 A lei do divórcio foi hoje aprovada pela esquerda e os votos contra do
PSD e CDS-PP. O divórcio sem consentimento dos dois cônjuges terá que ser assente em
causas objectivas, como a separação de facto por um ano consecutivo, a
alteração das faculdades mentais que dure há mais de um ano, a ausência
pelo mesmo prazo e por "quaisquer outros factos que, independentemente
da culpa de um dos cônjuges, mostrem a ruptura definitiva do casamento".
O diploma teve o voto contra da deputada do PS Matilde Sousa Franco,
a abstenção da deputada Teresa Venda e mereceu o voto favorável de sete
deputados do PSD e a abstenção de 11, entre os quais Pedro Duarte, da
direcção da bancada, e Jorge Neto.Arménio Santos, Ofélia Moleiro, Emídio Guerreiro e Agostinho
Branquinho foram alguns dos deputados do PSD que votaram favoravelmente
o diploma do PS, que acaba com a figura jurídica do divórcio litigioso
e estipula o "divórcio por ruptura".
O divórcio sem consentimento dos dois cônjuges terá que ser assente
em causas objectivas, como a separação de facto por um ano consecutivo,
a alteração das faculdades mentais que dure há mais de um ano, a
ausência pelo mesmo prazo e por "quaisquer outros factos que,
independentemente da culpa de um dos cônjuges, mostrem a ruptura
definitiva do casamento".
Nesta ultima categoria, inclui-se a violência doméstica que, segundo
o líder da bancada do PS, Alberto Martins, "pode mostrar imediatamente
a inexistência de comunhão de vida, própria de um casamento".A nova lei prevê que o cônjuge "que contribui manifestamente mais do
que era devido para os encargos da vida familiar adquire um crédito de
compensação que deve ser respeitado no momento da partilha"."Eu pergunto, isto não gerará um verdadeiro processo de prestação
de contas entre marido e mulher na altura do divórcio? Não gerará
desconfiança permanente em todo o casamento sobre quem é que deve o
quê?", questionou o deputado do PSD Montalvão Machado.
Esta ideia de "crédito de compensação", que suscitou igualmente
algumas dúvidas por parte da bancada comunista, foi esclarecida pelo
deputado do PS Jorge Strecht.O deputado socialista explicou que a lei do divórcio pretende
proteger a parte mais fraca e salientou que na sociedade portuguesa é
ainda a mulher que mais se esforça no dever de cooperação no casamento,
por exemplo, no que toca à partilha de tarefas domésticas. "Se o senhor não quer reconhecer que alguém que, não é o problema
do rendimento, não é o problema dos dinheiros, é o problema do esforço
no dever de cooperação no casamento, deva ser equacionado [na altura da
partilha], isso é que eu acho estranho", afirmou o deputado.
A noção de que a partir de agora um divórcio sem o consentimento dos
dois cônjuges não comportará a noção de culpa foi igualmente
questionada pelo PSD, com o deputado Montalvão Machado a garantir que o
tribunal continuará a ter que apurar as culpas para efeitos,
nomeadamente, patrimoniais, do divórcio.
LUSA | 16.04.2008
Aceder ao Projecto de Lei 509/X/3 (ficheiro doc, parlamento.pt)
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