páginas da publicação (Comentário Conimbricence ao Código Penal, dirigida por Figueiredo Dias), que suporta doutrinariamente a tese da prescrição.

Este telefonema, que foi a gota de água na paciência dos dois procuradores, acabou por ser presenciado por mais três pessoas. O juiz de instrução criminal Carlos Alexandre, a coordenadora da PJ de Setúbal, Maria Alice Fernandes, e a inspectora que tem a investigação a cargo, Carla Gomes, são testemunhas da perturbação criada por este diligências de Lopes da Mota. Este magistrado, presidente do Eurojust, disse ao CM que tal entendimento é 'absurdo' e recusa ter feito quaisquer tipo de pressões sobre Vítor Magalhães ou António Paes Faria.

O ministro da Justiça, Alberto Costa, que chegou ontem de uma visita à China, recusou qualquer tipo de pressões e interferência neste caso.

NOME DE LOPES DA MOTA FOI REVELADO POR PINTO MONTEIRO

A confirmação pública do envolvimento de Lopes da Mota no caso das pressões foi dada terça-feira pelo próprio procurador-geral da República.

O nome já circulava nos bastidores, mas não havia confirmação quando, após um comunicado a negar a existência de pressões, Pinto Monteiro disse à revista ‘Sábado’ que era Lopes da Mota quem estava em causa.

O procurador do Eurojust, por onde também passou o processo Freeport, foi de imediato convocado para se deslocar de Holanda a Portugal, onde chegou na quarta-feira para uma reunião-relâmpago com Pinto Monteiro, encontro que, apesar de se ter realizado na Procuradoria, não foi colocado na agenda de Pinto Monteiro. Lopes da Mota foi secretário de Estado da Justiça de António Guterres e suspeito de ter fornecido informações sobre o processo ‘Saco Azul’ a Fátima Felgueiras.

MINISTÉRIO PÚBLICO ABRE INQUÉRITO

O Conselho Superior do Ministério Público decidiu ontem abrir um inquérito a todos os magistrados envolvidos no caso das pressões: o denunciado Lopes da Mota, mas também os denunciantes João Palma, Paes Faria e Vítor Magalhães.

Depois de uma reunião de quatro horas e meia, durante a qual foi rejeitada a proposta de João Correia para convocar os investigadores do Freeport, o órgão de disciplina do Ministério Público divulgou um comunicado no qual volta a dizer que não há pressões, ao mesmo tempo que revela a abertura de um processo de inquérito.

O Conselho explica a averiguação com a existência de 'divergências de interpretação sobre os factos ocorridos entre os magistrados titulares do processo e o membro nacional do Eurojust'. A mesma nota explica que o inquérito será dirigido pelos serviços de inspecção do Ministério Público, que terão trinta dias para concluir o inquérito.

Recorde-se que os magistrados Paes Faria e Vítor Magalhães têm reiterado que foram pressionados, como denunciou o presidente do Sindicato, João Palma, situação negada por Lopes da Mota. As diferentes versões impediram inclusive a assinatura de uma declaração conjunta sugerida pela procuradora Francisca Van Dunem. A Procuradoria manifestou também a confiança total nos investigadores. 

APONTAMENTOS

GOVERNO NEGA
O Governo de José Sócrates, através do ministro Silva Pereira, negou o envolvimento nas pressões no processo Freeport.

LIGAÇÕES AO PS
O magistrado apontado como intermediário do Executivo no caso das pressões, Lopes da Mota, foi colega de Governo de José Sócrates quando ambos desempenhavam os cargos de secretários de Estado de Guterres.

SOCIALISTAS
Manuel Alegre e João Cravinho foram as vozes dissonantes no coro das reacções de socialistas a favor de José Sócrates, encabeçadas por Mário Soares. Alegre manifestou apoio ao Sindicato dos Magistrados do Ministério Público e Cravinho defendeu a investigação do DVD.

NOTAS

DVD: SMITH CHAMA CORRUPTO
No DVD revelado há uma semana pela TVI, ouve-se uma conversa de Charles Smith, durante a qual o empresário escocês chama 'corrupto' a José Sócrate por causa do caso Freeport.

ARTIGO: MARINHO NÃO É PUNIDO
O Conselho Superior da Ordem dos Advogados critica o artigo escrito por Marinho Pinto no boletim da instituição sobre o Freeport, mas não agirá contra o bastonário por falta de participação.

SETÚBAL: MUDANÇAS NA PJ 
Calado Oliveira foi nomeado para coordenador da PJ de Setúbal, ficando como número dois da directora, Maria Alice Fernandes. Calado Oliveira transita da área de combate à corrupção.

ANA LUÍSA NASCIMENTO E EDUARDO DÂMASO | 04.04.2009



ALBERTO COSTA FOI DEMITIDO EM MACAU POR PRESSÕES SOBRE JUIZ

Alberto Costa surgiu ontem no centro das notícias sobre alegadas pressões sobre os magistrados do caso Freeport, que o ministro da Justiça negou de forma pronta. Mas esta não é a primeira vez que o seu nome surge em notícias sobre pressões. Há 21 anos, suspeitas de pressões sobre um juiz levaram à sua demissão de director dos Assuntos de Justiça de Macau, quando o governador era Carlos Melancia.
Em 1988, Costa deixou o cargo na administração de Macau no meio de suspeitas de pressões sobre o juiz José Manuel Celeiro no caso do escândalo da televisão de Macau, TDM. Em 2005, José António Barreiros, que, enquanto secretário de Estado Adjunto para os Assuntos da Justiça, tinha demitido Alberto Costa, quebrou um longo silêncio de 16 anos e acusou-o de "conduta imprópria". Ontem, contactado pelo PÚBLICO, o advogado José António Barreiros não quis fazer quaisquer declarações sobre o caso de há vinte anos nem comentar as notícias de ontem do semanário Sol.
O citado caso de Macau remonta ao mês de Abril de 1988, quando José Manuel Celeiro decretou a prisão preventiva do presidente da TDM, António Ribeiro, por suspeita de peculato. Numa entrevista a O Independente, em 2005, Barreiros contou que optou por demitir Alberto Costa por ter considerado impróprio que o agora ministro tivesse tido então "conversas informais" com o magistrado defendendo que a prisão preventiva de António Ribeiro seria uma medida excessiva naquele caso. José Manuel Celeiro apresentou queixa.
Há quatro anos, depois da entrevista de José António Barreiros, o ministro, há sete meses no Governo com a pasta da Justiça, explicou que se limitara a dar ao juiz "uma opinião sobre uma matéria de índole jurídica". E lembrou que os factos pelos quais foi acusado e exonerado foram alvo de um inquérito que concluiu "não se ter comprovado a existência de pressão", pelo que foi proposto o arquivamento do inquérito. Além disso, recordou, o Supremo Tribunal Administrativo veio anular o acto de exoneração. A entrevista valeu a Alberto Costa um primeiro momento de contestação enquanto ministro da parte da Associações Sindical de Juízes Portugueses (ASJP), que exigiu esclarecimentos de forma cabal, aconselhando-o a "ponderar seriamente a sua capacidade para, de maneira credível, continuar a exercer as funções governativas". 

NUNO SIMAS | PÚBLICO | 05.04.2009


Aditamento (06.04.2009) 

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Comentarios (15)add
... : Anónimo
Dá-me a impressão de que se o Sócrates perder a maioria absoluta, o Lopes da Mota vai para casa coser meias mais cedo... Então agora envolve-se o Comentário Conimbricense nisto? Pressionar os colegas ainda vá; dizer-lhes que se o caso não fôr arquivado vão rolar cabeças, tudo bem; agora meter a Santa Doutrina de Coimbra nisto!!! Mas está tudo parvo?

Agora a sério: não me passa pela cabeça pensar que dois colegas inventaram uma história para lixar outro colega. Parece-me muito mais credível que o Sr. Lopes da Mota lhes tenha, de facto, comunicado a sugerir uma "solução jurídica" para o caso. O que é, se não um ilícito disciplinar, pelo menos uma grande falta de consideração. Se o Sr. Lopes da Mota queria mostrar o Código Conimbricense ao mundo, escrevia um artigo de jornal e não incomodava os colegas.
05.Abril.2009
... : Tony
O Betinho Costa a fazer pressões ?
Impossível.

Ele gosta mais de andar de braço dado com os "pró-activos" (já parece um anúncio de iorgurtes) desta ASJP. Nem é preciso exercer qualquer pressão. Basta marcar um encontro para um cafezinho e está tudo resolvido.

Claro que com o MP a coisa pia mais fina, porque eles não gostam lá muito de compromissos éticos sem ética e vai daí desmascaram tudo, o que está mal e deviam ser imediatamente corridos a processo disciplinar por não dizeram "yes, prime minister" e ao seu superior hierárquico nomeado pelo PS para PGR. Inadmissível esta afronta ao grande líder. Não vão escapar da retaliação, coitados. Deviam aprender com esta ASJP, mas não, acham-se espertinhos e depois é no que dá.
05.Abril.2009
... : Álvaro
A propósito, volvidas as eleições para a ASJP nunca mais se ouviu esta falar mal do Citius. Abençoada estratégia que a tantos enganou bem enganadinhos... Mas é bem feito que é para aprenderem para a próxima vez.

Quanto a pressões a juízes, meu caro Tony, espere pelos juízes-presidentes.
Um dia estaremos cá a falar neles. Não acredita ? Espero estar enganado, mas o meu 7.º sentido diz-me o contrário.
05.Abril.2009
... : eununca
Pois é, "quem se mete com o PS..." . Convém não esquecer o aviso, Eles estão colocados nos pontos chave. Veja-se o "grande" deputado açoreano que, tão enfaticamente, defende (já e em força!!!) processos disciplinares. É de mais...!!!
06.Abril.2009
... : ad nauseam
06.Abril.2009
... : ad nauseam
E dos arquivos da Casa:
http://verbojuridico.blogspot.com/2005/10/entrevista.html

06.Abril.2009
... : monteiro
Old habits die hard.
06.Abril.2009
... : C. Costa
Os políticos são todos iguais. Prometem construir uma ponte mesmo onde não há rio.
Nikita Khrushchev
06.Abril.2009
... : Janus
Alguem sabe onde pára o livro do Rui Mateus ?
07.Abril.2009
... : Janus
País sem futuro precisa de políticos sem passado.

07.Abril.2009
... : CL
Sem processos de intenção e sem ingenuidades ... não pode passar pela cabeça de ninguém que os dois procuradores do caso Freeport tenham inventado as pressões, francamente!!!

Espero que esta questão essencial seja cabalmente esclarecida
08.Abril.2009
... : Administrador In Verbis
Foi recebido no e-mail da In Verbis uma mensagem referente a este item, proveniente de «Citador», que se passa a reproduzir:

5 de Abril
http://incursoes.blogs.sapo.pt/1236005.html

6 de Abril
http://incursoes.blogs.sapo.pt/1236309.html

ainda a 6 de Abril com link para o ACÓRDÃO DO STA:
http://incursoes.blogs.sapo.pt/1236706.html

7 de Abril
http://incursoes.blogs.sapo.pt/1236794.html?view=377554

09.Abril.2009
... : Nome utilizado suprimido
Mandem-no pra Sibéria
10.Abril.2009
... : Nome utilizado suprimido
Não liguem ao que dizem os inimigos da Pátria.
Mandem-no antes pró Tarrafal.
A bem da Nação
10.Abril.2009
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