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21-Mai-2008
Num momento em que a situação financeira do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) é descrita como "paupérrima" e o dinheiro nem chega para comprar reagentes para fazer análises, a entidade pública decidiu contratar uma assessora de imagem por 50 mil euros. A situação está a causar mal-estar interno e, ao que apurou o CM, esta "escolha de prioridades" foi mesmo contestada dentro do próprio conselho directivo, com um dos administradores a opor-se à contratação milionária.


E são vários os pontos contestados. O contrato foi aprovado em Maio, mas com efeitos a partir de Abril. E terá duração até Dezembro, custando cerca de 50 mil euros. Apesar de já ter a funcionar um gabinete de comunicação, o conselho directivo do INSA decidiu solicitar este serviço ao SUCH (empresa especializada em logística e compras).

'O INSA é nosso cliente na engenharia, equipamentos e fiscalização de obras. Em Março solicitou-nos este serviço de comunicação, que não estávamos a prever', disse ao CM Lurdes Hill, administradora do SUCH. E o pedido foi satisfeito porque 'temos um quadro, que transitou da anterior Unidade de Missão para os Hospitais SA [por onde passou também um dos actuais administradores do INSA], especializado no sector da saúde pública, divulgação científica e gestão de crise'. Uma tarefa 'muito específica e da qual o SUCH não carece todos os dias', admite.

VERBA 'É DO FORO INTERNO'

O CM tentou questionar o conselho directivo sobre a contratação, mas este apenas fez saber que 'existem quatro contratos com o SUCH, um é de comunicação e difusão científica, tendo a assessora sido designada pelo SUCH'. Sobre os valores pagos, a resposta é 'que se trata de um assunto do foro interno'. O orçamento do INSA é de 29 milhões de euros, um valor que inclui as verbas para o Instituto de Genética Médica, entretanto absorvido. Dez milhões são dívidas que a instituição tem por cobrar. A actividade normal já se ressente, com atrasos no pagamento a fornecedores e falta de materiais.

O CM tentou questionar o conselho directivo sobre a contratação, mas este apenas fez saber que 'existem quatro contratos com o SUCH, um é de comunicação e difusão científica, tendo a assessora sido designada pelo SUCH'. Sobre os valores pagos, a resposta é 'que se trata de um assunto do foro interno'. O orçamento do INSA é de 29 milhões de euros, um valor que inclui as verbas para o Instituto de Genética Médica, entretanto absorvido. Dez milhões são dívidas que a instituição tem por cobrar. A actividade normal já se ressente, com atrasos no pagamento a fornecedores e falta de materiais.

AINDA MAIS CARA DO QUE MÉDICO DE TOPO

Por mês, a assessoria de comunicação, imagem e divulgação científica vai custar ao INSA cerca de 5555 euros –o contrato é de 50 mil, com a duração de oito meses. Um valor bem acima da tabela normal praticada na função pública na área da Saúde. Por exemplo, um médico chefe de serviço, em regime de exclusividade e horário completo de 42 horas (o topo da carreira) ganha mensalmente 5500 euros, de acordo com os valores estipulados para os funcionários do Estado. Também um clínico geral ganha apenas 2600 euros.

No Instituto Ricardo Jorge este valor está também longe de ser comum, existindo actualmente técnicos que asseguram o trabalho dos diferentes departamentos com avenças e contratos precários.

CORREIO DA MANHÃ | 21.05.2008 

Comentarios (3)add
... : Alberto Ruço

Os assessores de imagem contratados por serviços públicos ( se não for esse o caso do dito Instituto, retiro tudo o que escrevo) não deveriam ser necessários para nada.

Digo isto porque os cidadãos apenas pretendem que as pessoas que trabalham nos serviços do Estado trabalhem e justifiquem o que ganham; falem e actuem com verdade e sejam honestas.
Parece-me que isto chega para gerar uma boa imagem dos serviços e se um assessor de imagem conseguir uma boa imagem onde falta trabalho, verdade, honestidade, então é porque o assessor serve para nos enganar.




22.Maio.2008
... : Alberto Ruço
Os assessores de imagem contratados por serviços públicos ( se não for esse o caso do dito Instituto, retiro tudo o que escrevo) não deveriam ser necessários para nada.

Digo isto porque os cidadãos apenas pretendem que as pessoas que trabalham nos serviços do Estado trabalhem e justifiquem o que ganham; falem e actuem com verdade e sejam honestas.

Parece-me que isto chegará para gerar uma boa imagem e se um assessor de imagem conseguir uma boa imagem onde falta trabalho, verdade e honestidade, então é porque o assessor serve para nos enganar.


22.Maio.2008
... : Mário Rama da Silva
O Instituto Ricardo Jorge segue a tendência em vigor.
O que interessa não é fazer coisas nem fazê-las bem.
O que interessa é criar a imagem, mesmo que sem qualquer fundamento, de que se fazem coisas e se é muito bom naquilo que se faz.
A partir daí torna-se muito mais fácil fazer pouco... ou nada.
22.Maio.2008
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