|
Num momento em que a situação financeira do Instituto Nacional de Saúde
Doutor Ricardo Jorge (INSA) é descrita como "paupérrima" e o dinheiro
nem chega para comprar reagentes para fazer análises, a entidade
pública decidiu contratar uma assessora de imagem por 50 mil euros. A
situação está a causar mal-estar interno e, ao que apurou o CM, esta
"escolha de prioridades" foi mesmo contestada dentro do próprio
conselho directivo, com um dos administradores a opor-se à contratação
milionária.
E são vários os pontos contestados. O contrato foi
aprovado em Maio, mas com efeitos a partir de Abril. E terá duração até
Dezembro, custando cerca de 50 mil euros. Apesar de já ter a funcionar
um gabinete de comunicação, o conselho directivo do INSA decidiu
solicitar este serviço ao SUCH (empresa especializada em logística e
compras).
'O INSA é nosso cliente na
engenharia, equipamentos e fiscalização de obras. Em Março
solicitou-nos este serviço de comunicação, que não estávamos a prever',
disse ao CM Lurdes Hill, administradora do SUCH. E o pedido foi
satisfeito porque 'temos um quadro, que transitou da anterior Unidade
de Missão para os Hospitais SA [por onde passou também um dos actuais
administradores do INSA], especializado no sector da saúde pública,
divulgação científica e gestão de crise'. Uma tarefa 'muito específica
e da qual o SUCH não carece todos os dias', admite.
VERBA 'É DO FORO INTERNO'
O
CM tentou questionar o conselho directivo sobre a contratação, mas este
apenas fez saber que 'existem quatro contratos com o SUCH, um é de
comunicação e difusão científica, tendo a assessora sido designada pelo
SUCH'. Sobre os valores pagos, a resposta é 'que se trata de um assunto
do foro interno'. O orçamento do INSA é de 29 milhões de euros, um
valor que inclui as verbas para o Instituto de Genética Médica,
entretanto absorvido. Dez milhões são dívidas que a instituição tem por
cobrar. A actividade normal já se ressente, com atrasos no pagamento a
fornecedores e falta de materiais.
O CM tentou
questionar o conselho directivo sobre a contratação, mas este apenas
fez saber que 'existem quatro contratos com o SUCH, um é de comunicação
e difusão científica, tendo a assessora sido designada pelo SUCH'.
Sobre os valores pagos, a resposta é 'que se trata de um assunto do
foro interno'. O orçamento do INSA é de 29 milhões de euros, um valor
que inclui as verbas para o Instituto de Genética Médica, entretanto
absorvido. Dez milhões são dívidas que a instituição tem por cobrar. A
actividade normal já se ressente, com atrasos no pagamento a
fornecedores e falta de materiais.
AINDA MAIS CARA DO QUE MÉDICO DE TOPO
Por
mês, a assessoria de comunicação, imagem e divulgação científica vai
custar ao INSA cerca de 5555 euros –o contrato é de 50 mil, com a
duração de oito meses. Um valor bem acima da tabela normal praticada na
função pública na área da Saúde. Por exemplo, um médico chefe de
serviço, em regime de exclusividade e horário completo de 42 horas (o
topo da carreira) ganha mensalmente 5500 euros, de acordo com os
valores estipulados para os funcionários do Estado. Também um clínico
geral ganha apenas 2600 euros.
No Instituto
Ricardo Jorge este valor está também longe de ser comum, existindo
actualmente técnicos que asseguram o trabalho dos diferentes
departamentos com avenças e contratos precários.
CORREIO DA MANHÃ | 21.05.2008
Comentarios () |
|
|
|
|
|