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Alípio Ribeiro de saída de director da PJ criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
06-Mai-2008
Segundo o Diário de Notícias de hoje, Alípio Ribeiro está de saída do cargo de director nacional da Polícia Judiciária, quase um ano antes de o mandato terminar (Abril de 2009). O magistrado do Ministério Público aguarda agora que o novo enquadramento legislativo da investigação criminal se torne realidade, apurou o DN junto de fonte governamental.

 

Em 5 de Maio passado seguiu para a Presidência da República a nova lei orgânica da PJ, para promulgação. Amanhã o Parlamento aprovará, em votação final, a nova Lei de Segurança Interna e a nova Lei de Organização da Investigação Criminal - que depois terão também de passar pelo crivo presidencial.

Ao que o DN apurou, a saída do director nacional da PJ será concertada com o ministro da Justiça, Alberto Costa, de quem é aliás amigo pessoal há muitos anos. O Governo e o próprio director nacional da PJ tentam evitar o cenário de ruptura da demissão do antecessor de Alípio Ribeiro, Santos Cabral. "Uma saída a bem", como ontem dizia ao DN uma fonte governamental. O DN tentou, em vão, contactar Alípio Ribeiro, que não atendeu o telefone até ao fecho.

No Governo, a entrevista de ontem de Alípio Ribeiro ao Diário Económico é vista como sendo já preparatória da saída. O magistrado mostrou-se adepto da transferência da tutela da PJ do Ministério da Justiça para o da Administração Interna e criticou a nova figura do secretário-geral da Segurança Interna, criada pela LSI, considerando que ficou com competências "aquém" do que seria desejável.

Para a influente ASFIC (Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal), a entrevista selou uma ruptura entre o director nacional da PJ e a corporação: "Alípio Ribeiro deixa, a partir deste momento, de ter condições para se manter no cargo de director nacional da Polícia Judiciária", lia-se num comunicado. Que acrescentava: "Chegámos a um ponto em que o caminho que defendemos para a PJ é diametralmente oposto àquele que preconiza o actual director nacional." "Estranhamos, absolutamente, que o director nacional da PJ tenha defendido ideias tão estruturantes como as que defendeu, que vão totalmente ao arrepio do que em público e em privado tem defendido, sobre estes mesmos temas", dizia ainda a associação sindical. Ou seja, deu-se "uma súbita e inesperada reviravolta de opinião" do director da corporação.

António Cluny, presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público (SMMP) também reagiu à entrevista. "Não deixa de ser curioso que as declarações tenham sido proferidas na sequência da divulgação de dados sobre a queda da operacionalidade desta polícia já no mandato do actual director nacional."

Cluny fez notar de imediato que a entrevista de Alípio poderia ter consequências no seu mandato. "Em todo o caso, haverá que tomar em consideração que o director nacional da PJ não é mais do que um alto funcionário do Ministério da Justiça, pelo que sobre essa matéria só interessa o que pensa e decide o ministro da Justiça". "A responsabilidade política e administrativa decorrente destas declarações terá de ser também o ministro da Justiça a retirá-las", concluiu.

Num comentário suscitado a partir da entrevista, o director nacional da PSP, Oliveira Pereira, disse que a cooperação entre as duas forças "é boa" mas "podia ser melhor".

No Parlamento, o CDS-PP requereu a audição do ministro da Justiça e do director da PJ. "A opinião inserta nesta declaração é no mínimo inusitada, face à aprovação daquela lei orgânica há semanas e ao facto de no momento parlamentarmente adequado, isto é, prévio à sua aprovação, o director nacional da PJ não a ter dado a conhecer", explicou Nuno Melo. O CDS quer também explicações sobre a baixa na produtividade na PJ.

DIÁRIO DE NOTÍCIAS | 06.05.2008 

Comentarios (1)add
... : Mendes de Bragança
Já saiu. Já há um novo director da PJ, um inspector de carreira. Finalmente!
Alípio Ribeiro não tinha jeito para polícia e era ingénuo. Qualidades ainda persistentes do Maio de 68.
06.Maio.2008
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