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O Conselho Económico e Social considera que os meios conseguidos pelo aumento da cobrança de impostos e pela poupança no consumo intermédio podiam evitar o congelamento salarial na função pública e o agravamento das penalização das reformas antecipadas.
"Os meios adquiridos por aumento da cobrança de impostos e poupança no consumo intermédio poderiam evitar a descida do poder de compra dos trabalhadores da Função Pública, uma vez que não se descortinam razões para a sua descida, tanto mais que se esperam aumentos de produtividade e que a perda de poder de compra nos últimos dez anos foi de cerca de 5 por cento", diz o CES num parecer sobre o Orçamento do Estado.
Segundo o mesmo parecer do Conselho Económico e Social (CES), os mesmos meios permitiriam também "evitar a alteração da penalização das reformas antecipadas da Função Pública e da fórmula de cálculo das pensões para as quais, da mesma forma, não se encontra uma razão válida".
"Acresce que com a mudança da forma de cálculo, a poupança obtida em 2010 é praticamente nula. A alteração do regime, a efectuar-se, corresponde a uma quebra de um compromisso formal, sem justificação suficiente e terá um efeito muito negativo na credibilidade do Estado num dominio tão sensível como este", diz o documento.
No parecer o CES alerta também para a redução de funcionários públicos, "que não pode ser prosseguida de forma indiscriminada sem atender às reais necessidades de pessoal que atualmente se fazem sentir em muitos serviços".
"Um verdadeiro aumento da produtividade não pode ter como causa um recurso indiscriminado ao outsourcing, muitas vezes de inferior qualidade e de custo muito elevado", adverte o CES.
O Conselho considerou "importantes as medidas que aumentem a valorização e a produtividade dos trabalhadores", nomeadamente a efectiva definição de objectivos para os serviços e "uma justa e efectiva avaliação de desempenho dos serviços, dirigentes e trabalhadores".
Mas defende que "a eficiência e eficácia de tais medidas" dependem do "efectivo envolvimento e motivação dos trabalhadores do sector".
O parecer do CES à proposta de OE para 2010 foi aprovado na segunda feira num longo plenário, em que foram discutidas e introduzidas ainda muitas alterações ao documento.
O CES, que funciona como um órgão plenário, integra cerca de meia centena de representantes da sociedade civil, nomeadamente das confederações sindicais e patronais, dos municipios e juntas de freguesia, da organizações de mulheres, de famílias numerosas, de jovens empresários e de profissões liberais.
Integra ainda conselheiros a nível individual que foram convidados a colaborar na elaboração de pareceres técnicos, como é o caso de João Ferreira do Amaral, que foi relator deste parecer.
O CES pronuncia-se sobre as GOP, Orçamento do Estado, Programa do Governo e vota pareceres emitidos por comissões especializadas, criadas para estudar problemas específicos, como a pobreza.
destak/lusa | 10.02.2010
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