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Fátima Felgueiras, a presidente de
câmara que responde em tribunal por 23 crimes, no caso conhecido como
“saco azul de Felgueiras”, está a receber apoio da autarquia para
custear as despesas jurídicas da sua defesa. Documentos que o Correio da Manhã
consultou demonstram que a autarca e a sua equipa de advogados já
receberam 200 mil euros dos cofres da autarquia, enquanto Júlio Faria,
ex-número dois de Felgueiras, recebeu 43 mil euros e Horácio Costa,
também ex-vereador, terá direito a cerca de 40 mil. Há outros
vereadores cujas defesas também estão a ser custeadas pelos cofres
autárquicos.
A decisão de pagar estes elevados
montantes tem sido fundamentada em pareceres jurídicos externos à
autarquia e a decisão final é tomada sem que a questão seja discutida
em reunião de câmara. Há despachos da própria Fátima Felgueiras, do
ex-vice-presidente, António Pereira, e do actual vice-presidente João
Garção. Os dois primeiros são arguidos e autorizam a entrega do
dinheiro em proveito próprio.
Do ponto de vista legal, a questão
está longe de ser pacífica e a fronteira entre o legal e o ilegal é
muito ténue. E por ser decidida de forma avulsa (Fátima tem sido
beneficiária de elevadas quantias pelo menos desde 2000), a Câmara
pediu agora um último parecer jurídico. O mesmo foi despachado pela
própria Fátima Felgueiras e autoriza a Câmara a pagar em qualquer
momento. É designado como “parecer de ordem geral que visa repor a
legalidade” e é datado de 24 de Junho deste ano.
O pagamento dos advogados aos autarcas
está regulado pela Lei n.º 29/87, de 30 de Junho (Estatuto dos Eleitos Locais). O artigo 21.º diz que só
pode haver lugar a pagamento quando não há dolo ou negligência. Pode haver direito de
regresso. Em Abril deste ano foi feita uma queixa à PGR denunciando a situação. O caso foi comunicado ao MP e à PJ.
42 por cento dos casos de corrupção em
Portugal atingem as autarquias locais. Entre 2002 e 2005, quase metade
das investigações da PJ sobre corrupção estão relacionadas com câmaras. 66 inquéritos abertos pelo crime de corrupção em 2006. De
acordo com a PJ, a corrupção ocupa o 9.º lugar no ranking dos crimes
registados em Portugal.
CORREIO DA MANHÃ | 10.11.2007
Relacionados:
••
Texto Integral da Lei n.º 29/87, de 30 de Junho (ficheiro PDF)
•• Texto do artigo do Estatuto dos Eleitos Locais:

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