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O PS vai acabar com a figura legal da "violação culposa" dos deveres
conjugais como fundamento necessário para avançar com um divórcio
litigioso. Os socialistas estão a preparar um projecto de lei que
altera o actual quadro legislativo nesta matéria. Mudanças que passam
pela diminuição dos prazos de separação de facto como fundamento para a
dissolução do casamento (actualmente são três anos). Mas não só - a
invocação de actos imputáveis ao outro cônjuge vai deixar de ser
necessária.
De acordo com a actual lei, quando apenas um dos membros de um casal
quer o divórcio, tem de obter uma condenação do outro em tribunal,
imputando-lhe violação dos deveres conjugais. Entenda-se o dever de
respeito (um cônjuge não pode usar de palavras ou actos que atinjam a
honra, reputação, consideração social ou o amor próprio do outro) ou a
fidelidade. Mas também a coabitação, cooperação (obrigação de socorro e
auxílio) e assistência (dever de custear os encargos familiares). São
também motivo para divórcio litigioso a separação de facto por três
anos consecutivos - prazo após o qual a parte que pretende o divórcio
pode recorrer aos tribunais. Bem como a ausência por dois anos de um
dos cônjuges, sem que dele haja notícia.
Na prática, o projecto de lei que o PS está agora a finalizar vem
facilitar a separação litigiosa, não fazendo depender a dissolução de
um casamento da atribuição - e prova - de culpa a um dos cônjuges. Ao
mesmo tempo, diminui o período de separação de facto mediante o qual se
pode pedir a separação legal (em quanto, ainda não foi revelado).
Divórcio dividiu o PS
Com esta novidade na lei, o PS deverá afastar as divisões internas
sobre esta matéria, visíveis há cerca de um ano, quando o Bloco de
Esquerda levou a debate um projecto de lei que abria a porta à
possibilidade de divórcio por vontade expressa de um dos cônjuges - um
modelo muito semelhante à lei espanhola, aprovada em 2005 por José Luís
Zapatero.
O texto, que subiu a plenário em Maio de 2007, foi chumbado pela
maioria, mas mais de duas dezenas de deputados socialistas subscreveram
declarações de voto manifestando concordância com o princípio enunciado
na proposta. Uma posição que tem agora reflexos no próprio projecto de
lei socialista.
O projecto do PS, que deverá ser hoje apresentado à bancada, na reunião
semanal do grupo parlamentar, será discutido na Assembleia da República
a 16 de Abril, num agendamento potestativo (direito a marcar o tema dos
trabalhos parlamentares) marcado pela maioria socialista.
Mas a questão do divórcio vai estar em debate no Parlamento já hoje - o
Bloco de Esquerda insiste no projecto que apresentou há um ano,
introduzindo agora uma alteração, precisamente a um dos aspectos mais
criticados pelo PS.
Na versão inicial, o texto bloquista estabelecia que o divórcio corria
numa conservatória do registo civil - a dissolução do casamento (de um
casal sem filhos) concretizava-se após duas conferências separadas por
um período de reflexão de três meses. Agora, na versão que sobe hoje a
plenário, o processo tem de passar pelos tribunais. Além desta
proposta, o BE apresenta uma segunda, que diminui para um ano o prazo
de separação de facto que permite pedir o divórcio.
DIÁRIO DE NOTÍCIAS | 27.03.2008
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