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As revoluções de Catroga criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
24-Jun-2007

Catroga quer revolução na Justiça, juízes acham que devia estar calado. Ex-ministro das Finanças em declarações ao Meia Hora: "Juízes devem receber em função de cumprimento de objectivos".Sindicato dos Magistrados do Ministério Público: "Quando se fala em público deve conhecer-se bem o assunto".

A possibilidade de os juízes passarem a receber salários em função do cumprimento de objectivos é liminarmente rejeitada pelos magistrados.
A proposta, defendida ontem pelo ex-ministro das Finanças, Eduardo Catroga, mereceu duras críticas da Associação Sindical dos Juízes Portugueses e do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, que alegam a falta de conhecimento dos meandros judiciais por parte do economista.
"É preciso dotar o sistema judicial português de princípios de gestão moderna, que assenta no princípio do trabalho por objectivos", adverte o ex-ministro ao Meia Hora, na sequência da sua intervenção na conferência sobre o "Sistema de justiça e Competitividade da Economia Portuguesa", organizada pelo Fórum para a Competitividade.
No entanto, para o presidente da Associação Sindical de Juízes Portugueses as intenções de revisão do sistema de remunerações de Catroga "são inconstitucionais".
"Não é possível ter juízes independentes pagos ‘à peça’, como meros tarefeiros", acusa António Martins em declarações ao Meia Hora, e assevera: "Os juízes não podem ser sujeitos a qualquer classificação como funcionários públicos porque não são funcionários públicos."
"Houve uma discussão semelhante em Espanha e o Supremo Tribunal não a deixou avançar por essa razão", recorda o dirigente.
António Martins rejeita assim a eventualidade de os magistrados serem abrangidos pelo SIADAP (novo Sistema Integrado de Avaliação de Desempenho na Administração Pública, que entra em vigor no próximo ano), como Catroga defende.
Também António Cluny, presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, contesta as declarações do ex-ministro das Finanças. "Não conheço no mundo inteiro nenhum sistema remuneratório de magistrados que debata esses critérios [salários em função dos objectivos cumpridos]." E Cluny vai mais longe: "Convém que, quando se fala em público, se conheça bem o assunto de que se está a falar."
IN MEIA-HORA, 22.06.2007

Em Espanha, a remuneração variável foi declarada inconstitucional
O ex-ministro da Economia, Eduardo Catroga, sugeriu ontem a implementação de um sistema de remuneração variável para os juízes, em função do cumprimento de objectivos estabelecidos, defendendo uma “revolução” no sistema de Justiça.A proposta, apresentada pelo antigo governante durante a conferência ‘O Sistema de Justiça e a Competitividade da Economia’, foi imediatamente rejeitada pelos magistrados, os quais lembram que a aplicação desse sistema aos juízes chegou a ser instituída em Espanha, tendo depois sido declarada inconstitucional, por violação do princípio da independência do poder judicial.“Com certeza, atendendo à origem profissional do senhor professor, é compreensível que a sua perspectiva esteja desfocada pelos números e percentagens. Só assim é compreensível a sua declaração”, disse ao CM o presidente da Associação Sindical dos Juízes Portugueses, António Martins. E acrescentou: “É pena que enquanto o professor foi ministro, o seu salário também não tivesse sido fixado em função dos objectivos alcançados.”

Também o juiz Edgar Lopes, da Associação de Juízes pela Cidadania, rejeitou a sugestão, embora admita a possibilidade de se estudar uma forma de premiar os juízes que mais trabalham, paralelamente àquilo que já acontece com os que menos trabalham, que são reformados compulsivamente. “Tudo o que seja um incentivo ao mercantilismo dos juízes é um mau princípio, sem prejuízo de poder ser estudada uma forma de premiar quem trabalha muito e supera todos os obstáculos do sistema”, disse Edgar Lopes ao CM.
Tal como António Martins, o magistrado da Associação de Juízes pela Cidadania lembrou que o sistema de remuneração variável “resultou pessimamente em Espanha”.
A proposta de Catroga para os salários dos juízes é semelhante à aplicada aos gestores públicos, com a entrada em vigor, há um mês, do Estatuto do Gestor Público, que prevê uma componente fixa e uma variável na remuneração.

O advogado Daniel Proença de Carvalho defende que para resolver o problema da Justiça em Portugal é preciso avançar para uma maior privatização do sector e apostar no desenvolvimento dos centros de arbitragem, uma vez que o Estado não consegue dar resposta à necessidades dos cidadãos e das empresas.
IN CORREIO DA MANHÃ, 22.06.2007

Comentarios (11)add
... : Mário Rama da Silva
Só uma correcção ao texto acima: o SIADAP não é novo. Já tem uns anos e não funcionou porque, para além de deficiências várias, a definição de objectivos que pressupõe a sua aplicabilidade tem de ser feita de cima para baixo. Ora os nomeados para os lugares de topo nunca fizeram - nem vão fazer - essa definição de objectivos e, por isso, o sistema de Guterres repescado por Sócrates (que aliás só tem repescado as ideias que fizeram cair Guterres mas mais bem disfarçadas) irá continuar a falhar ou a ser falsamente aplicado para propaganda.

25.Junho.2007
... : Socrália
Estamos infestados de gente medíocre, exímios demagagos que exercitam um experimentalismo carregado de ignorância e superficialidade e que quase nunca trabalharam na vida. Basta-lhes determinado cartão partidário para emitirem opiniões superficiais. Estudem história e deixem de inventar.
25.Junho.2007
... : mfr
Boa Socrália!
25.Junho.2007
... : Menino Carlinhos
Cá por mim, já agora, os membros do Governo também só deveriam ser remunerados por objectivos, tipo terem conseguido baixar o número de desempregados, combater eficazmente o insucesso escolar, promover o crescimento económico, etc. e tal, estão a ver a coisa? smilies/cheesy.gif
26.Junho.2007
... : Menino Carlinhos
Já agora, sabem qual o problema do congestestionamento dos Tribunais e da morosidade da Justiça? A nossa cada vez maior falta de civismo, de falta de respeito pelo outro, numa sociedade de capitalismo cada vez mais selvagem, onde se perdeu o sentido da solidariedade e não se olha a meios para se atingir os objectivos e se elevou o dinheiro a «Deus»! Antigamente bastava a «palavra de honra» para garantir um contrato, meramente, verbal, hoje nem com ele reduzido a escrito e com assinatura reconhecida pelo notário! Num mundo assim, nunca haverá Tribunais, Juizes, MPs e Funcionários Judiciais suficientes para dar a tal resposta «às necessidades dos cidadãos e empresas», como pretende Proença de Carvalho! Agora chamem-me «populista», «anarquista», »comunista»..ou simplesmente «traquinas» por pensar e falar assim! smilies/cheesy.gif
26.Junho.2007
... : Observador
Já tinhamos ouvido muitos opinion makers, que nada percebem do sistema de justiça, a emitir opiniões disparatadas, mas tais senhores ainda não tinham chegado à equiparação das sentenças aos chouriços... viva a linha de produção!!! smilies/grin.gif
26.Junho.2007
... : Menino Carlinhos
Se pensarmos que têm sido «pensadores» como Catroga que nos têm governado...percebe-se melhor a desgovernação em que temos vivido! smilies/grin.gif JÁ AGORA, AINDA QUE CORRENDO O RISCO DO ADMINISTRADOR DESTE SITE ME BANIR, POR FALTA DE ORIGINALIDADE NO ASSUNTO: QUANDO REGULARIZAM (PAGAM) DE VEZ, TODAS AS «OFICIOSAS» QUE ME CONTINUAM A DEVER E AOS MEUS COLEGAS?!!!!!! smilies/angry.gif
26.Junho.2007
... : zé
Concordo plenamente com Eduardo Catroga, póis tudo que existe no mundo real é quantificavél. Existe somente um senão para esta formula que é a complexidade processual, ou seja, o processo deveria cingirse a regras claras e precisas, que não permitissem delongas anuais. Apresentados os factos e provas o tribunal, sempre colectivo deveria decidir em sentença de duas a tres folhas e não escrevendo romances e tratados do sexo dos anjos. Tenho dito.

26.Junho.2007
... : Eça de Queirós Alternativo
Se o disparate fosse remunerado em função da sua ordem de grandeza, Eduardo Catroga andaria a fazer meças com os vencedores do Euromilhões.
Mas como não é, resta-lhe a singela pobreza das ideias.
Valha-nos Deus ...

26.Junho.2007
... : Alberto Ruço
"Juízes devem receber em função de cumprimento de objectivos".
O Sr. Dr. Catroga teve alguma realidade em mente quando referiu que os juizes deviam receber por objectivos. Que objectivos ?!

Não a concretizou, que se saiba, mas era importante que o tivesse feito porque quando não concretizamos, franqueamos as portas às dúvidas, às suspeitas e a tudo que cabe nos limites da imaginação de cada um.
Objectivamente aquilo que disse leva a pensar que os juízes não trabalham o suficiente.
Está redondamente enganado, como muitos outros.

Digo isto porque, segundo as estatísticas publicadas no site do Direcção-Geral da Política de Justiça ( http://www.dgpj.mj.pt ), entraram nos tribunais judiciais de 1.ª instância portugueses em 2001, 682 800 processos e findaram 619 540; em 2002 entraram 738 882 e findaram 657 889; em 2003 entraram 802 202 e findaram 700 191; em 2004 entraram 780 175 e findaram 662 551; em 2005 entraram 826 414 e findaram 697 511 e em 2006 entraram 790 453 e findaram 797 128.

Os dados disponibilizados indicam que em 2002 havia 1286 juizes na 1.ª instância, e é por aqui que todos os processos passam.
Em 2003 havia 1368 juízes, não constando das estatísticas outros dados, mas as alterações não terão sido significativas.
Em 31 de Dezembro de 2004, havia 22 418 advogados e 5141 advogados-estagiários.

Pelos dados disponíveis em 2001, a média dos processos findos por juiz foi de 453 e em 2002 foi de 480, não havendo outros dados disponíveis.

O ano tem 365 dias.
Se lhe retirarmos 30 dias de férias, 52 domingos e 52 sábados, mais meia dúzia de dias feriados, ficamos com uns 225 dias úteis anuais.
O que implica que cada juiz tenha terminado, em média, por ano, dois processo por dia útil.

Já agora, para que se possa fazer uma ideia do trabalho, cumpre saber o que é um processo judicial; cumpre saber que são tomadas por dias dezenas de decisões e que todas elas têm de obedecer à lei; cumpre saber que um juiz não tem qualquer limite de processos; que tem de os resolver, seja de dia, de noite, em dia útil ou não útil; não tem assessores; todo o trabalho é feito por ele.

Para ter outra perspectiva do assunto, os 826 414 processos entrados nos tribunais em 2005, se fossem colocados uns a seguir aos outros, em fila indiana, no sentido do comprimento ( 29,6 cm/processo ), cobririam 244 quilómetros, isto é, começávamos em Lisboa e terminávamos em Aveiro !

Quando alguém fala publicamente do trabalho dos juizes devia saber isto e muito mais.
Se soubesse e se estivesse empenhado em ser verdadeiro, a imagem dos juízes transmitida pela comunicação social era seguramente mais positiva.




27.Junho.2007
... : LM
Catroga quer Justiça a "metro"!

Ou à página!

Ou à folha!

Ou "à dúzia que é mais barato"!

Quanto disparate, quando o pendor economicista pretende invadir tudo e todos.
04.Julho.2007
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