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20-Set-2007

ImageAs férias parlamentares decorrem de 16 de Julho a 14 de Setembro. Sim, porque o Parlamento não reduziu as férias parlamentares, do mesmo modo como se apressou para reduzir as férias judiciais.Mas mesmo assim, tendo os trabalhos parlamentares recomeçado apenas no dia de ontem, 19 de Setembro, uma das três reuniões das comissões parlamentares não se realizou ... por falta de quórum... Ah, se os assessores, de que finalmente os deputados em seu benefício criaram, pudessem substituir os deputados ! ... (é melhor não dar ideias ... que ainda legislam nesse sentido!)

Os holofotes mediáticos estavam focados ontem no Parlamento - era o primeiro dia de trabalho em plenário depois das férias e começava a ser aplicado o novo Regimento, ou pelo menos parte do articulado. E não correu bem.
À tarde, no plenário, as declarações políticas que, rias novas regras, substituíram o Período Antes da Ordem do Dia, prolongaram-se por mais de uma hora, e os tempos estipulados foram ultrapassados. Mas o mais grave aconteceu de manhã, nas comissões, que passarão a ser o centro do trabalho legislativo. Das três reuniões marcadas, uma não se realizou por falta de quórum e numa outra, a maioria socialista inviabilizou uma audição do ministro da Administração interna, Rui Pereira, requerida por PSD e CDS-PP. O debate político desta recusa saltou para o plenário com o democrata-cristão Nuno Magalhães a "desmentir " o socialista Alberto Martins, que tinha realçado o "aprofundamento da Democracia".
Voltando ao caso da manhã: eram necessários 14 deputados, mas 35 minutos depois de ter começado a Comissão Parlamentar de Economia e Finanças só 12 tinham chegado. Esta falta de quórum levou à suspensão dos trabalhos e ao adiamento, para quarta-feira, da discussão e votação dos 12 pontos que constavam da agenda. Houve ausências de todos os partidos, mas o CDS-PP e o BE nem sequer estavam representados.
As novas e mais apertadas regras do Regimento apanharam desprevenidos alguns deputados e impediram a reunião da Comissão de Orçamento e Finanças. Para funcionar, as comissões necessitam agora da presença de mais de 50% dos seus deputados. Porém, meia hora depois, o PS contava sete presenças, o PSD quatro e o PCP uma. Na véspera, no entanto, as regras já eram as mesmas, mas a Comissão pode funcionar e ouvir o ministro das Finanças. Apesar de desdramatizarem este adiamento dos trabalhos, PS e PCP não deixam de referir o facto de que bastaria que o BE e CDS-PP estivessem presentes para haver quórum.
A proposta de Patinha Antão, presidente da Comissão, de se dar uma tolerância de meia hora, foi aceite pelos restantes deputados, tendo sugerido que, no futuro, a tolerância seja de apenas 15 minutos.
Patinha Antão tentou, logo de início, desvalorizar este adiamento, sublinhando não estar em causa a discussão de nenhuma matéria urgente. Na Ordem de Trabalhos, constava a apreciação do Acórdão do Tribunal Constitucional sobre a fiscalização preventiva da constitucionalidade das alterações à Lei Geral Tributária. Recorde-se que estas alterações - que suscitaram dúvidas a Cavaco Silva - permitiam ao Fisco aceder directamente à conta bancária de contribuintes que reclamassem das sua decisão.
Já a Comissão de Ética funcionou normalmente, confirmou, ao JN, o social-democrata Matos Correia, presidente daquela comissão, que reconheceu que "as comissões estão como que paradas" quanto às novas regras, à espera de que a conferência de líderes parlamentares decida" como e em que termos vai alterar o elenco das comissões.
O presidente da Assembleia e os líderes dos grupos parlamentares ou nem sequer falaram sobre o assunto ou desvalorizaram com a existência do período transitório.

Faltas por muitos motivos
A falta de clarificação sobre a composição das comissões à luz das novas regras fez, ontem, com que alguns deputados considerassem injusta a falta que lhes foi marcada. As ausências deveram-se aos mais variados motivos, nomeadamente ao facto de haver deputados que, neste momento, são efectivos em duas comissões, o que os impede de marcar presença quando reúnem ao mesmo tempo. Foi o que aconteceu ontem aos socialistas Luís Pita Ameixa e Ricardo Rodrigues, tendo este referido, ao JN, que faltou por à mesma hora estar na Comissão de Assuntos Constitucionais. Uma situação que de futuro deverá ser ultrapassada com a sua passagem a suplente na Comissão de Finanças.
Entre os deputados que terão de justificar a falta estão também Leonor Coutinho (PS) e
Duarte Pacheco (PSD) que estão em Genebra a participar (em representação da AR) numa sessão sobre controlo orçamental dos parlamentos. Já Afonso Candal (PS) disse, ao JN, ter faltado por estar com outras actividades, enquanto Francisco Louçã afirmou não ter conhecimento desta reunião da Comissão por não lhe ter chegado a respectiva notificação. Do grupo dos "faltosos" constam ainda os "populares" Diogo Feio e José Paulo de Carvalho, tendo este recusado fazer qualquer comentário sobre a sua ausência. Mas outros deputados não deixaram de apontar o dedo a esta "falha" do BE e do CDS-PP tendo um deles manifestado mesmo alguma estranheza pela total ausência do CDS-PP tanto mais que um dos diplomas que estava para ser votado - sobre a obrigatoriedade da publicação anual de uma lista de credores do Estado e autarquias - foi proposto por este partido.

Quórum faz-se com metade mais um
O número de deputados necessário para a obtenção de quórum nas comissões parlamentares passou a ser a metade mais um do total. No entanto, só depois da reorganização do elenco das comissões, previsto para a conferência de líderes do dia 25, poderá ser aferido o número de deputados que terá cada comissão. Para já, está estipulado que um deputado só poderá pertencer a uma comissão, abrindo-se regras de excepção para os grupos que tenham menos deputados do que o número de comissões (actualmente são doze).

Na Páscoa não foi possível votar por falta de quórum
Em Abril do ano passado, nas vésperas do fim-de-semana grande da Páscoa, a falta de quórum impediu que se realizassem as votações da semana. Em plenário estavam 111 dos 230 deputados quando a lei exige a comparência de mais de metade (116) para que as votações sejam válidas. As deliberações do plenário são tomadas coma presença de mais de metade dos seus membros em efectividade de funções", refere o Regimento da Assembleia da República. Todos os grupos parlamentares se apressaram a deplorar o caso, mas nenhum se considerou culpado por estarem vazios os lugares dos deputados. O presidente do Parlamento ordenou, então, a assinatura do livro de presenças para esclarecer a situação. Nesse dia, ficaram adiadas as votações de um voto de protesto do CDS contra o encerramento das maternidadese oito propostas do Governo, entre as quais uma directiva sobre indemnizações a vítimas da criminalidade. Também em 2004 a regulamentação do Código de Trabalho foi adiada de uma semana para a seguinte por falta de quórum. Estava-se então na maioria governativa PSD/CDS e tratava-se de uma matéria importante e polémica.

IN JORNAL DE NOTÍCIAS | 20.09.2007 

Comentarios (11)add
... : Primo do Carlitos
Este tipo de normalidades... não são noticia!!!!!!!!!!!!!!!!!
20.Setembro.2007
... : beirão
Sem comentários....
20.Setembro.2007
... : Eça de Queirós Alternativo
A culpa, claro está é do «quorum».
Aliás esta minhoquice coisa do «quorum» está desfasada com a realidade e cultura portuguesa.
Mas se assim é, a solução é fácil:
Mude-se, extingue-se, suspenda-se, despenalize-se, ou, até mesmo, desterre-se o desgraçado do «quorum», que o problema fica resolvido !
21.Setembro.2007
... : Lizandra
Coitados dos nossos deputados.
Então não se está a ver que eles passaram o verão a elaborar os belos textos legislativos com que nos brindaram na rentrée?
E não hão-de poder descansar, os "piquenos"? Não sejam injustos!!!
Voltem Filipes, que estão perdoados...


24.Setembro.2007
... : Mário Rama da Silva
O mais patusco é esta gente ainda se queixar de que está mal paga. Grande parte já estariam despedidos, se o patrão - que teoricamente somos nós - o pudesse fazer.
24.Setembro.2007
... : xico
Eu ainda sou do tempo em que... a Assembleia Constituinte interrompia os trabalhos para ver a telenovela «Gabriela»!
De que se admiram? «O que torto nasce, tarde ou nunca se endireita», diz a sabedoria popular...
24.Setembro.2007
... : A. Teixeira
Isto é escandaloso...; mas já nada me admira nesta república das ...; se fossem os magistrados caía o Carmo e a Trindade.
24.Setembro.2007
... : o rosinha
Eu cá não me oponho a que eles gozem as ditas férias. Aliás até deviam gozar mais, pois quanto mais férias gozam menos asneiras fazem na Assembleia e menos legislação asinina produzem.
25.Setembro.2007
... : De Teixeira
Mas isto é uma tremenda falta de respeito!
O que Vos vale é o pseidónimo....
Mas ainda assim...cuidado!
Olhem qu' essa coisa das novas tecnologias...


26.Setembro.2007
... : beirão
É fácil deixem criar as ditas nomeções dos outros tantos acessores e assim até já podem ficar sempre de "gazeta"...
26.Setembro.2007
... : descontente
O rosinha, estou inteiramente de acordo consigo.
Proponho, desde já, férias o ano inteiro para os nossos distintos Deputados!!
Talvez assim o País andasse para a frente.
E querem eles mais produtividade, mais sacrifício, mais poupança...não há dúvida que o exemplo vem de cima.
27.Setembro.2007
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