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Ricardo Rodrigues, deputado do PS e membro do Conselho Superior do Ministério Público,
defendeu este domingo que se deveria avançar já com processos
disciplinares no caso das pressões sobre magistrados que investigam o
processo Freeport.
Dirigente do PS tentou fazer ultimato no caso das pressões.
Em declarações à rádio TSF, o vice-presidente da
bancada parlamentar do PS aponta também o dedo ao dirigente da
Eurojust, Lopes da Mota, e ao presidente do Sindicato dos Magistrados,
que denunciou as pressões.
Apesar de não ter
visto aprovada a instauração de processos disciplinares imediatos,
Ricardo Rodrigues manifesta-se convicto que esta é a melhor solução.
“É
preciso ter ordem e serenidade”, diz Ricardo Rodrigues à rádio TSF,
acrescentando que para tal é necessária uma atitude pró-activa e não
reactiva.
“O Ministério Público é uma estrutura
hierarquizada, com autonomia e dentro dos princípios e conceitos que a
constituição configura, devemos agir em conformidade. Há órgãos que
detêm o poder disciplinar e que deve ser exercido quando necessário”,
sustenta Ricardo Rodrigues.
O deputado socialista
considera que o MP se encontra numa situação difícil pelo que é
imperioso um esclarecimento imediato, avança a TSF, acrescentando que
Ricardo Rodrigues defendeu esta ideia na reunião do Conselho Superior.
“A
situação tem que ser esclarecida e das duas uma: ou houve pressões e
quem pressionou deve ter um processo disciplinar que vai determinar as
consequências dos actos, ou se não houve, quem alegou que houve
pressões falsamente também deve ser objecto de um processo
disciplinar”, afirma Ricardo Rodrigues à TSF, defendendo por isso que o
inquérito tem de ser conclusivo e esclarecedor.
CORREIO DA MANHÃ | 05.04.2009
Dirigente do PS tentou fazer ultimato no caso das pressões
O vice-presidente da bancada do PS, Ricardo Rodrigues, um dos cinco
membros eleitos pela Assembleia da República para o Conselho Superior
do Ministério Público (CSMP), sugeriu na reunião extraordinária de
anteontem deste órgão que se instaurassem ali processos disciplinares a
pelo menos um de dois magistrados: o recém-eleito presidente do
Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, João Palma, que
denunciou a existência de pressões aos procuradores titulares do
Freeport ou ao procurador-geral adjunto, Lopes da Mota, suspeito de ter
exercido as pressões sobre os magistrados que investigam o
licenciamento do outlet de Alcochete.
Este repto lançado por
Ricardo Rodrigues foi interpretado por alguns dos presentes como uma
espécie de ultimato vindo de um membro deste órgão que é também
dirigente do PS. O deputado acabou, contudo, por votar com a maioria na
decisão de abrir um inquérito para apurar a existência ou não das
pressões, deixando os processos disciplinares para mais tarde. Mesmo
assim, insistiu que a investigação tem que dar resultados. "Não podem
ter todos razão e alguém tem que ser castigado", terá dito no CSMP.
Contactado pelo PÚBLICO, o vice-presidente da bancada do PS não quis
comentar as posições tomadas no conselho.
PGR incomodado
Também
Pinto Monteiro se mostrou incomodado com as denúncias do sindicato,
considerando que o pedido de audiência ao Presidente da República o
desautoriza. E constitui mesmo "uma violação dos deveres deontológicos
e disciplinares" do seu recém-eleito presidente, João Palma. O
procurador-geral lamentou ainda ter sabido das alegadas pressões pelos
jornais quando Cândida Almeida, que tutela os dois procuradores, já
tinha conhecimento do caso.
Já ontem, António Pires de Lima,
ex-bastonário da Ordem dos Advogados, declarou à SIC-Notícias que Lopes
da Mota, ex-secretário de Estado no segundo Governo de António Guterres
e actual presidente do Eurojust, era alguém que servia de "elo" entre o
Ministério da Justiça e o procurador-geral da República Cunha
Rodrigues. "É uma pessoa que era o elo de ligação entre o dr. Vera
Jardim [ministro da Justiça] e o dr. Cunha Rodrigues e que passava de
um lado para o outro, (...) atraiçoando reuniões em que eu participei
com o presidente do Supremo Tribunal de Justiça".
Depois de ontem o
Sol ter noticiado que o ministro da Justiça, Alberto Costa, usou Lopes
da Mota como intermediário das pressões, que tinham como objectivo
principal o arquivamento parcial do Freeport na parte respeitante a
José Sócrates, o presidente da Eurojust desmentiu ontem ao PÚBLICO as
pressões do ministro. "É completamente falso dizer-se que o ministro da
Justiça me pressionou, ou tentou interferir por qualquer maneira no
processo", disse. "Aguardo o desenrolar do inquérito aberto pelo
Conselho Superior do Ministério Público e prestarei todos os
esclarecimentos. Reafirmo o que já disse: não exerci nem recebi
qualquer pressão. Desejo que tudo isto seja rapidamente esclarecido",
afirmou.
Quem também não gostou da notícia do Sol, negando o seu
conteúdo, foi Alberto Costa, que ontem anunciou num comunicado que vai
"proceder judicialmente contra o semanário".
Lopes da Mota já
admitiu ter dito a Paes Faria e a Vítor Magalhães: "O que eu sei, como
todos sabemos, é que o primeiro-ministro quer isto [caso Freeport]
esclarecido rapidamente. Isto é uma pressão?". A divergência quanto ao
sentido das palavras ditas por Lopes da Mota a Paes de Faria e Vítor
Magalhães parece insanável e só o inquérito instaurado anteontem pelo
CSMP poderá apurar quem disse o quê e com que intenção. O incidente
acabaria por azedar a amizade entre Lopes da Mota e Paes de Faria, que
já integraram Governos do PS. Lopes da Mota foi secretário de Estado da
Justiça de Vera Jardim no Governo de António Guterres e Paes de Faria
foi assessor de João Cravinho quando este exerceu funções ministeriais.
António Arnaldo Mesquita e Mariana Oliveira | PÚBLICO | 05.04.2009
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