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Cobrança de impostos por privados criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
12-Dez-2007
O Governo quer entregar uma grande parte da cobrança de impostos aos privados para diminuir o peso das secções de cobrança e património. Segundo o Diário de Notícias, este projecto poderá vir a afectar dois mil trabalhadores das Finanças.
 
A Administração Fiscal está a planear entregar em 2008 aos privados - à banca e outras instituições financeiras, juntas de freguesia e câmaras municipais - boa parte dos serviços de cobrança de impostos, através de "novos protocolos". A intenção está inscrita nas "Orientações Estratégicas", um documento prévio ao "Plano de Actividades" da máquina fiscal para o próximo ano, a que o DN teve acesso.

O fisco prevê mesmo deslocar funcionários da cobrança - as antigas tesourarias - e do património - onde se processa a liquidação de impostos como o IMI e o selo - para outras secções, como o da justiça tributária, o que pode afectar directamente um universo de pelo menos 2000 funcionários, cerca de 20% dos trabalhadores da administração fiscal. O relatório, neste contexto, não faz referência ao quadro de mobilidade especial - onde estão colocados os excedentários - e ao Prace, o programa de restruturação da Administração do Estado, mas os sindicatos vão já hoje contestar estas "orientações estratégicas".

Nobre dos Santos, da Fesap, considera a pretensão do Fisco "de todo inaceitável" e promete ainda hoje "levantar a questão da privatização dos serviços de cobrança" na reunião com os parceiros sociais. "Neste momento, matéria como essa não foi colocada em questão", afirma.

António Godinho, sindicalista do Sintap e funcionário da Direcção-Geral dos Impostos (DGI) afirma "estar também em causa os interesse dos contribuintes". É que, justifica, "é previsível um maior fluxo de contribuintes" aos serviços locais, "por força de mudanças processuais em alguns impostos", ocorridas em 2007, como por exemplo, "o caso do imposto único de circulação".

O IUC - que substitui o imposto automóvel - afasta da cobrança os revendedores de valores selados, "o que obriga a uma maior afluência aos serviços locais" já que o imposto é liquidado nas finanças de acordo com o mês de matrícula dos veículos. "Isto", diz o sindicalista António Godinho, referindo-se à intenção de retirar serviços de cobrança das tesourarias, "visa, a prazo, a privatização dos serviços públicos. Vamos recorrer a todas as formas para inviabilizar essa pretensão".

Ao mesmo tempo, o fisco refere a intenção de "celebrar novos protocolos" de "cooperação" com instituições financeiras "visando o desenvolvimento de variadas soluções de cobrança". Na área do património serão chamadas para os "protocolos" as "juntas de freguesia" e as "câmaras municipais".

O documento prévio ao relatório de actividades faz menção à necessidade de reforçar a "secção de justiça tributária", onde correm as penhoras e os processos executivos. Uma pretensão contestada pelos sindicalistas, uma vez que " a instauração de processo executivos está em queda por força de maior cumprimento voluntário" no pagamento de impostos.

O relatório, confirma o uso do Prace - o programa para reestruturar a administração centra do Estado - para extinguir "serviços regionais", como direcções de Finanças e serviços de Finanças, embora refira a articulação com o "alargamento da rede de lojas do cidadão".

Ao nível local, a Administração Fiscal, à semelhança dos últimos dois anos, volta a referir a necessidade de proceder "à crescente integração" dos serviços de cobrança com os serviços de finanças.

Também em 2008 será criado o "gestor do cliente" para "acompanhamento dos grandes contribuintes". Este eixo de actuação poderá servir de tampão ao crescimento de "práticas de planeamento fiscal agressivo e abusivo" e mesmo "de evasão e fraudes fiscais", considerada como a maior ameaça ao sistema, de acordo com as finanças. 

DIÁRIO DE NOTÍCIAS | 12.12.2007
 
Comentarios (7)add
... : AD
Ach muito bem que se privatize a cobrança fiscal. Aqui deixo um conselho a filósofo: a seguir, provatize a assembleia da república e o governo e, depois, vá chatear outors!!!!
13.Dezembro.2007
... : Grande Manitu
Melhor seria que, por uma questão de igualdade para com os credores particulares, as cobranças fiscais fossem entregues aos famigerados solicitadores de execução.
E então, das duas uma, ou perdiam de vez as ilusões relativas ao controlo do défice ou então acabavam de vez com a malfadada reforma da acção executiva que tantos estragos tem feito à economia do país.
13.Dezembro.2007
... : cgf
Realmente, é melhor privatizar o Governo e a AR!
Se com a actual máquina da fazenda pública acontecem os atropelos que se vêm às garantias dos contribuintes, estão a imaginar alguns autarcas ou banqueiros a proceder a essas cobranças?!
13.Dezembro.2007
... : LM
E se não é preciso o Estado para nada, e já se percebeu que cada vez menos, a não ser para nos sacar os últimos tostões, a pergunta que fica é_ mas porque carga de água havemos nós de pagar impostos para engordar ainda mais "a banca" e "outras instituições financeiras?
13.Dezembro.2007
... : Eça de Queirós Alternativo
Já estou a ver o cobrador do fraque a esfregar as mãos de contente.
13.Dezembro.2007
... : Um cidadão
Concordo com a privatização da colecta, mais, proponho que nomeie Catalina como colector de impostos. Já agora, proponho ainda a privatização da Justiça e, porque não, o Estado português.

13.Dezembro.2007
... : António Lucas
Se não houver bloqueios, dentro de pouco tempo, estaremos de volta ao Feudalismo na verdadeira acepção da palavra. Só falta permitir às companhias de seguro, à Banca e às multinacionais a criação de Tribunais próprios para que, com Juízes pagos por eles, passem a a administrar a Justiça e a cobrar impostos.
Realmente, este poder político...

27.Dezembro.2007
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