|
"Democracia doente",
"degradação dos direitos", "claustrofobia democrática." Várias
expressões para dizer o mesmo - a oposição parlamentar em peso acusou
ontem o Governo e a maioria socialista de não respeitarem direitos
fundamentais."A degradação de valores e
princípios vai ao ponto de se pôr em causa a independência dos juízes e
o próprio princípio da separação de poderes", acusou Guilherme Silva
(PSD), criticando as propostas do Governo relativas à Segurança Interna
e à Organização da Investigação Criminal. Mais: "Grave é também a
circunstância de que os tiques autoritários do primeiro-ministro - que
convive, de forma muito amistosa, como se tem visto, com conhecidos
políticos, dos mais totalitários - são um mau exemplo" com
consequências em áreas sensíveis do exercício da autoridade".
Ao longo de
três horas de debate, foi longa a lista de casos suscitados pela
oposição - do processo instaurado ao professor Charrua à exoneração da
directora de um centro de saúde em Vieira do Minho, da identificação de
sindicalistas pelas forças policiais à intervenção na empresa Valorsul,
do novo estatuto dos jornalistas aos diplomas na área da justiça,
passando pelo que a oposição diz ser um aumento da criminalidade.
"A
democracia portuguesa está doente e a degradação das condições de
exercício de direitos e liberdades fundamentais são sintomas dessa
enfermidade", acusou logo a abrir o debate António Filipe, deputado do
PCP (partido que requereu a discussão). Na
resposta, Rui Pereira, ministro da Administração Interna, argumentou
que o "exercício de direitos tem limites, impostos pelo poder
democrático". A "liberdade é incompatível com a irresponsabilidade",
afirmou o ministro, lembrando que manifestantes têm "obrigação de fazer
um aviso prévio" e defendendo a intervenção das forças policiais na
Valorsul: "Como é que se pode sustentar que um piquete de greve tenha
legitimidade para se opor à entrada de pessoas nas instalações da
empresa?"
Se ao PCP coube abrir as "hostilidades" os restantes partidos da oposição mantiveram o tom . A
degradação de valores e princípios vai ao ponto de se pôr em causa a
independência dos juízes e o próprio princípio da separação de
poderes", acusou Guilherme Silva (PSD), criticando as propostas do
Governo relativas à Segurança Interna e à Organização da Investigação
Criminal. Mais: "Grave é também a circunstância de que os tiques
autoritários do primeiro-ministro - que convive, de forma muito
amistosa, como se tem visto, com conhecidos políticos, dos mais
totalitários - são um mau exemplo" com consequências em áreas sensíveis
do exercício da autoridade". Críticas
mais tarde rebatidas pelo ministro da Justiça, Alberto Costa, que
recusou que as reformas em curso fragilizem os agentes judiciais.
Exemplo: "As competências do Ministério Público e do procurador-geral
da República estão a ser aumentadas".
Já
o CDS, pela voz de Nuno Melo, questionou o que diz ser um preocupante
aumento da criminalidade: "Estará à espera que Portugal se transforme
numa espécie de Chicago dos anos 30 para se decidir a agir e fazer
qualquer coisa?"
Rui
Pereira puxou das estatísticas, defendendo que, entre Janeiro e
Setembro, a criminalidade violenta e grave diminuiu 14,7%, os roubos a
bancos 26,8%. De acordo com os números avançados pelo ministro, o
carjacking (roubo violento de carros) subiu 10,3%, enquanto o roubo a
gasolineiras subiu 3,9%. Pelo BE, Luís Fazenda pegou nas palavras do
ministro para criticar o Governo: "Se o exercício de direitos tem
limites, o Governo também tem limites éticos e políticos."
DIÁRIO DE NOTÍCIAS | 06.12.2007
Comentarios () |
|
|
|
|
|