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CM Felgueiras paga despesas judiciais criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
10-Nov-2007

ImageFátima Felgueiras, a presidente de câmara que responde em tribunal por 23 crimes, no caso conhecido como “saco azul de Felgueiras”, está a receber apoio da autarquia para custear as despesas jurídicas da sua defesa. Documentos que o Correio da Manhã consultou demonstram que a autarca e a sua equipa de advogados já receberam 200 mil euros dos cofres da autarquia, enquanto Júlio Faria, ex-número dois de Felgueiras, recebeu 43 mil euros e Horácio Costa, também ex-vereador, terá direito a cerca de 40 mil. Há outros vereadores cujas defesas também estão a ser custeadas pelos cofres autárquicos.

A decisão de pagar estes elevados montantes tem sido fundamentada em pareceres jurídicos externos à autarquia e a decisão final é tomada sem que a questão seja discutida em reunião de câmara. Há despachos da própria Fátima Felgueiras, do ex-vice-presidente, António Pereira, e do actual vice-presidente João Garção. Os dois primeiros são arguidos e autorizam a entrega do dinheiro em proveito próprio.

Do ponto de vista legal, a questão está longe de ser pacífica e a fronteira entre o legal e o ilegal é muito ténue. E por ser decidida de forma avulsa (Fátima tem sido beneficiária de elevadas quantias pelo menos desde 2000), a Câmara pediu agora um último parecer jurídico. O mesmo foi despachado pela própria Fátima Felgueiras e autoriza a Câmara a pagar em qualquer momento. É designado como “parecer de ordem geral que visa repor a legalidade” e é datado de 24 de Junho deste ano.

O pagamento dos advogados aos autarcas está regulado pela Lei n.º 29/87, de 30 de Junho (Estatuto dos Eleitos Locais). O artigo 21.º diz que só pode haver lugar a pagamento quando não há dolo ou negligência. Pode haver direito de regresso. Em Abril deste ano foi feita uma queixa à PGR denunciando a situação. O caso foi comunicado ao MP e à PJ.

42 por cento dos casos de corrupção em Portugal atingem as autarquias locais. Entre 2002 e 2005, quase metade das investigações da PJ sobre corrupção estão relacionadas com câmaras. 66 inquéritos abertos pelo crime de corrupção em 2006. De acordo com a PJ, a corrupção ocupa o 9.º lugar no ranking dos crimes registados em Portugal.

CORREIO DA MANHÃ | 10.11.2007 

Relacionados:

•• Texto Integral da Lei n.º 29/87, de 30 de Junho (ficheiro PDF)

•• Texto do artigo do Estatuto dos Eleitos Locais:

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Comentarios (17)add
... : João Sem Terra
Digo-o com mágoa mas sinto que estou a viver num país de desmiolados sem ética e onde o Estado de Direito é algo de surreal que só existe porque algum iluminado se lembrou de inventar tal terminologia.

Senhores políticos tenham pejo !!!...
Senhor Presidente da Républica... por favor accione os mecanismos constitucionais !...
Senhor Procurador da Républica. O Senhor é integro, porque eu sei que é,por favor intervenha ... tem mecanismos processuais e legais, para por cobro a isso !!!

Estou sem palavras. Não é preciso ser jurista e muito menos letrado na cência jurídica pois quaqluer cidadão que saiba ler e escrever entende que o requisito que a Lei impõe para pagamentos dos honorários no caso concreto é a inexistência de dolo ou negligência ou seja que não se tenha apurado a culpa, pelo que é óbvio que será necessário haver uma sentença judicial com trânsito em julgado que exclua essa mesma culpa.... Sem mais comentários só digo uns a apertar o cinto outros a gastarem à tripa forra. Haja moralidade...!

Depois isso dá nisto: Contra a vontade das pessoas de bem dos justos, daqueles que acreditam na Democracia e no Estado de Direito o Dr. Salazer de má memória, consegue ser eleito por maioria !!! o melhor português de sempre !...


10.Novembro.2007
... : Maria da Fonte
Caro João Sem Terra.
Partilho integralmente daquilo que disse.
Sou munícipe de Felgueiras e sinto-me altamente indignada e ao mesmo tempo revoltada após ser confrontada com a presente notícia. Agora percebo a razão do subdesenvolvimento social, económico e cultural a que está voltado o meu concelho.Aqui tudo vale para angariar fundos, mesmo contra os mais elementares principios da justiça e do bom-senso, fundos esses que deixam de ser canalizados para investimentos fundamentais ao desenvolvimento desta terra para, contrariamente, serem aplicados em futilidades, inutilidades e serem colocados ao serviço dos interesses particulares e meramente egoísticos.
É bom lembrar que esta terra carece de infra-estruturas culturais ( não existe sequer uma sala de cinema); desportivas ( não existe sequer um pavilhão gimno-desportivo); sociais ( não existem locais próprios de inter-acção social); ambientais ( a rede de saneamento praticamente inexiste: o lixo é depositado na sua maioria a céu aberto, assemelhando-se aos países de origem africana cujas imagens somos confrontados na T.V.); a arquitectura e o trânsito são uma amálgama anárquica comparados aos países terceiro-mundistas); rede viária (o trânsito é caótico na cidade sem o escoamento devido, na medida em que, por incrível que pareça, é o único concelho que ainda nem sequer iniciou as vias estruturantes de acesso às auto-estradas que servem o nosso concelho ). No entanto, em contrapartida as taxas cobradas provenientes dos tarifários referentes a água/águas residuais/resíduos sólidos urbanos são as mais altas cobradas em todo o país, considerando-se um verdadeiro imposto e só o ano em curso sofreu um aumento a rossar os 50%, isto sem falar das taxas cobradas a título de IMI que sofreram nos últimos tempos aumentos altamente desproporcionados comparáveis com as taxas cobradas nos concelhos limitrofes, o que é redutor e estrangulador ao desenvolvimento desta terra que muito precisa.
Apesar de todo este cenário que apelido de "dantesco" surpreende-me que a oposição partidária com responsabilidades inerentes se mantenha, como sempre, silenciosa e inoperante com a correspondente cumplicidade e responsabilidade neste triste e sórdido panorama!.
Por isso, só um milagre nos salvará desta infeliz saga que é pelo menos o funcionamento do Estado de Direito, através dos mecanismos ao dispor, fiscalizando a legalidade democrática, no caso concreto o recurso aos Tribunais para pôr cobro a esta vergonha do pagamento dos honorários de que foi dada notícia.
11.Novembro.2007
... : Maria Antonieta
Cara Maria da Fonte,
Fico surpreendida, com o que acabou de escrever. Olhando para a presidente da câmara quando é filmada a entrar ou sair do tribunal sempre tão arranjada, dá a ideia que se vive bem em Felgueiras.
Afinal existem tantas carências, "a rede de saneamento praticamente inexiste", como é possível smilies/shocked.gif.
Pois é, o que interessa é a aparência, a futilidade.
Também fiquei chocada em saber que todos os munícipes pagam a defesa da presidente da câmara, como é isto possível, a senhora está a ser julgada por ter lesado a câmara municipal. E consegue interpretando a lei como lhe convém, que lhe sejam pagos os honorários com o seu advogado. Até poderá ser legal (a meu ver não), mas é sem dúvida alguma IMORAL.

11.Novembro.2007
... : Um cidadão
De acordo com o princípio da inocência, não vejo porque é que a Câmara não pode custear as despesas jurídicas dos autarcas arguidos, visto que são presumíveis inocentes (portanto sem dolo nem culpa) até haver uma sentença condenatória transitada em julgado.
Isto demonstra apenas que até os princípios básicos onde se ancora o estado de direito também podem servir como instrumentos de opressão dos mais fracos (os contribuintes), não é verdade?

Agora, com franqueza, levaram demasiado longe os abusos, porque, salvo o devido respeito por opinião diversa, a interpretação do referido artº 21º da Lei n.º 29/87, de 30 de Junho, apontaria para o sentido de as autarquias assumirem os ditos encargos judiciais depois de haver uma decisão judicial transitada em julgado.

É bom que comecemos a habituarmo-nos com a realidade portuguesa do séc. XXI, o estado de direito virtual.
11.Novembro.2007
... : sarraceno
o saco sem fundo de Felgueiras
11.Novembro.2007
... : Eça de Queirós Alternativo
Desde que não seja eu a pagar, para mim está tudo bem...
12.Novembro.2007
... : Observador
Eça de Queiróz Alternativo:
O grande problema é que, para além da imoralidade da questão, todos nós estamos a pagar a defesa milionária desses senhores....
A bananeira continua a dar frutos...

12.Novembro.2007
... : m.p.
Portanto, basta o MP agir em juízo para fazer respeitar a legalidade: art. 21 da Lei 29/87.
12.Novembro.2007
... : Julio Roque
Se em Abril deste ano foi feita uma queixa à PGR denunciando a situação; se foi comunicado ao MP e à PJ, é difícil aceitar que nada tenha sido feito, caso exista ilegalidade nos procedimentos administrativos por parte dos serviços da CM de Felgueiras. Às tantas é a própria arguida que, à imagem da saudosa Ivone Silva, na rábula Maria patroa/Maria criada, faz todos os papéis.
Aparentemente, a lei é clara...mas já vi tanta coisa!
Outra que eu gostarei de ver (caso a senhora venha a ser condenada) é como vai ser reembolsado o IGFIJ, já que ela, segundo se ouve e lê, só tem de seu o vencimento que aufere como autarca.
12.Novembro.2007
... : Julio Roque : http://Correcção
No meu comentário, onde se lê ..." como vai ser reembolsado o IGFIJ"... deverá ler-se, como vai ser reembolsada a CM de Felgueiras...
13.Novembro.2007
... : GA
Eu acho que a PGR atarvés do seu serviço de assessoria de imprensa deveria estar atenta a estes factos. E fazer, se é de fazer, aquilo que alei impõe.
13.Novembro.2007
... : AJS
Neste Portugal de brandos costumes, já começa a ser natural este tipo de patifarias.
É esta a Lei wue temos... Só punimos os pilha galinhas
13.Novembro.2007
... : Virman
Incrível.
A melhor a interpretação é que o pagamento só pode ser realizado pela autarquia após o trânsito em julgado das decisões respectivas, pois só então se poder aferir com segurança se provou o dolo, negligência ou não. Até lá paga o autarca. E não o contrário. É que, supondo que um arguido seja condenado, como vão os cofres do Estado depois reaver o dinheiro quando pode "não ter bens em seu nome "?
Fica-se como está ?! Onde está a segurança das finanças públicas que pertencem a todos os cidadãos ? Ficam os contribuintes com esse débito diluído nas contas públicas ?
É tempo do legislador cortar o mal pela raiz e banir de vez com estes e outros tipos de privilégios ! Talvez que seja melhor filtrado quem tem dignidade para ser eleito local.
14.Novembro.2007
... : Carlos Cunha
Mais uma pouquíssima vergonha!
Ó Senhores será preciso fazer um desenho para ver que aqueles negócios azuis foram praticados com DOLO?
Vejo aqui muito boa gente que escreve lindos poemas! Mas ao cerne da questão ainda não vi!
Qual a Sr.a Procuradora Adjunta desta República que era detentora do dito processo? E como soube a amiga Fatinha de tudo aquilo, e fugiu prós brasucas?
Pior! Vocês sabem que há vozes que dizem que a gaja não abalou para as praias do Cristo Rei. Dizem as más línguas (que deus me perdoe se acredito), que ela estava em terras lusas, ai JESUS!

Pois e depois, enche-se a boca dos Direitos L. e Garantias! Quais? Dos ricos meus senhores que nem vergonha têm em por as contas das suas caras defesas por conta do munícipes.

Mas olha lá ó Fatinha acho que fazes muito bem? Sabes há muito bom moço que ainda faz pior.

P.S. Ia-me esquecendo: Um abraço bem apertado ao peoplo ai do Tribunal (só uma fugazinha sem dolo) de Felgueiras pá. Excelent work diriam os papás da Mady.

14.Novembro.2007
... : Julio Roque
Fátima Felgueiras até deu uma entrevista à televisão quando "exilada" no Brasil.
Se houve fuga de informação (digo se houve, uma vez que FF sabia que tinha pelo menos 50% de possibilidades de ser detida preventivamente), foi através do Tribunal da Relação de Guimarães, onde o processo tinha subido em recurso.
Isto de sabermos o que se passa no país através do "24 horas" tem os seus riscos.
16.Novembro.2007
... : Maria Antonieta
Já se soube de onde partiu as fugas ao segredo de justiça, que levou a dita senhora para o sol do rio?
Se fosse um jornalista por exemplo, já estava o processo em fase de julgamento.
Enfim, quem legisla estas matérias do poder autárquico, são os deputados onde proliferam muitos autarcas.
16.Novembro.2007
... : De Teixeira
Aproveite já as Promoções da Justiça!
(campanha válida até 30 de Dezembro)

É este o comentário que me merece o actual estado da Justiça!
19.Novembro.2007
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